Martha Barros expõe ‘Silêncio e Alvoroço’

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7 a 20 de Novembro
Galeria das Salgadeiras
Rua das Salgadeiras, 24, Lisboa
Quarta a sexta-feira das 17h00 às 21h00; sábado das 16h00 às 21h00

12 de Novembro a 20 de Dezembro
Casa da América Latina
Avenida 24 de Julho, 118-B, Lisboa
Segunda a sexta-feira das 9h30 às 13h00 e das 14h00 às 18h30

A Casa da América Latina e a Galeria das Salgadeiras expõem, pela primeira vez em Lisboa, obras inéditas da pintora brasileira Martha Barros. A exposição Silêncio e Alvoroço é composta por 23 obras, das quais as que remetem para o Silêncio serão expostas na Galeria das Salgadeiras e as de Alvoroço na Casa da América Latina.

A exposição conta com o apoio da Embaixada do Brasil em Portugal, da Athenas Seguros, da Vila Galé Hotéis e dos vinhos Bacalhôa, e é uma organização da Casa da América Latina e da Galeria das Salgadeiras.

Consulte o catálogo da exposição.
Leia a entrevista da CAL a Martha Barros.

Carioca, com raízes em Campo Grande (Mato Grosso do Sul, Brasil), Martha Barros nasceu em 1951. É formada em Biblioteconomia e em Artes Visuais pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Participou em diversas exposições individuais e colectivas no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Goiânia e Mato Grosso do Sul, tendo também ilustrado capas de livros e discos.

Martha Barros participou em inúmeras exposições individuais e coletivas no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Goiânia e Mato Grosso do Sul, além de ter ilustrado capas de livros e discos. É filha do poeta Manoel de Barros, vencedor do Prémio de Literatura CAL/Banif 2012, de quem herdou o lirismo e o gosto pelas coisas simples da vida.

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Segundo a jornalista brasileira Monica Cotta, a obra de Martha Barros “é influenciada pelo mundo dos homens, dos animais e das plantas, em comunhão com a natureza. A sua linguagem, artesanalmente construída, busca a simplicidade. São imagens ignorantes do mundo moderno e das suas tecnologias mas, ao mesmo tempo, totalmente carregadas da inocência, que é exactamente onde o ser busca as suas raízes. […] Martha utiliza, também, texturas e materiais diversos, desde o papel ao tecido. O resultado é um trabalho espontâneo de cores e grafismos, directo e singelo”.

Excerto do texto Para dançar em silêncio, da poeta e jornalista Bianca Ramoneda: “O pai de Martha Barros – o poeta Manoel de Barros – escreveu: “imagens são palavras que nos faltaram” […]. Eu, particularmente, depois de olhar as pinturas da Martha e passar um tempo em silêncio com elas, sinto vontade de dançar. De celebrar. De cair na folia. De ser um desses seres que pulam, rolam, se embolam, rodopiam, esticam, encolhem e partem em revoada pelos ares, mares e terras longínquas da tela […]. Esse é o mundo da artista desde que a conheci. Um mundo de silêncio e festa. Um mundo onde as imagens não competem com as palavras. Um mundo lúdico onde a brincadeira se impõe para desorganizar o que tentamos ordenar. E depois – ou antes – da bagunça boa, novamente o silêncio que renova, recarrega e alimenta. A natureza tão exuberante quanto bruta com a qual Martha convive desde que nasceu está presente nas suas composições. Está presente também o convívio com a arte da construção poética, do escrever e apagar, da busca pela síntese perfeita. Tudo isso está nas telas e também a experiência de uma vida, com as suas alegrias, dissabores e a sabedoria de escolher as tintas com as quais iremos pintá-la. Uma obra aberta para infâncias de todas as idades”.

Poema Sobre a pintura de Martha Barros, de Manoel de Barros:

“A linguagem dessa pintora e metafórica. Ela faz
metáfora de pássaros, de peixes, de conchas, de
sapos. E muitas descoisas. Imagens trazidas por
rastros de suas memorias afetivas. Martha trabalha
com técnica de acrílico sobre telas, e sobre tecidos
em trapo, pedaços de sacos de aniagem, restos de
feltro de chapéus velhos e outras superfícies que
busca nos porões. Usa cores que me fazem
lembrar dos índios Terenos. Eles faziam metáfora
também de suas cores. Vermelho era sangue de
arara; verde, sangue de folha; amarelo, sangue do
sol; e azul, sangue do céu. A linguagem desta
pintora tem um estilo rigorosamente pessoal.
Martha não copia a natureza, ela desfigura os
seres e as coisas. Martha faz descoisas com
encantamento de poeta”