Mostra Latino-americana de Teatro na Trindade

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9 a 17 de Setembro de 2014
Teatro da Trindade, em Lisboa
Bilhetes à venda na Ticketline, Teatro da Trindade e Fnac
M/12

De 9 a 17 de setembro, o Teatro da Trindade acolhe a ​1.ª Mostra Latino-americana de Teatro, organizada pela Casa da América Latina, com o apoio das Embaixadas da Argentina, do Brasil, do México, do Paraguai e da República Dominicana. A mostra tem como objectivo dar a conhecer ao público o trabalho de muitos artistas e criadores, naturais de países da América Latina, que desenvolvem o seu trabalho em companhias residentes em Portugal e Espanha.

Nesta primeira edição, a Mostra contará com a participação especial da Compañia Nacional de Teatro de La República Dominicana, que apresenta a multipremiada peça La Noche de los Asesinos, do cubano José Triana.

PROGRAMA

9 de Setembro / terça-feira / 21h30
Que no lo vea mi madre (Argentina)

Companhia Del Redoble Teatro y Titeres (Valencia, Espanha); texto: Claudio Hochman e Claudia Verdecchia; encenação: Claudio Hochman e Claudia Verdecchia; interpretação: Claudia Verdecchia; música: Lila Horovitz; fotografia: Jesús Atienza; duração: 1h10 (sem intervalo)

Uma mulher nega-se a contar contos tradicionais infantis. Não quer. Entretanto, utilizando objectos, bonecos e outros materiais, vai contando momentos da sua vida, da sua infância numa povoação perdida na Patagónia, a sua relação com a família e as suas viagens. Mas os contos infantis insistem em lhe aparecer uma e outra vez como fantasmas demoníacos.

Esta peça é “poetica de lo cotidiano. Desparpajo escénico. Un espectáculo imprescindible que com suerte llegará muy lejos”, nas palavras do Director Artístico do Centro Teatral Escalante de Valência, Vicent Villa. “Que no lo deje de ver el público”, afirmou Ciro Gómez, Director do Teatro de Hilos Mágicos de Bogotá, na Colômbia. É “una titiritera que desea que vayamos a verla y a disfrutarla”, de acordo com Concha de la Casa, Directora Artística do Festival Internacional de Títeres de Bilbau, em Espanha.

Leia a entrevista da CAL a Claudio Hochman.

10 de Setembro / quarta-feira / 21h30
Dona Margarida (Brasil)

Companhia de Actores; texto: Roberto Athayde; encenação: António Terra; interpretação: Sandra José; figurino: Pedro Eleutério; desenho de luz: António Terra e Ricardo Ladeira; fotografia: Sónia Gomes da Silva; duração: 1h40 (com intervalo)

Uma professora/tirana faz do público a sua turma de jovens de 15 anos. Dá-lhes uma bizarra aula de biologia em que o tripudiar da sua ditadura só se iguala à insistência com que procura seduzir.

Dona Margarida não tem limites: nem para o furor da glória de mandar nem para um apetite sexual que atropela quaisquer resquícios de moral que ainda possam subsistir. Nós, o público transformado em alunos, não estamos de volta à escola nem assistimos à morte da democracia: estamos em toda a parte em que a prepotência faz o jogo de impor e desejar.

O autor Roberto Athayde criou Apareceu a Margarida em 1973. Desde então, a personagem foi interpretada mais de 240 vezes, por actrizes como a francesa Annie Girardot, vencedora de um Óscar, a norte-americana Estelle Parsons e a italiana Anna Proclemer. Dona Margarida é a peça de língua portuguesa mais encenada no mundo.

Leia a entrevista da CAL a Roberto Athayde.

