100 anos com Cortázar, 30 Anos sem Cortázar

Etiquetas: , , , , , , ,
___________________________________________________________________________________

12 de Fevereiro
18h30
Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, em Lisboa

A Casa da América Latina e a Fundação José Saramago assinalam o centenário do nascimento de Julio Cortázar e os 30 anos da sua morte, no âmbito do protocolo de colaboração assinado no final de 2013 pelas duas instituições.

No dia 12 de Fevereiro, dia em que passam 30 anos do seu desaparecimento, terá lugar um espectáculo que junta a leitura de fragmentos do conto O Perseguidor pelo actor José Rui Martins (director da ACERT, a Associação Cultural e Recreativa de Tondela) à interpretação de temas do saxofonista norte-americano Charlie Parker, a quem Cortázar dedicou o livro, pelo quarteto Carlos Martins, composto pelo saxofonista português e por Alexandre Frazão, Mário Delgado e Carlos Barretto.

Em entrevista sobre El Perseguidor, Cortázar contou: “¿Por qué fue Charlie Parker? Primero porque yo acababa de descubrirlo como músico, había ido comprando sus discos, lo escuchaba con un infinito amor, pero nunca lo conocí personalmente. Me perseguía la idea de ese cuento y al principio con la típica deformación profesional, me dije: «Bueno, el personaje tendría que ser un escritor, un escritor es un tipo problemático». Pero no me decidía (…) Y en ese momento murió Charlie Parker. Yo leí en un diario una pequeña biografía suya en la que se daba una serie de detalles que yo no conocía. Por ejemplo, los períodos de locura que había tenido, cómo había estado internado en Estados Unidos, sus problemas de familia, la muerte de su hija, todo eso. Fue una iluminación. Terminé de leer ese artículo y al otro día o ese mismo día, no me acuerdo, empecé a escribir el cuento. Porque de inmediato sentí que el personaje era él; porque su forma de ser, las anécdotas que yo conocía de él, su música, su inocencia, su ignorancia, toda la complejidad del personaje, era lo que yo había estado buscando.”

A programação do Ano Cortázar inclui um número especial da revista Blimunda, uma publicação da Fundação José Saramago, dedicado ao escritor argentino. Estão também previstas uma maratona de leitura de Rayuela, uma sessão com editores, jornalistas e escritores portugueses sobre a obra de Cortázar, um colóquio sobre o autor de A Volta ao Dia em Oitenta Mundos e a visita de especialistas, estudiosos e tradutores a Lisboa.

Todas as iniciativas do Ano Cortázar serão anunciadas no site da Casa da América Latina.

Alexandre Frazão: A sua actividade profissional tem sido predominantemente orientada para o Jazz e para a Música Improvisada. Musico de extrema versatilidade Já colaborou ou colabora com inúmeros artistas do panorama nacional e internacional: Maria João e Mário Laginha, Bernardo Sassetti, Carlos Martins, Laurent Filipe, Rodrigo Gonçalves, Afonso Pais, Perico Sambeat, Von Freeman. Pedro Abrunhosa, Rui Veloso, Ala dos Namorados, Rão Kyao, Júlio Pereira, Tim Tim por Tim Tum. Em 2002 fundou o Trio TGB com Mário Delgado e Sérgio Carolino, daí resultando o disco Tuba Guitarra e Bateria, que contém músicas da sua autoria. Diversas participações em festivais de Jazz nacionais e estrangeiros e ainda concertos em França, Bélgica, Alemanha, Dinamarca, Inglaterra, Áustria, Espanha, Itália, EUA, Brasil, Venezuela, China. Actualmente também faz parte do grupo Led On (hard rock) tributo aos Led Zeppelin. Toca com pratos e baquetas Zildjian e baterias Yamaha.

