José Ignacio Korzeniak: “Sou mais português agora”

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Depois de cinco anos à frente da Embaixada do Uruguai em Portugal, José Ignacio Korzeniak prepara-se para deixar Lisboa. Na hora de despedida, confessou à Casa da América Latina que se sente “mais português”.

O próprio José Ignacio conta que a proximidade a Portugal começou ainda antes de chegar a Lisboa. Tudo começou quando viu o filme “História de Lisboa” (de Wim Wenders) e se apaixonou pelos Madredeus e pela capital portuguesa. Ou quando leu José Saramago, “um dos grandes escritores contemporâneos e que tive o prazer de conhecer”. Além disso, considera que Portugal e Uruguai não são assim tão diferentes: “somos países pequenos e com vizinhos grandes. Estamos ambos a redescobrir a importância do mar para o nosso desenvolvimento. Até o futebol é uma religião nos dois países”, diz entre sorrisos.

Assim, não surpreende que José Ignacio Korzeniak seja um dos maiores apoiantes da integração do Uruguai na CPLP. Para lá das parecenças de carácter, o ex-embaixador socorre-se da história para justificar a entrada do Uruguai como membro observador naquela organização. “Esta adesão reconhece os vínculos que temos com o Brasil e, por outro, o papel de Portugal na história do Uruguai”, diz, antes de esclarecer que o Uruguai “pertenceu ao Império durante cerca de uma década, tempo suficiente para deixar influências visíveis na arquitectura e até na língua, que é ensinada na escola”.

Mas seja qual for o resultado desta candidatura, José Ignacio Korzeniak já considera a sua estadia em Portugal muito frutífera. “Estamos a atravessar vários processos de integração (na UNASUR, por exemplo) e desde que cheguei que olho para a União Europeia como modelo de integração.”, explica. “Podemos ver como é feita [essa integração], que dificuldades surgem, como é que se desenvolve. É uma aprendizagem que precisamos, porque temos a convicção que não há desenvolvimento sem integração, e que nem toda a integração leva ao desenvolvimento”.

Além disso, o ex-embaixador não esconde algum orgulho nos desenvolvimentos comerciais alcançados durante o seu mandato. “Aprofundámos a relação comercial dos dois países de forma notável. Actualmente o comércio bilateral entre os dois países ronda os 90 milhões de dólares e temos em marcha uma série de acordos de cooperação em matérias de defesa, saúde e intercâmbio cultural”, sublinha.

Uma actividade à qual a Casa da América Latina não será alheia: “A Casa da América Latina permite que as Embaixadas da região mostrem as oportunidades de negócios para as empresas portuguesas, seja para exportar, para importar ou para realizar investimentos. ”, diz José Ignacio Korzeniak.

Antes de se despedir, o Embaixador Uruguaio deixou um apelo para que Portugal reclame para si um papel central no panorama comercial mundial. “Poucos países têm um conhecimento e uma ligação tão grandes com a América Latina e os países africanos como Portugal. Poderíamos, por exemplo, fazer acordos tripartidos entre Portugal, Uruguai e Angola e trocar conhecimentos entre várias áreas. De volta ao meu país jamais esquecerei Portugal, Lisboa e os amigos portugueses. E podem contar comigo também para apoiar boas ideias portuguesas no Uruguai. Até sempre.”

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