Sandro Mendonça apresenta CYTED

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Entrevista a Sandro Mendonça, director da Licenciatura de Economia do ISCTE-IUL e responsável em Portugal pelo CYTED, Programa Ibero-Americano de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento à conversa com a Casa da América Latina

CAL – Para quem não conhece, podia fazer uma breve introdução ao CYTED?

Muita gente não conhece em Portugal. Mas é muito conhecido em Espanha e tem sido determinante em muitos países da América Central e do Sul. O CYTED é o Programa Ibero-Americano de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento. É uma estrutura de 21 países (19 latino-americanos mais Portugal e Espanha) que apoia redes de investigação e plataformas de incubadoras de empreendedorismo. O objectivo é capacitar a região promovendo cooperação para o desenvolvimento baseado em conhecimento socialmente útil e ecologicamente equilibrado.

CAL – Qual é o balanço que faz do último evento promovido pelo CYTED nos Açores?

Muito positivo. Em Ponta Delgada promovemos um Mini-Fórum dedicado ao Aproveitamento Sustentável de Recursos“ e reunimos especialistas em energia geo-térmica, mineração responsável, drones marítimos, e indústrias culturais e turísticas. Pusemos em interacção especialistas e decisores vindos do México, Brasil, Peru, País Basco, Açores e Portugal Continental. Tivemos apoios muito importantes como o Crédito Agrícola dos Açores, a SATA, a SDEA, a EDA, o INPI, a Câmara Municipal de Ponta Delgada, o Governo Regional dos Açores, etc.

CAL – Quais foram as principais conclusões do encontro?

Acreditamos que as ilhas atlânticas são realmente ibero-americanas … pois estão realmente entre a Ibéria e as Américas! Pudemos mostrar que os Açores têm um papel de liderança em várias áreas: desde a geotermia ao turismo baseado na natureza. Mostrámos que Portugal consegue reunir para dois dias de debate produtivo instituições como o IPMA e o CIVISA, organizações como a Assimagra e o Walk & Talk, empresas como a Electricidade dos Açores e a Partex Oil & Gas, universidades como o ISCTE e a Universidade dos Açores. Demonstrámos o potencial que existe para cooperação Chile-Açores na vulcanologia e as oportunidades de colaboração Panamá-Açores na área da mega-logística oceânica. Sinalizámos que o Atlântico Norte não é uma área de influência monopolística anglo-americana.

CAL – Acha que há uma consciência global (e local) da existência de um espaço ibero-americano?

Ainda não, e isso é negativo. Parece que não há chances de diversificação para além dos EUA ou a UE. Mas isso não é assim. Na perspectiva dos Açores a América Latina tem muitos países com boas práticas e crescimento económico com qualidade crescente. E o desenvolvimento desses laços pode por sua vez atrair ainda mais o interesse de países emergentes como a China, país que pode preencher pacificamente o espaço deixado livre por outros e que o ocupavam militarmente.

CAL – Uma das frases mais ditas pelos embaixadores e representantes dos países latino-americanos é que “a América Latina deixou de fazer parte do problema para fazer parte da solução”. Concorda?

A solução é a cooperação e a democracia, o conhecimento e a inovação. Os países latino-americanos têm progredido em todos estes domínios. Esta é a direcção que mais interessa a arquipélagos híper-periféricos que querem encontrar o seu lugar digno e sustentável no futuro.

CAL – O que planeia o CYTED para o futuro?

Estamos a aprovar projectos na área da saúde e da gestão ecológica bem como nas áreas da micro-geração energética e da valorização dos produtos locais. Ao mesmo tempo está a dar-se muita força ao empreendedorismo em rede e esta área em concreto receberá muito mais estímulo no futuro.