Suly Barrera: “Na academia sulydance não somos colegas de trabalho, somos amigos”

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Suly Barrera, 30 anos, é a cara da Sulydance, uma academia com experiência em dança desde 2003 e cujo objetivo passa por formar as novas gerações na arte da dança. A pouco menos de um mês de atuarem no Mercado da América Latina, a bailarina e professora cubana fala-nos um pouco do seu percurso e da prestigiada academia.

Com apenas seis anos, ingressou no Ballet Lizt Alfonso Dance Cuba, em Havana. De que forma esta vivência, numa idade tão prematura, influenciou a sua paixão pela dança?

Entrei muito pequenina para o Ballet Lizt Alfonso de facto. Lembro-me de ficar babada a olhar para as professoras que faziam parte da companhia: para mim eram perfeitas, lindas e dançavam muitíssimo bem. Foram uma inspiração enorme, aprendi a técnica do ballet, sevilhanas, flamenco e a tocar castanholas. Lembro-me dessa parte da minha vida muito bem e com muito orgulho! Ainda bem que os meus pais se aperceberam da minha paixão e sempre me apoiaram e incentivaram a continuar.

A minha saída do Ballet aos 14 anos deveu-se a ter sido aprovada nos exames teóricos e práticos para entrar na Escola de Instrutores de Arte de La Habana. Foi uma escolha difícil: queria formar-me, também, como professora e não só como bailarina. Na escola de artes aprendi outras técnicas e teorias de dança: folclore cubano, afrocubano, congo, franco haitiano, danças europeias, técnicas da dança, montagem cénica, história da dança, música, teatro e artes plásticas. Durante o segundo ano de estudos, criei o Grupo Raices, com crianças desfavorecidas da comunidade. Cheguei a ter 135 alunos e a percorrer a ilha com eles a fazer espectáculos. Aos 18 anos, concluí o quarto ano da escola com a nota máxima.

Mais tarde, já em Portugal, assumiu funções como directora na Academia Sulydance. Fale-nos um pouco deste percurso, desde a Universidade de Havana até aos dias de hoje.

Depois de me formar na escola de artes, quis experimentar outras áreas, pois toda a minha vida tinha sido a dança. Continuei com o grupo Raices e entrei na faculdade de comunicação social. No quarto ano do curso, tive a oportunidade de vir para Portugal, mas não fiquei por muito tempo pois fui para Espanha para fazer um curso de flamenco na prestigiada escola de Madrid “Escuela de danza Pilar Beltrán”. Foi muito bom porque reafirmei os meus conhecimentos de flamenco.

Quando regressei a Portugal, decidi começar a dar aulas no Pavilhão Gimnodesportivo de Tires, onde trabalhei durante 7 anos com a minha escola de dança Suly Barrera. Passados estes anos, pela afluência de alunos, tive que me decidir a abrir um espaço próprio com mais condições e mais horas disponíveis e foi aí que surgiu a Academia Sulydance. Este espaço encontra-se aberto há 2 anos e conta já com 254 alunos.

Como está a correr o projeto da Sulydance?

O projecto da Academia está a correr muito bem, não só pelo número de alunos que temos, mas também pela paixão pela dança que temos conseguido transmitir-lhes. A nossa equipa é muito unida: não somos colegas de trabalho, somos amigos. É uma relação muito linda. Temos realizado diversos espectáculos, em palcos como o Auditório dos Maristas de Carcavelos, o Salão Preto e Prata do Casino de Estoril, o Auditório Ruy de Carvalho em Carnaxide entre outros.

A renovação da academia é o resultado da aposta num crescimento sustentado?

Sim, pela quantidade de alunos sentimo-nos na obrigação de melhorar e criar-lhes maior conforto. No nosso caso, muitos deles sentem a Academia quase como a sua casa e nós temos sempre que estar nas melhores condições para os receber. A nossa ideia é abrir mais espaços como o que temos actualmente.

Para além das danças típicas latinas, que outras danças podemos encontrar na Sulydance?

Na Academia podem encontrar aulas de Danças Latinas, Sevilhanas, Flamenco, Técnica de Castanholas, Hip-Hop, Ballet, Contemporâneo, Teatro e Canto.

Como surgiu a ideia de ter um canal de TV?

O canal de TV é uma boa opção que as empresas de telecomunicação oferecem. Acho que há falta de conhecimento por parte das pessoas de esta fantástica opção. Achámos interessante porque o público em casa pode ter acesso a mais informações, vídeos e fotografias da nossa Academia. É uma excelente forma de fazer marketing. As pessoas chegam à Academia e podem conferir todo o nosso trabalho através de imagens. Uma imagem diz mais que mil palavras!

Por falar em televisão, a Sulydance conta com algumas experiências nesta área, das quais se destaca a presença no programa Portugal Got Talent. De que forma este tipo participações contribuem para a visibilidade da academia?

Recebemos por parte da Freemantle Media um convite para participar no talent show. Fomos contactados via Facebook por uma das produtoras e aceitámos o convite sem hesitar. Foram seleccionadas 9 alunas da Academia e fizemos uma coreografia de Flamenco fusão muito interessante, porque não era o flamenco e sevilhanas que os portugueses estão habituados a ver, com cante hondo e vestidos às bolinhas. É disso que se trata: de fazer coisas diferentes, mesmo que no início não sejam bem aceites, é o risco de ser artista. Foi uma fase cansativa, tanto para as bailarinas, como para mim, que fiz a coreografia, muitos ensaios e no dia do casting muitas horas (12h) com crianças dos 9 aos 15 anos. Foi muito duro, mas foi uma experiência sensacional que nos deixou a todos com os nervos a flor da pele.

Recentemente, a Academia Sulydance organizou, em parceria com a Junta de Freguesia de São Domingos de Rana, o II Festival de Dança de São Domingos de Rana, num evento que juntou 22 escolas de dança. Como correu esta iniciativa?

O Festival de dança de São Domingos de Rana é um projecto meu que a Junta de Freguesia acolheu sem qualquer reserva. No primeiro ano participaram mais de 15 escolas, academias de dança e grupos independentes; no segundo já foram à volta de 22. É um evento unificador de todos os que amam a dança. É competitivo mas com muita união e amizade entre todos os concorrentes. Neste dia, os candidatos podem interagir com outras pessoas que têm os mesmos interesses. Este ano foi fenomenal: tivemos mais de 350 candidatos e foi muito motivador ver a união de todos na gala de entrega de prémios. Fomos uma grande família. Foi lindo!!

No final do mês, a Sulydance vai marcar presença no Mercado da América Latina, em Cascais. Quais as expetativas em relação a este evento e o que podemos esperar da vossa atuação?

A nossa espectativa é ter um público muiiiiitoooo grande. É muito bom poder mostrar o nosso talento e a nossa arte a muitas pessoas. Apresentaremos um espetáculo de sevilhanas, flamenco, latinas, contemporâneo e ballet sempre muito variado, como o nosso público está habituado. Temos a certeza de que este evento será muito bom para interagir com amigos latino-americanos que vivem em Portugal e podem ter a certeza que assistirão a um espectáculo bastante variado, feito 99,9% por crianças extremamente profissionais. De certeza que vão gostar!