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A 9 de novembro, a quarta cimeira UE-CELAC reuniu, em Santa Marta, na Colômbia, a União Europeia e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC). A cimeira foi copresidida pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, e pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, no seu atual papel de presidente interino da CELAC.

Aproveitando esta dinâmica, a Casa da América Latina e o Clube de Lisboa promoveram no dia 28 de novembro, a 4ª edição de Lisbon Talks – América Latina, subordinada ao tema: IV CIMEIRA CELAC-UE: a relação Europa-América Latina, face às mutações da ordem Mundial.

Tratou-se de um evento aberto a público especializado, seguindo a regra de Chatham House, que contou com as intervenções iniciais do Embaixador da Colômbia, Germán Federico Grisales Jiménez e da Embaixadora Sofia Moreira de Sousa, Representante da Comissão Europeia em Portugal desde 2021. Segue um breve resumo dos principais aspetos focados e debatidos.

“O atual mundo multipolar exige uma resposta multilateral aos numerosos desafios que enfrentamos. A cimeira UE-CELAC em Santa Marta demonstrou o valor do diálogo e permitiu-nos reforçar ainda mais os nossos laços naturais, crescer em conjunto e protegermo-nos mutuamente” – partindo destas declarações do Presidente António Costa, a avaliação positiva dos resultados só depende do foco que se lhe quererá colocar. Foco nas ausências? ou foco nas presenças e no trabalho realizado? Na sessão, a segunda opção foi a mais consensual.

Partindo de um contexto geopolítico de profundas crises, a reativação do diálogo bi-regional, é por si só um motivo importante de celebração. Porém as respostas não são fáceis, uma declaração de consenso, não é de unanimidade, há ainda muito a fazer para aproximar um lado e o outro do Atlântico, na construção de uma visão conjunta – como referido, “quando as pernas se cansam, seguimos com o coração”.

Foi ressaltada a relação entre os países da UE e CELAC, como um conjunto de parceiros indispensáveis, facto demonstrado por mais de 30 visitas ao mais alto nível, numa relação bi-regional estruturada, com ações concretas, num comércio bilateral que envolve mais de 416 mil milhões de euros, sendo a UE o maior investidor estrangeiro na região. Neste contexto, foi salientado que a realização de cimeiras é importante, pois implica metas, concede impulso, exige um trabalho preparatório da diplomacia, e não só, nos diferentes países, para não se deixar cair temas mais delicados, para impulsionar outros que precisam de ser energizados.

A diversificação de mercados foi referida, tendo sido salientada a importância desse facto para a UE, que reforçou a estratégia Global Gateway, mobilizando para a região mais de 47 mil milhões de euros em diferentes áreas da economia verde e digital. Exemplo disso na aliança digital é o cabo Ella Link que une Sines a Fortaleza pondo em contacto 65 mil milhões de pessoas nos dois continentes.

Foi relevado que, na cimeira, os dirigentes debateram uma vasta gama de temas, nomeadamente a defesa do multilateralismo, o comércio e o investimento, as transições ecológica e digital, a coesão social, a cooperação nos domínios da segurança dos cidadãos, da justiça e da luta contra a criminalidade organizada transnacional. o combate à desinformação, ou da mobilidade académica, demonstrando que a cooperação entre as duas regiões saiu reforçada desta Cimeira.

Está em jogo uma relação UE- AL não baseada em paternalismos mas sim numa parceria estratégica. O local de realização da Cimeira, Santa Marta, foi um gesto simbólico, local que demonstra a biodiversidade da região e a necessidade de a preservar, invocando a justiça climática.

A conclusão dos tratados comerciais, foi também motivo de debate. Nesse âmbito foi afirmado que se o Acordo Mercosul-UE não for ratificado pelos Estados Membros da UE, após 25 anos de tanto investimento, será um fracasso, também desta Cimeira. A banca multilateral, o CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Europeu de Investimento são parceiros fundamentais, sobretudo no que toca à otimização das cadeias de valor na região e devem trabalhar mais em conjunto para serem mais eficientes e chegarem a mais projetos.

Foi salientada a promoção do diálogo transnacional e transregional – que também foi um dos desideratos da Cimeira. Cumprindo, naturalmente, as regras internacionais, a UE e a CELAC têm de ser capazes de falar com todos os parceiros, da Índia ao México, passando pela China, aproveitando a pressão da dimensão para melhor negociar. Somos mais e somos mais fortes em conjunto. Como alguém referiu, “não podemos falar só ao espelho!”

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Publicado: Dezembro, 2025.