“Abrir uma porta, não é atravessá-la” afirmou Francisco Catalão, CFO da AICEP, na abertura do Encontro promovido pela Academia da AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal intitulado “Acordo UE–Mercosul: o que muda para as empresas portuguesas”, realizado no passado dia 11 de março. Francisco Catalão, alertou as empresas portuguesas, incentivando-as a prepararem-se desde já, para um Acordo que será aplicado, provisoriamente, a partir do dia 1 de maio.
Em momentos de incerteza como o que atravessa neste momento, a AICEP realizou um estudo estratégico sobre os impactos do Acordo de Parceria UE‑Mercosul para as empresas portuguesas, com dados e análises que ajudam a quantificar as oportunidades e desafios.
O acesso mais facilitado a mercados como Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com mais de 700 milhões consumidores, criar uma das maiores zonas de comércio do mundo e a redução de taxas de 91% dos produtos, oriundos da União Europeia, são algumas das mudanças assinaladas pelo estudo. Portugal e o Mercosul têm já uma relação comercial próxima, com um comércio total equivalente a 8,5 mil milhões de euros (bens em 2024 e serviços em 2023). Ao eliminar tarifas em 91% de todos os produtos, praticamente todas as exportações portuguesas serão beneficiadas. Por exemplo, as atuais tarifas de 20% aplicadas ao nível das máquinas e aparelhos elétricos serão eliminadas de forma faseada para a maioria dos produtos e por isso os 104 milhões de euros exportados em 2024 por este setor têm espaço para crescer.
Essa redução progressiva de taxas aduaneiras, menos barreiras burocráticas, processos comerciais simplificados, mais previsibilidade regulatória regras mais claras e estáveis, permitem escalar exportações, entrar em cadeias industriais transatlânticas, aumentar exportações de bens com maior valor tecnológico e atrair investimento, criando novas parcerias empresariais.
Máquinas e equipamentos, componentes para material de transporte, farmacêutico, metalomecânica e materiais de construção são alguns dos setores que mais poderão beneficiar do acordo, indústria têxtil, vinhos e agroalimentar, além de acesso a concursos públicos nesses países, com mais transparência e menos discriminação, também são vantagens a ter em conta.
Então o que representa este Acordo para as PMEs portuguesas? A AICEP destaca que 95 % dos exportadores portugueses são pequenas e médias empresas, muitas das quais enfrentam dificuldades com custos aduaneiros e burocracia fora da UE. A redução de tarifas e simplificação de processos, a facilitação da obtenção de origem, podem ser determinantes para que estas PME ganhem escala em mercados do Mercosul, “mas o Acordo não traz só vantagens, também exige adaptação. regras de origem mais rigorosas, novos requisitos de certificação, maior exigência de compliance aduaneiro”. “E para alguns, a concorrência em setores mais protegidos aumenta, abrindo espaço para exportadores competitivos2, salientou José Rijo, professor da Universidade Católica Portuguesa..
Sovena Group, Sogrape, Bacalhôa Vinhos de Portugal e marcas regionais (ex.: Conde D’Ervideira) já exportam para diferentes países do Mercosul e podem ver uma maior facilidade de acesso e preços mais competitivos com o novo acordo, estimulando estratégias de internacionalização ainda mais ambiciosas.
Concluindo, o acordo é uma grande oportunidade, mas só as empresas que se preparam para competir globalmente, o podem verdadeiramente aproveitar.
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Crédito fotografia: AICEP
Publicado: Abril, 2026.
