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O Fórum Internacional – AMAZÓNIA E BIODIVERSIDADE realizou-se no dia 2 de junho, na Câmara de Comércio da Indústria Portuguesa em Lisboa, e foi promovido pelo Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF) e pela Red Adelco com o apoio da Embaixada de Portugal na Colômbia e da Embaixada da Colômbia em Portugal. Esta iniciativa integrou o projeto “Caquetá Eco – Territórios Economicamente e Ecologicamente Sustentáveis”, financiado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.

O projeto “Caquetá Eco – Territórios Económica e Ecologicamente Sustentáveis” desenvolve-se no Distrito de Caquetá, nos municípios rurais de La Montañita, El Doncello e El Paujil. Esta região, localizada no sopé da Amazónia andina da Colômbia, caracteriza-se pela sua riqueza e beleza naturais, embora a sua história seja marcada por décadas de conflito e violência, exclusão institucional e influxo de economias extrativas e ilegais (especialmente cocaína) explicou Daisy Bermeo, Asmucoca – Associação de Mulheres Rurais da Colômbia e de Caquetá. Apesar da assinatura dos Acordos de Paz em 2016 e a reintegração de muitos antigos combatentes das FARC, a competição pela apropriação de territórios anteriormente dominados pelos grupos armados levou a uma pecuária extensiva e exploração madeireira que agravaram a desflorestação. Apesar destes desafios, as comunidades locais têm demonstrado uma resiliência notável e um empenho inabalável na conservação do seu ambiente. Além disso, destacou Sandra Gonzalez, da Asmupropaz – Associação de Mulheres Produtoras da Paz e Coombuvipac – Cooperativa Multiactiva para el Buen Vivir y la Paz del Caquetá, “o olhar sobre a mulher nas comunidades mudou muito. Se estivemos ao lado e a chefiar homens na guerra, em tempo de paz, já não pode haver retrocessos. Com o projeto Caquetá Eco oferecemos instrumentos e objetivos de melhoria de vida às mulheres na nossa comunidade, muitas delas e provedoras únicasdas suas famílias”, explicou.

O projeto “Territórios Sustentáveis para a Paz em Caquetá”, a revitalização das economias locais baseada na proteção e no uso sustentável da biodiversidade em Caquetá, através da gestão de alianças estratégicas, do empoderamento comunitário e do fortalecimento das capacidades sócio empresariais, centrada no desenvolvimento económico sustentável que beneficia tanto as comunidades locais como o meio ambiente. Yina Bailón, da empresa ChocoAmazonic, destacou a difícil tarefa da mulher empreendedora, a falta de reconhecimento, o erros cometidos por desconhecimento, contudo “dez anos de trabalho já torna visível que mesmo um pequeno gesto empreendedor de uma mulher, tem um reflexo gigante na sua comunidade”

“A floresta deixou de ser um território de disputas para se tornar um ativo de paz. Em vez de imposições verticais, construímos a governança de baixo para cima, garantindo segurança e legitimidade “, esclareceu Sandra Ortega, Subdirectora Administrativa da RED ADELCO. Esta rede desenvolve a sua atividade de forma integrada, seguindo três pilares: a bioeconomia e o emprego, apostando em cadeias de valor verdes, lideradas por mulheres (754 famílias apoiadas), clima e energia (transição de gasóleo para energia fotovoltaica, fundos de reflorestação) e paz e governação (pactos comunitários, acordos de conservação e re-integração de ex-combatentes).

A Mostra de produtos da Amazónia e as quatro histórias de sucesso apresentadas, revelam, segundo Carolina Quina, Administradora Executiva do Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF), o resultado prático da aposta da Fundação na preservação da floresta e biodiversidade amazónica a partir de uma abordagem integrada centrada na energia verde, nos pactos de proteção florestal e empreendedorismo social.

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Publicado: Junho, 2026.