O Fórum Mulheres Mercosul–União Europeia percorreu três cidades estratégicas para fortalecer o protagonismo feminino nos negócios e na diplomacia internacional. A proposta foi criar pontes entre o Mercosul, a União Europeia e os países de língua portuguesa, colocando as mulheres no centro das decisões globais.
LISBOA – CONEXÃO EUROPEIA
Em Lisboa, pela primeira vez, um Fórum abriu o diálogo direto com a União Europeia, ampliando oportunidades de cooperação económica, inovação e liderança feminina. O encontro reforçou o papel estratégico de Portugal como elo entre a Europa, a América Latina e a África lusófona e tentou criar mecanismos para ações concretas que realmente sejam inclusivas e que promovam igualdade substantiva, e não apenas formal. Na capital portuguesa, o Fórum teve a sua abertura oficial no dia 27 de outubro passado, na Casa Brasil, sede da APEX em Portugal, com as presenças de embaixadas, câmaras de comércio e do cenário institucional dos dois blocos. E no dia 28 de outubro, a Casa da América Latina abriu as suas portas para receber cerca de 90 participantes, vindos de vários países europeus, entre líderes empresariais, diplomatas e empreendedoras.
Com três painéis: A Inclusão de Género no Acordo Mercosul-UE: Por que é fundamental?, “Mulheres no Comércio Internacional: Como o Acordo Mercosul-UE Pode Impulsionar Negócios Liderados por Mulheres?” e “Mulheres na Formulação de Políticas Comerciais e Institucionais: Como Garantir Voz e Representação“, o Fórum destacou que a igualdade de género no comércio internacional não é automática — é resultado de escolhas políticas, desenho institucional e compromisso contínuo. O Acordo Mercosul–União Europeia pode tornar-se, ou não, num exemplo global de comércio com justiça social, num instrumento de valorização económica das mulheres, num modelo de cooperação baseado em desenvolvimento sustentável e inclusivo.
A abertura do evento foi da responsabilidade do Embaixador Alessandro Candeas, Cônsul do Brasil em Lisboa e de Paulo Matheus, Coordenador da Apex Brasil em Portugal, apresentando-se a estratégia brasileira de apoio ao empreendedorismo feminino desenvolvida em Portugal. O evento foi conduzido pela Editora-Chefe do DN Brasil, Amanda Lima e coordenado pela jornalista, Ariane Paiva.
Rijarda Aristóteles, Presidente do Clube Mulheres de Negócios em Língua Portuguesa (CMNLP) e idealizadora do evento, ressaltou a importância da união entre todos para um desenvolvimento económico com equidade de género. “A ambição deste Fórum é que o Acordo vá além do comércio tradicional e atue como instrumento de correção de desigualdades estruturais, que possa ser um instrumentos de acesso igualitário aos mercados, criando-se mecanismos de monitorização, alinhados com as convenções da OIT (igual remuneração, trabalho digno, não discriminação)” destacou.
Joana Valente, diretora de Relações Internacionais da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), reafirmou que a CIP apoia fortemente o Acordo UE-Mercosul, vendo-o como uma oportunidade crucial para as empresas portuguesas, especialmente PMEs, com a redução de barreiras e acesso a novos mercados. Porém, alertou para que a inclusão de outras temáticas no acordo, que não sejam meramente comerciais, possam adiar ainda mais a conclusão das negociações e a operacionalização do Acordo e “isso sim pode impedir que homens e mulheres, empresários portugueses, de aceder com maior facilidade a um mercado de mais de 700 milhões de consumidores, conferindo-lhes uma vantagem comercial, numa região afetada por tarifas elevadas e barreiras comerciais significativas”.
Cristina Valério, representante da Casa da América Latina e Teresa Damásio, Administradora do Grupo Ensinus, referiram outros instrumentos que contrariam, numa primeira fase, a perpetuação das desigualdades, ou seja, a introdução de um sistema de quotas e a necessidade da avaliação desse impacto na igualdade de género, tanto nas empresas privadas, como na administração publica, ou governos nacionais e locais e em diferentes níveis de liderança. “Trata-se de uma abordagem polémica, mas que se mantém necessária. Tanto na UE, como nos países do Mercosul e outras regiões do Globo, como África” destacou Teresa Damásio.
Maria de Fátima Antunes Rodrigues – Presidente do Conselho Fiscal da Câmara do Comércio Portugal Atlântico Sul, destacou a necessidade de se estabelecerem instrumentos de governação e monitorização, como um Observatório Mercosul–UE de Comércio e Género, “pois só através da avaliação de dados científicos, se poderá medir a atuação das empresas europeias e do Mercosul sobre condições de trabalho, remuneração justa, proteção social,
ao longo de toda a cadeia produtiva, responsabilizando-as. Pretende-se assim evitar a exportação da desigualdade para países com menor proteção laboral” .
BRASÍLIA – DIPLOMACIA E SIMBOLISMO
A 27 de novembro, na Confederação Nacional da Indústria – CNI, em Brasília, capital política do Brasil, o Fórum ganhou um significado especial com a presença da sua alteza Real Rainha Diambi Kabatusuila, referência internacional em diplomacia cultural, ancestralidade e liderança feminina, e também coroada Rainha Mãe do Povo Bantu do Brasil desde 2019. Um momento que uniu tradição, representatividade e futuro. O evento contou ainda com as presenças da representante da União Europeia no Brasil, Dorota Ostrowska-Cobas, da Diretora do Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Margarete Coelho e da Presidente Mónica Monteiro, do Fórum Industrial da Mulher Empresária CNI, do Presidente do Centre Euro-África, Divaika Dina. E da presidente do Clube MNLP Rijarda Aristóteles. O evento aconteceu em 27 de novembro.
FORTALEZA – DESENVOLVIMENTO REGIONAL
Já em Fortaleza, o foco foi o desenvolvimento regional e a inclusão das mulheres empreendedoras fora dos grandes centros económicos. O Nordeste brasileiro entrou definitivamente na rota dos debates internacionais sobre negócios, sustentabilidade e inovação liderados por mulheres. O evento contou com a representatividade da diretoria do Sebrae, co-organizador do evento, da Federação da Indústria e Comércio do Ceará, Fátima Bandeira, Secretária da Mulheres, Presidente do ILECE, Anya Ribeiro, diretora de Turismo da Câmara do Comércio e da Indústria de Portugal e presidente da Associação Brasileira do Turismo Rural, Marta Campelo, presidente do IDESE. O evento contou com várias empresárias e embaixadoras do Clube MNLP, de vários estados brasileiros, como Sophia Martins, de São Paulo, e Aline Badra, Cristiane Lepiane e Danubia Helmich de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
A junção de todos os contributos, proferidos nos eventos realizados, produziu uma carta de recomendações a enviar às entidades competentes.
O Fórum Mulheres Mercosul-UE segue neste ano de 2026 a sua trajetória de integração em eventos relacionados com as oportunidades que a ratificação do Acordo UE-Mercosul possa trazer, aos empresários e empresárias dos países envolvidos, dando visibilidade às lideranças femininas em negócios, que se querem cada vez mais inovadores, sustentáveis e equitativos.
Publicado: Janeiro, 2026.
