13 de Setembro / sábado / 21h30
Eu, a mulher macaco (México)

Companhia: Valdevinos Teatro de Marionetas; texto: Elmer Veckío Mendoza; encenação: Fernando Cunha e Veckío Mendoza; interpretação/manipulação: Fernando Cunha, Ian Carlos Mendoza e Sofia Portugal; música: Ian Carlos Mendoza; coro: Coral Allegro; fotografia: Miguel Soares; vídeo: Ricardo Reis; produção: Ana Pinto; duração: 1h15 (sem intervalo)

Representação da vida de Julia Pastrana, a mulher macaco, uma mexicana que nasceu em 1834, faleceu em 1860 em Moscovo e cujo corpo regressou ao México 153 anos depois, em Fevereiro de 2013. Vítima de hipertricose, uma doença incurável, Pastrana tinha o corpo coberto de pêlos e por isso ficou conhecida como a mulher macaco.

Neste trabalho de experimentação multidisciplinar, o grupo Valdevinos conta na primeira pessoa a desconcertante história desta mulher, transformada em atracção de circo, sem escrúpulos, pelo marido e empresário Theodore Lent.

Leia a entrevista da CAL a Elmer Veckio Mendoza e a Ian Carlo Mendoza.

14 de Setembro / domingo / 18h00
Cosechero de historias (Paraguai)

Companhia: La Cháchara; encenação: Marco Flecha Torres; som: Ángeles Fernández; produção: La Cháchara – Sevilla; duração: 50 min (sem intervalo)

Proposta cénica que combina teatro com a narração oral, a partir de contos e lendas que o protagonista foi coleccionando na sua terra e noutras paragens, com temáticas campestres e, por vezes, do fantástico. A obra é apresentada em língua espanhola, embora esteja presente também o guarani, o outro idioma oficial do Paraguai, permitindo assim ao público experienciar a sonoridade e ritmo da língua, sem que isso afecte a história que está a ser contada.

Homenagem à arte de contar contos, e aos avôs e avós que com imaginação e criatividade foram ao longo dos tempos inventando mundos novos, sonoridades, mitos e lendas.

Além do reconhecido trabalho de actor através da narração oral, o paraguaio Marco Flecha distingue-se hoje em Espanha também pelo seu trabalho no teatro, através do qual valoriza a sua cultura de origem. Actualmente coordena o Festival Intercultural de Narración Oral de Sevilha e o Festival Internacional de Cuentos para Niños y Niñas em Tacuati, no Paraguai.

Leia a entrevista da CAL a Marco Flecha Torres.

Segue-se o debate Que TeatroOs encenadores da Mostra Latino-Americana de Teatro, a decorrer no Teatro da Trindade até ao dia 17 de Setembro, vão reunir-se para um debate, que terá lugar na sala principal naquele teatro, às 19h00 do dia 14. Claudio Hochman, António Terra, Elmer Veckio Mendoza, Marcos Flecha e Kenia Liranzo, encenadores de cinco das peças apresentadas na Mostra Latino-Americana de Teatro, vão falar sobre os autores e as obras que os influenciam, sobre os públicos e sobre a importância da América Latina nas obras que produzem.
Saiba mais sobre o debate aqui.

17 de Setembro / quarta-feira / 21h30
Retorno (República Dominicana)

Compañia de Arte Caribe; texto: Kenia Liranzo; encenação: Hernando Téllez e Kenia Liranzo; interpretação: Kenia Liranzo; duração: 50 minutos (sem intervalo)

Constituída de três monólogos em língua espanhola, a peça retrata casos de tráfico de mulheres no Brasil e na República Dominicana (país de origem da actriz), países cujas taxas de incidência deste crime são das mais elevadas, segundo a ONU.

Com duração de 50 minutos, e indicada para maiores de 12 anos, a peça retrata as vidas de mulheres enganadas com promessas de trabalho mas que acabam por ser obrigadas a se prostituírem. Com Retorno, que resulta de uma pesquisa científica de Kenia Liranzo no âmbito da sua especialização em Relações Internacionais na Universidade de Brasília, a autora pretende sensibilizar o público em relação ao tema do tráfico de pessoas e à impunidade dos criminosos.

Saiba mais sobre Retorno.
Leia a entrevista da CAL a Kenia Liranzo.