Guinga: “Que a música me acompanhe até o fim”

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Perdeu-se um bom dentista, ganhou-se um extraordinário compositor, violinista e intérprete. No ano em que comemora 50 anos de carreira, Carlos Sousa (mais conhecido como Guinga) visita a Casa da América Latina para recordar o Projeto Mar Afora, na companhia de Maria João.

A Casa da América Latina quer começar por agradecer “a um cara que só aparece a cada cem anos” por nos conceder esta entrevista. Ainda se lembra de quem o descreveu assim?

Hermeto Pascoal. Gênio, meu ídolo e meu amigo.

Estreou-se em Portugal em 2010, no CCB, e oito anos depois regressa com Mar Afora, um projeto no qual partilha o palco com a portuguesa Maria João. Alguma vez imaginou que atuaria junto desta, depois de vários anos a trocarem figurinhas à distância?

Não, para mim foi uma grande surpresa e uma honra absoluta.

Por falar na Maria João, há aproximadamente dois anos disse que não se considera um génio mas graças a deus reconhece a genialidade. Reconhece nela essa genialidade?

Nela e em vários artistas portugueses. Portugal é uma escola de geniais artistas e em todos os caminhos da arte. O Brasil é orgulhoso de sua mãe.

Mar Afora é uma alusão à vontade de um menino nascido no bairro de Madureira em atravessar o Atlântico e dar a conhecer o seu talento?

Mar Afora é o que os portugueses ensinaram ao mundo. Deixar o pensamento voar e utilizar-se dos oceanos.

Quais as expetativas em relação ao concerto na Casa da América Latina e qual o papel que acha que esta pode desempenhar na relação cultural entre Brasil e Portugal?

O próprio nome já tem este significado fazendo esta ponte, e o que me dá um orgulho imenso em pisar neste palco.

Numa entrevista, assumiu que o ofício de cantor nunca o atraiu e que tentava cantar porque “os compositores intérpretes sempre foram mais valorizados no mercado”. Atualmente, e a celebrar 50 anos de carreira, sente-se mais valorizado?

Mais do que valorizado me sinto reconhecido. Eu busco o reconhecimento.

E já se considera um intérprete?

Intérprete eu sempre fui, cantor eu não sei se serei.

Com 15 anos, um professor disse-lhe algo que interpretou como usar “o passado para adivinhar o futuro”. Vou pedir-lhe para fazê-lo e dizer-nos o que espera do que ainda está por vir.

O professor disse “tentar alcançar as estrelas sem tirar o pé do chão”. O que eu espero é viver e enquanto viver que a música me acompanhe até o fim.