Carlos Martins: Foi professor na Escola de Jazz do Hot Club de Portugal. Na Fundação Calouste Gulbenkian participou em inúmeros cursos de música contemporânea e improvisada. Trabalhou com a compositora Constança Capddeville no Grupo Colectiva (Teatro e Música). Apresentou-se em vários concertos com a Oficina Musical do Porto, dirigida pelo maestro Álvaro Salazar e com os solistas do Teatro Nacional de São Carlos dirigidos pelo maestro João Paulo Santos. Foi membro fundador do Quinteto de Maria João e do Sexteto de Jazz de Lisboa. Tocou e gravou com músicos portugueses e estrangeiros de renome: Cindy Blackman, Ralph Peterson Jr., Bill Goodwin, John Stubblefield, Don Pullen, etc. Participou em vários concertos, festivais internacionais e clubes de jazz de várias capitais europeias. Gravou o seu primeiro CD em 1995 com a colaboração de Cindy Blackman, Bernardo Sassetti e Carlos Barretto, para a etiqueta alemã ‘Enja’. Em 1998 gravou dois CD’s, um com o compositor cabo-verdiano Vasco Martins e outro com a Orquestra Sons da Lusofonia para a editora Valetim de Carvalho e mais recentemente para a mesma editora o CD ‘Sempre’ com o seu Quinteto. Fundou em 1995 a Orquestra Sons da Lusofonia, projecto inovador a nível nacional e internacional da qual é director artístico. É um dos quatro compositores do projecto ‘Quadrofonia do Tempo’, recentemente criado. Apresenta-se actualmente com o seu Quarteto, o seu Quinteto, com a Orquestra Sons da Lusofonia e as Viagens do Fado. Toca saxofone tenor e soprano.

Mário Delgado: Dedicou-se ao estudo da guitarra clássica, estudando com José Peixoto e Piñero Nagy na Academia de Amadores de Música de Lisboa. Paralelamente integrou vários projectos e grupos com David Gausden, Carlos Martins, Maria João, Nana Sousa Dias, e foi convidado regularmente para tocar com músicos estrangeiros que se deslocavam ao nosso país. Tem trabalhado com vários nomes da música popular portuguesa como: Jorge Palma, Anamar, José Mário Branco, Mafalda Veiga, Janita Salomé, Lua Extravagante, entre outros. Participou em 1989 no 2-o Festival de Jazz na Cidade (Lisboa), e em 1990 na Bienal de Marselha dos jovens artistas mediterrânicos com o grupo Zê-de-Zastre. Em Maio de 1990 compôs e executou juntamente com o músico José Peixoto e o fotógrafo José Fabião um espectáculo multimédia encomendado pela Câmara Municipal de Almada, incluído na Semana da Juventude daquele Concelho. Desde 1991 tem trabalhado regularmente com o seu Trio que se baseia no reportório clássico e contemporâneo de Jazz bem como nos seus próprios originais. Em 1992 cria um novo Trio de música instrumental com o guitarrista José Peixoto e o percussionista José Salgueiro com o qual participou entre outros eventos no ciclo ‘Música Improvisada no Terraço do Palácio Fronteira’, no’I Encontro Nacional de Guitarras’ no Palácio Galveias ambos em 1992 e no ciclo ‘Concerto de Guitarras II’ produzido por Simbiosis e ‘A indeterminação na Música do Renascimento ao Séc. XX’ incluído nas festas da Cidade de Lisboa ambos em 1993. Com este grupo gravou o CD ‘TAIFA’ em Março 93. Em Maio de 93 interpreta em espectáculos da Companhia de Dança de Almada a banda sonora do bailado ‘Vozes Caladas’ da coreógrafa Amélia Bentes com música de José Peixoto. Em 94 gravou e fez os arranjos para o disco ‘Raiano’ de Janita Salomé. Fez vários concertos com a Orquestra Som do Mundo e com o saxofonista Carlos Martins. Desde 1990 mantém ainda, uma actividade pedagógica ligada à Escola de Jazz do Hot Clube de Portugal e aos seus Cursos Itinerantes, onde tem a seu cargo as disciplinas de Guitarra, Harmonia e Classe de Combo.

