Ranking das 500 maiores empresas da América Latina 2021: o rescaldo financeiro da COVID-19 na região

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A pandemia comprometeu gravemente as receitas das maiores empresas da região, especialmente nas indústrias dos Transportes Aéreos e Entretenimento. Os setores de Bens de Consumo, Mineração e Agronegócios, por outro lado, resistiram à investida com distinção.

As 500 Maiores Empresas da América Latina tiveram um crescimento constante nas vendas ao longo dos últimos anos. No entanto, com a chegada da pandemia da COVID-19 em 2020, tudo mudou. Um ano sem precedentes terminou com uma queda de 11,1% nas vendas acumuladas, que totalizaram 2.051.141 milhões de dólares. Se olharmos para os lucros totais acumulados, estes caíram 62,5%, o que é ainda mais dramático no ranking dos 100 primeiros, onde a queda dos lucros foi de 76,7%. 

Os números são dramáticos, pois 26 dos 31 setores a que pertencem as 500 Maiores Empresas da América Latina viram as suas receitas diminuir, sendo o sector do Transporte Aéreo o mais duramente atingido, com uma queda de 62,3% nas receitas. Seguiu-se o sector do Entretenimento com uma queda de 43,5% nas vendas anuais.

Os 5 primeiros do ranking, medidos como sempre pelas vendas anuais 2020, são liderados pelas empresas brasileiras Petrobras (1ª) e JBS (2ª), seguidas pelas empresas mexicanas América Móvil (3ª) e PEMEX (4ª). O Vale do Brasil (5º) completa os 5 primeiros lugares.
Não há dúvida de que as companhias aéreas estão a atravessar um período muito difícil. Devido à crise sanitária, foi mais do que esperado que a Gol (398º), Volaris (436º), Avianca-Taca (322º), LATAM Airlines Group (131º) e Grupo Aeroméxico (359º) liderassem o ranking das empresas com a maior queda nas vendas em 2020. No entanto, duas empresas superam as companhias aéreas em termos de declínio nas vendas: a Cinepolis do México (347ª), no sector do entretenimento, sofreu uma queda acentuada de 71,4% nas vendas em 2020 em resultado do encerramento das cadeias de cinema, enquanto que a Pampa Energía da Argentina (444ª) junta-se à lista com uma queda de 66,8% nas vendas.

No entanto, nem tudo é negativo para as 500 Grandes da América Latina. Do outro lado da moeda estão os Consumer Staples, Mining and Agribusiness, que, graças ao seu estatuto de “núcleo”, conseguiram manter-se em grande parte imunes à chegada da COVID-19 e fecharam o ano com crescimento de receitas. Em particular, o sector dos Bens de Consumo registou o maior aumento, no valor de 13,4%, com o conhecido e notável aumento das vendas em linha. O sector mineiro aumentou as suas receitas em 7,2%, seguido do Agronegócio em 4,5% em comparação com o ano anterior.

Sem dúvida, o grande perdedor neste ranking é a empresa mexicana PEMEX (4ª), que teve o seu pior desempenho, sofrendo uma perda líquida de 22.520,7 milhões de dólares durante 2020. O grande tropeço da empresa reflecte-se também numa queda de 38,7% nas receitas, de 72.837 milhões de dólares em 2019 para 44.676 milhões de dólares em 2020. Muito atrás neste triste ranking dos maiores perdedores estão o Grupo LATAM Airlines do Chile (131º) com um prejuízo líquido de 4.545,9 milhões de dólares e a Comissão Federal de Electricidad do México (9º) com um prejuízo líquido de 4.418,9 milhões de dólares.

O sector do Petróleo e do Gás foi duramente atingido pela pandemia. Para além da catástrofe na PEMEX (4ª), a empresa líder neste ranking, a Petrobras do Brasil (1ª), caiu de vendas de 76.746,8 milhões de dólares em 2019 para 53.282 milhões de dólares em 2020 (-30,6%). No entanto, foi suficiente para continuar a liderar nesta nova edição e superar ligeiramente o seu concorrente no sector alimentar, JBS (2nd), também do Brasil.

No outro extremo estão os grandes vencedores deste ano. Embora a exploração mineira nunca esteja livre de complexidades e volatilidade, o desempenho económico neste sector permaneceu bastante intacto em meio a incertezas e restrições sanitárias. Nesta edição do ranking, destaca-se a empresa brasileira Vale (5ª), que encerrou o seu ano com números muito positivos. A empresa, para além de aumentar as suas receitas em 8,2%, gerou um lucro líquido de 5.231,4 milhões de dólares. É seguida por outra empresa compatriota, Lojas Americanas (55ª), que opera no sector retalhista, que encerrou o seu ano com um lucro líquido de 4.175,1 milhões de dólares.

A pandemia da COVID-19 continua a causar estragos em todo o mundo. Os países implementaram numerosos mecanismos e programas de apoio para assegurar a sustentabilidade empresarial e evitar falências. Ainda estamos no meio da incerteza e um regresso à normalidade demorará muito provavelmente mais algum tempo.

Fonte: América Economia