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O 1º Encontro Empresarial de Turismo, Comércio e Investimento entre a República Dominicana e Portugal aconteceu a 19 de janeiro, abrindo um novo capítulo nas relações económicas bilaterais, reunindo empresários, representantes institucionais e autoridades de alto nível no Hotel Tivoli, em Lisboa. O evento, organizado pela Embaixada da República Dominicana em Portugal, em parceria com o Centro de Exportação e Investimento da República Dominicana (ProDominicana) e diversas entidades dominicanas e portuguesas, como a Casa da América Latina, AICEP, AEP, Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, IAPMEI, teve como objetivo criar um espaço estruturado de diálogo empresarial e fortalecer o comércio e o investimento entre os dois países.

Uma plataforma de oportunidades reais

A embaixadora dominicana em Portugal, Patricia Villegas, abriu o encontro destacando a importância da cooperação bilateral e o potencial de crescimento conjunto. “Este evento é uma plataforma de oportunidades reais para que empresários de ambos os países construam alianças estratégicas que gerem valor e desenvolvimento sustentável,” afirmou a Embaixadora, reforçando o papel de Lisboa como “hub de portas abertas ao investimento dominicano na Europa e vice‑versa”.

O vice-ministro para os Assuntos Económicos e Cooperação Internacional do Ministério das Relações Exteriores da República Dominicana (MIREX), Hugo Rivera, destacou a relevância estratégica deste 1º Encontro, como um instrumento de diplomacia económica ativa e orientada para resultados concretos. Na sua intervenção, Hugo Rivera sublinhou que o fortalecimento das relações económicas com Portugal insere-se numa visão mais ampla da política externa dominicana, assente na diversificação de parceiros comerciais, na captação de investimento estrangeiro e na promoção da República Dominicana como uma plataforma segura e competitiva para negócios internacionais. Terminou ainda a sua intervenção num apelo à paz, porque “sem paz não há comércio, não há investimento, não há turismo”.

Perspetivas empresariais e competitividade

A diretora executiva da ProDominicana, Biviana Riveiro, apresentou a República Dominicana como um destino de negócios com vantagens competitivas claras. “A nossa economia oferece um ambiente favorável para o investimento europeu, destacando‑se pela sua localização estratégica, infraestrutura logística e estabilidade legal” afirmou “Espero que as empresas portuguesas aproveitem os incentivos na área de turismo, de resíduos sólidos, de desenvolvimento fronteiriço, nas zonas francas ou na exploração de hidrocarbonetos”. O Produto Interno Bruto (PIB) nominal da República Dominicana foi estimado em aproximadamente 129,75 mil milhões de dólares em 2025. Para 2026, as projeções indicam um valor de 138,34 mil milhões de dólares. A projeção para 2026 é um crescimento do PIB real de 4,5%.

Biviana demonstrou ainda que há novas áreas onde se pretende impulsionar o investimento, como as tecnologias de informação, software, indústria aeronáutica e aeroespacial, setor mineiro, energias renováveis, “nas quais Portugal tem uma ampla experiência”, acrescentou a responsável da dominicana.

ALTICE é a empresa portuguesa que mais exporta para a República Dominicana

João Falardo, gestor de clientes da AICEP, explicou que as empresas portuguesas exportadoras para a República Dominicana atingem um total 219 empresas, numa média anual de cerca de 37,9 milhões de dólares, um volume de negócios ainda residual, mas com elevado potencial de crescimento. Altice está no topo do ranking das empresas exportadoras para aquele país, seguindo-se a 361 Metal, a Artefita – Indústria de Passamanarias, Bial, Casfil – Indústria de Plástico, CIN, Friesen – Indústria de Madeiras, a Grupel – Grupos Electrogéneos, a Sonae Arauco Portugal e The Navigator Company.

A empresária Ana Figueiredo, presidente da ALTICE, destacou a importância de expandir a presença portuguesa no mercado caribenho: “As relações diplomáticas entre Portugal e a República Dominicana remonta a mais de 140 anos, agora é tempo de transformar essa tradição em parcerias modernas e sustentáveis para todos os setores,” declarou.

Acordos comerciais e contexto internacional

“Num momento em que a cooperação multilateral enfrenta grandes desafios, torna-se essencial conhecer e valorizar acordos comerciais estratégicos. O Tratado de Livre Comércio entre Estados Unidos, América Central e República Dominicana – CAFTA-DR e o Acordo de Parceria Económica com a União Europeia asseguram acesso preferencial a mercados internacionais e abrem oportunidades concretas de negócio. A República Dominicana pode funcionar como um hub estratégico para empresas que querem desenhar a sua estratégia para a América Latina, mas também para os Estados Unidos da América,” salientou Alberto Laplaine Guimarães, presidente da Comissão Executiva da Casa da América Latina.

Laplaine Guimarães destacou ainda que “as empresas portuguesas esperam que as dominicanas lhes abram portas na América Latina, e as dominicanas esperam que as portuguesas facilitem o acesso aos mercados europeus. É numa lógica de win-win que as relações se fortalecem e perduram no tempo. Estamos aqui para criar laços de amizade e de negócios que reforcem as economias de ambos os países.”

Networking e próximas atividades

Além dos painéis de debate, o evento promoveu sessões de networking e reuniões B2B, com o objetivo de facilitar relações comerciais diretas entre empresas portuguesas e dominicanas, incluindo representantes de setores como logística, turismo, agroindústria, energia e distribuição comercial.

A organização anunciou ainda que esta primeira edição será seguida de iniciativas contínuas para fomentar parcerias empresariais e explorar novas oportunidades de investimento. “Este encontro é apenas o primeiro. Para o ano será no Porto, entretanto, continuaremos a trabalhar para estabelecer projetos concretos que beneficiem as economias dos dois países,” concluiu a embaixadora Patricia Villegas ao encerrar a sessão.

Galeria de imagens

Fotografias © Fernando Bento (Dupla Imagem)

Publicado: Fevereiro, 2026.