Carlos Barretto: No início dos anos 70, por iniciativa de Luís Villas-Boas, tiveram lugar os primeiros festivais de Jazz (Cascais) de que há memória em Portugal. Frequentou a primeira escola de Jazz do país (a do Hot Club de Portugal) e fez as primeiras experiências amadoras, com músicos locais. Estudou, mais tarde, com o mestre Ludwig Streischer, na Academia Superior de Música de Viena (Áustria). Em 1984, reflexo do frustrante panorama cultural e artístico que então se vivia em Portugal, Carlos Barretto estabelece residência em Paris, apostado em fazer da música improvisada a sua filosofia de vida e carreira profissional. Em 1990, gravou um CD ao vivo com Mal Waldron, na Bélgica, seguindo-se uma série de concertos em Amsterdão, Roterdão, Metz, Le Havre, Nantes e Paris. Participou igualmente em emissões de rádio com destaque para as da Radio-France (concertos transmitidos em directo ou diferido) com Mal Waldron, Richard Raux, François Chassagnite, Jeff Sicard, e para a France-Inter com Lee Konitz, Carlos Barretto Quartet. Quanto à televisão, assinala a sua presença na TV-M6 com Horace Parlan, Tony Scott e John Betsch. Ainda durante a sua estadia em França, teve ocasião de tocar em diversas formações noutros países, como Suíça, Holanda, Alemanha, Bélgica, Espanha, Andorra, Itália, Hungria, Áustria. De regresso a Portugal, em 1993, foi convidado a leccionar na Escola de Jazz do Hot Club de Portugal. Integrou formações nacionais actuando em concertos e festivais em todo o país, com destaque para o Festival Europeu do Porto, Fundação de Serralves, Centro Cultural de Belém, Encontros de Jazz em Évora, Jazz em Lisboa, Festival de Jazz de Guimarães, inúmeros concertos no Hot Club de Portugal, onde se destacam as prestações com Lee Konitz, John Stubblefield, George Cables, Lynne Arrialee, Cindy Blackman e com a sua própria formação (Carlos Barretto Quintet), que incluía Perico Sambeat, François Théberge, Bernardo Sassetti e Mário Barreiros. Com esta formação gravou o seu primeiro CD como líder – ‘Impressões’(para a editora Movieplay), tendo efectuado concertos em Portugal, Espanha, França e Suiça, sempre com rasgados elogios por parte da crítica especializada. Em 1994 volta a trabalhar com o ‘George Cables Trio’, gravando o CD ‘Alone Together’ (Groove – Movieplay). Com o seu quinteto, ou como convidado de outras formações, Carlos Barretto esteve presente em Espanha, Angola, Cabo-Verde, Argentina e Marrocos. 1996 – Reformula o seu quinteto (desta vez com Bob Sands, Perico Sambeat, Albert Bover, e Philippe Soirat) e grava ‘Going Up’ (Challenge – Dargil.), considerado o melhor CD do ano (1996) em Portugal e distinguido com o Prémio Villas Boas da Câmara Municipal de Cascais. Nova Tournée e presença nos festivais internacionais do Porto, Acarte (Lisboa), Seixal, Loulé, Guarda, Madrid e Barcelona. Nesse mesmo ano grava ‘Passagem’ de Carlos Martins (Enja – com Cindy Backman e Bernardo Sassetti). 1997 – Ano de grande actividade para Carlos Barretto, em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente em Espanha, França e Inglaterra, países onde foi convidado a acompanhar grandes nomes do Jazz como Art Farmer, Brad Mehldau, Kirk Lightsey, Don Moye, Gary Bartz e Joe Chambers. Forma um novo grupo com José Salgueiro e Mário Delgado – Suite da Terra – a fim de experimentar sonoridades diferentes. Em Dezembro de 97 faz alguns concertos em Espanha e grava ‘Jumpstart’ (Fresh Sound) com o Quarteto de Bob Sands. 1998 – O ‘Trio de Carlos Barretto’ grava ‘Suite da Terra’ (BAB – Dargil) com a intenção de experimentar a fusão entre as melodias e ritmos de raiz tradicional portuguesa com a música improvisada, alguns elementos do rock, e também sabores africanos ou orientais. Carlos Barretto compôs ‘Os seis sentidos’, coreografados por Ana Rita Barata e Peter Michael Dietz para o Festival dos 100 Dias (Expo 98), integrado no espectáculo ‘Quadrofonia do Tempo’ – com Bernardo Sassetti, Carlos Martins e Laurent Filipe. Em Maio, lançamento do CD ‘Suite da Terra’ e consequente tournée pelo país, várias passagens na Expo 98 e viagem até Macau para uma série de concertos. 1999 – Com Bernardo Sassetti, Mário Barreiros e Perico Sambeat, o Quarteto Carlos Barretto edita o CD ‘Olhar’ (Up Beat), considerado um dos melhores CD’s do ano e apresentado ao vivo em vários espectáculos por todo o País. 2000 – Grava ‘Silêncios’, segundo trabalho discográfico do seu trio com Mário Delgado e José Salgueiro (Foco Musical). Com o Quarteto actua por todo o País, incluindo Açores, e Espanha. Integra o programa de concertos Unifonia em digressão pelas universidades portuguesas. Estreia o seu projecto «Solo Pictórico», com música e pintura da sua autoria apresentando-se em vários espectáculos. Desenvolve um projecto pedagógico direccionado para a descoberta de novos instrumentistas nos Workshops de que dirige, criando obras originais para ensembles de Contrabaixo.