O Jornal Publituris organizou no dia 19 de dezembro, a 3.ª Conferência do Enoturismo, no auditório do ISCTE Executive Education, com o apoio da Casa da América Latina, do Turismo de Portugal e em parceria com a ANCEVE e o ISCTE Executive Education. A conferência promoveu um debate alargado sobre o enoturismo em Portugal e em vários países da América Latina.
Na sessão de abertura, Alberto Laplaine Guimarães, Presidente da Comissão Executiva da Casa da América Latina, reforçou a parceria estabelecida com o Turismo de Portugal e o Jornal Publituris, valorizando o trabalho desenvolvido na divulgação de diferentes conceitos de turismo, nomeadamente, o Enoturismo na América Latina.
José Crespo de Carvalho, Presidente da Comissão Executiva do ISCTE Executive Education, destacou o valor dos ensinamentos do “Novo Mundo” ao “Velho Mundo” também nos setores do vinho e enoturismo e a disponibilidade que devemos ter em aprender uns com os outros.
Nuno Madeira, Gestor do Enoturismo Desportivo do Turismo de Portugal, apresentou as principais conclusões de um inquérito realizado a mais de 500 empresas portuguesas produtoras de vinho, que se enquadram na atividade de enoturismo.
Seguiram-se os painéis em debate: O primeiro, “O Vinho como Destino”, contou com a participação de Paulo Amorim, Presidente da ANCEVE; Bebiana Monteiro, Coordenadora da Pós-graduação em Enoturismo na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Porto; Ana Clara Silva, Diretora de Operações na PipaDouro; e Filipa Taxa Araújo, Marketing & Enotourism Manager na Quinta da Lagoalva.
O segundo painel, dedicado ao “Enoturismo pelo Mundo”, reuniu diplomatas da Argentina, Chile e Uruguai e Lídia Monteiro, Vogal do Conselho Diretivo do Turismo de Portugal.
“O enoturismo do Uruguai tornou-se um destino imperdível, sobretudo a partir de 2000, para aqueles que queiram entender sobre enologia, produção de vinhos e viver esse mundo de forma imersiva. Atualmente, há mais de 50 adegas em todo o país, divididas em sete regiões, onde a produção de vinhos é marcada pela influência marítima e também pelas baixas temperaturas, que dão origem a vinhos únicos. As primeiras sementes chegaram ao Uruguai em 1840 e a casta Tannat é reconhecida como a variedade mais conhecida do país. Mas o desenvolvimento vitivinicultor do país hoje é muito diverso, os mais de 90 tipos de solo do país são responsáveis pelos mais variados rótulos de vinhos e outras tantas experiências”, destacou Adrián Fernández, Encarregado de Negócios da Embaixada do Uruguai.
“A partir dos anos 90 do século passado, o Chile investiu numa estratégica política agrícola, onde o vinho era um produto essencial, pensado para exportação, o que faz do Chile, atualmente, não apenas um dos principais produtores de vinho do mundo, mas também um dos destinos mais relevantes para quem procura enoturismo de elevada qualidade”, referiu Marina Teitelboim, Embaixadora do Chile, na sua intervenção. Em 2025, o ranking The World’s 50 Best Vineyards consagrou a vinícola VIK como a melhor do mundo, um reconhecimento global que destaca o Chile como um dos destinos mais relevantes, para quem procura este produto turístico. Marina adiantou ainda um factor interessante, a aliança entre o Enoturismo e o Astro-turismo, referindo, como exemplo, o deserto de Atacama, onde se consegue ver o céu noturno mais limpo do mundo. Esse tipo observação é ainda praticada do centro ao sul do país, coincidindo com a localização geográfica de muitas adegas premiadas, adiantou.
“Na Argentina há bom vinho em quase todo o país”, esclareceu Federico Alejandro Barttfeld, Embaixador da Argentina. A casta mais conhecida é a Malbec, mas, atualmente existem mais de 17 castas, sendo as regiões mais conhecidas Mendoza, Salta e Patagónia. “Existe efetivamente algo muito diferenciador da realidade europeia, as vinhas cultivadas em altitude, atingindo os 3000 metros, uma experiência única, tornando a região de Mendoza como o principal destino de enoturístico da Argentina”. Localizada no meio da Cordilheira dos Andes, a região é responsável por mais de 80% de toda a produção do país, além de contar com as adegas mais tecnológicas e alguns dos melhores vinhos argentinos. Outro fator diferenciador é a aliança com a rica gastronomia local, destacou o Embaixador.
Lídia Monteiro alertou para o facto do vinho e das adegas serem recursos que permitem haver turismo, porque se transformam numa experiência. “As pessoas viajam cada vez mais para obterem experiências diferentes e empáticas. Só isso as fará voltar ao mesmo destino” salientou.
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Publicado: Janeiro, 2026.


















