Depois do sucesso da participação de
Portugal como país convidado na Feira Internacional do Livro de Guadalajara de
2018, concebida, estruturada e organizada pela Dr.ª Manuela Júdice, na sua
qualidade de Comissária Nacional, foi consensual a necessidade, em termos
estratégicos para a promoção da cultura e da literatura portuguesas na América
Latina, que o nosso país continuasse a estar presente nesta Feira do Livro em
2019, que teria lugar entre 30 de Novembro e 8 de Dezembro.
Por isso, logo que, ainda em Dezembro
de 2018, se percebeu que era intenção do Governo, através da Ministra da
Cultura, do Ministro dos Negócios Estrangeiros, do Ministro adjunto e da
Economia e do Secretário de Estado da Internacionalização, dar continuidade em
2019 à presença de Portugal nesta Feira, no âmbito da Ação Cultural Externa, os
diversos serviços públicos, necessários para este tipo de intervenções,
envolveram-se com entusiasmo e empenho nesta iniciativa.
Nesse sentido, constituiu-se um Grupo
de Trabalho, com membros dos Gabinetes ministeriais acima referidos e
representantes da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e Bibliotecas (DGLAB),
do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, IP, da Agência para o
Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), do Turismo de Portugal,
IP, a que se juntou mais tarde a Imprensa Nacional/Casa da Moeda (INCM).
Este Grupo de Trabalho projetou então
que esta presença portuguesa na FIL de Guadalajara de 2019 seria composta por
um stand, onde ocorreriam sessões com autores, e que integraria uma livraria
com obras de autores nacionais, em edições em língua espanhola e portuguesa, e
uma comitiva com dezena e meia de escritores e outros profissionais do livro.
Ficou também acordado que a comitiva teria,
para além das sessões já referidas no stand, uma forte presença no Programa
Oficial da FIL, aproveitando os efeitos promocionais conseguidos por esse
Programa. Ficou também acertado que essa comitiva seria representativa das
novas gerações de autores, com uma significativa componente do sexo feminino, e
que integraria escritores e ilustradores já traduzidos e editados no México ou
na América Latina, e outros que ainda não tivessem sido traduzidos.
No seguimento de várias negociações e de algumas desistências, por razões de agenda ou de saúde, a comitiva ficou então “fechada” com onze convidados: cinco narradores (Afonso Cruz, Alexandra Lucas Coelho, David Machado, Ondjaki e Patrícia Portela), quatro poetas (Cláudia R. Sampaio, Luis Quintais, Raquel Nobre Guerra e Vasco Gato) e duas ilustradoras (Mariana, a Miserável e Yara Kono).

Estes autores participaram em vinte e
três sessões (sendo destas, nove no stand de Portugal), devendo assinalar-se as
realizadas no Salón de la Poesia, a do “Festival de Letras Europeas”, as sobre
“Literatura en língua portuguesa”, a participação na “Galas de El plácer de la
lectura” e as intervenções das ilustradoras na VIII FILustra e no VI Foro
Internacional de Diseño Editorial. Todas moderadas por investigadores,
tradutores e editores mexicanos e latino-americanos. Por último, efetuou-se
também uma sessão na Universidade de Guadalajara, para estudantes e
professores, moderada pela Prof.ª Ana Rita Sousa, e realizaram-se várias deslocações
a diversas escolas do Estado de Jalisco, no âmbito do programa “Echos de la
FIL”.
O stand de Portugal, projetado pela
agência criativa do Turismo de Portugal, IP (que se “inspirou” na Quinta da
Regaleira), intitulado “La Libreria al Espejo”, foi concebido para ser um espaço
multifuncional, e situava-se na Área Internacional, junto dos stands da
Colômbia, da Costa Rica, do Brasil e da Argentina, e perto da zona de
negociação dos direitos de autor, o que se revelou benéfico, pois muitos dos
presentes nas sessões eram agentes e editores latino-americanos.
A livraria, organizada pela Livraria
Férin/Ler Devagar, em parceria com a Livraria Carlos Fuentes da Univ. de
Guadalajara, tinha à venda quatro mil livros de oitocentos títulos, tanto em
língua portuguesa como espanhola.
Em síntese, esta participação teve um
balanço muito positivo, reconhecido tanto por participantes como por editores e
organizadores, incluindo os mexicanos. De facto, foram efetuados inúmeros
contatos com editores e agentes, “apalavradas” traduções e edições e realizadas
várias entrevistas a órgãos da comunicação social por parte dos autores que
integravam a comitiva. Além disso, as sessões tiveram sempre muito público (as
do stand entre trinta e cem pessoas e as sessões do Programa Oficial entre
cento e cinquenta e trezentas pessoas), bastante entusiasmado e interveniente.
Por fim, conseguiram-se vender mais de dois terços dos livros existentes na
livraria, o que, foi considerado, tanto pelos autores presentes como pelos
livreiros, como um excelente resultado.
Enfim, estamos todos muito confiantes
que se conseguiu cuidar bem da árvore deixada em 2018.
Texto de José Manuel Azevedo Cortês
Subdiretor-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas




