Conferência Iberoamerica discute cooperação global

Etiquetas: , ,
___________________________________________________________________________________

“Temos que ter mais América Latina em Portugal e mais Portugal na América Latina”. A frase foi proferida por Rebeca Grynspan durante a conferência Ibero-america: Cooperação global, acção local e resume na perfeição o espírito do encontro que decorreu a 16 de Abril, nos Paços do Concelho de Lisboa.

No ano em que Lisboa foi escolhida como Capital Europeia do Empreendedorismo, o encontro organizado pela Casa da América Latina, a Câmara de Lisboa, a AICEP e a Universidade Católica procurou dar a conhecer a dinâmica das cidades ibero-americanas e do tecido empreendedor local, mas acima de tudo dar a conhecer modelos e políticas globais que possam ser aplicadas em diferentes cidades.

Na abertura da conferência, Duarte Cordeiro, vice-presidente da autarquia, reforçou a ideia de que é necessário “aproximar as cidades ibero-americanas, através do estabelecimento de parcerias sustentáveis” que impulsionem o crescimento das cidades. Ou, como reforçou Lucas Romero, embaixador da Venezuela e vice-presidente da Casa da América Latina, “há que encontrar sinergias entre as cidades, porque longe vão os tempos em que os municípios eram meros espectadores da política internacional”.

Rebeca Grynspan, secretária-geral Ibero-americana, entende que esta aproximação, é algo que vai surgir naturalmente: “o espaço ibero-americano existe porque é feito de 500 anos de história e relações, e de pessoas que se foram movendo entre os dois lados do Atlântico. Diz-se muitas vezes que o mundo não é um lugar para andar sozinho, e congratulo-me por ver que a Península Ibérica e a América Latina escolheram estar juntos”, disse.

Espera-se que um dos primeiros resultados práticos desta cooperação seja uma aliança de mobilidade académica. “Não podemos chamar-lhe Erasmus ibero-americano porque a palavra foi patenteada pela União Europeia”, gracejou Rebeca Grysnpan, “mas é um projecto fundamental para a região. Cerca de 70% dos estudantes latino-americanos são também os primeiros estudantes nas suas famílias e os números dizem-nos que num contexto de adversidades económicas, nunca terão oportunidades de estudar fora se não existir este apoio”, explicou.

“Mais, os empresários com quem falámos dizem que procuram alguém que esteja habituado a trabalhar em equipa, com experiência multicultural e esta mobilidade garante-lhes uma aprendizagem que não se ganha numa sala de aula. E além disso, sabemos que os estudantes que usufruíram do programa de Erasmus na Euroa tiveram maior facilidade de integração no mercado de trabalho e nós queremos o mesmo a acontecer na América Latina”, acrescentou ainda a secretária-geral Iberoamericana.

Pouco depois, foi tempo de abrir espaço ao debate, com um painel que juntou Graça Fonseca, vereadora da Economia e da Inovação, Fernando Rocafull, da União das Cidades Capitais Ibero-americanas e Rui Coelho, da Invest Lisboa. Durante a sessão, Fernando Rocafull lembrou o papel histórico e fulcral da UCCI no desenvolvimento individual das cidades ao longo das últimas décadas, reforçando a ideia de que “as cidades têm um papel cada vez mais importante nas economias nacionais”.

Graça Fonseca, durante a apresentação da estratégia do município para a Economia lembrou que “as cidades têm carisma e personalidade e é por isso que as pessoas têm cada vez mais atenção à cidade para onde vão”, antes de mencionar Lisboa como “uma das mais competitivas, mais inovadoras e mais criativas cidades da Europa”. Por seu lado, Rui Coelho, director da Invest Lisboa, considerou que “a livre-circulação de pessoas” possibilitada pela União Europeia é um exemplo de modelo a ser aplicado a nível ibero-americano, de forma a explorar o potencial destas duas economias e culturas.

O seminário terminou pouco depois, com a secretária-geral da Casa da América Latina, Manuela Júdice, a celebrar três protocolos que têm o objectivo de aumentar a cooperação entre a Casa da América Latina e a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Colombiana e a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Mexicana.