[CANCELADO] Dia Mundial da Poesia 2020 no CCB

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21 de março
15h30
Centro Cultural de Belém

Pela nona vez consecutiva, a Casa da América Latina marca presença nas celebrações do Dia Mundial da Poesia, no Centro Cultural de Belém, a 21 de Março.

É uma ocasião que aproveitamos para promover um encontro onde se cruzam a poesia ibero-americana e as suas várias identidades e referências culturais, o público português, e os leitores de poesia.

Este ano, o programa conta com algumas novidades surpreendentes.

Sessão de Apresentação do livro “Toda Poesia” de Paulo Leminski

A Imprensa Nacional Casa da Moeda e a Embaixada do Brasil associam-se à Casa da América Latina para o lançamento em Portugal da poesia reunida de Paulo Leminski, importante autor brasileiro até agora por editar em Portugal.

A sessão contará com a presença da viúva do autor e também poeta Alice Ruiz, para uma conversa com António Carlos Cortez, moderada por Jorge Reis Sá. Também estarão presentes as duas filhas de Paulo Leminski, Áurea Leminski e Estrela Ruiz Leminski, que farão as leituras dos poemas.

Paulo Leminski nasceu em Curitiba em 1944 e morreu em 1989 na mesma cidade brasileira. Poeta, crítico literário, tradutor e professor, é conhecido por uma obra poética marcada por textos curtos e muito influenciada pela poesia japonesa, mais precisamente pela poesia de Matsuo Bashô, de quem escreveu a biografia. O uso de trocadilhos e jogos de palavras é igualmente uma marca deste autor brasileiro que foi também letrista e músico.

É a primeira vez que a sua antologia fica disponível em Portugal num volume que terá o mesmo nome que o livro lançado no Brasil em 2013 pela Companhia das Letras: “Toda Poesia”.

Para termos uma ideia do que nos espera, aqui fica um dos seus muitos poemas: 

Incenso fosse música 

isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

Presença do Poeta Panamiano Javier Alvarado

Nascido a 28 de Agosto de 1982, Javier Alvarado tem uma vasta obra poética, onde se incluem também vários prémios de poesia, quer no seu país quer no estrangeiro. A título de exemplo, venceu o Prémio Nacional de Poesia “Pablo Neruda”, atribuído pela Embaixada do Chile e pela Universidade Tecnológica do Panamá.

Licenciado em Línguas e Literaturas Espanholas na Universidade do Panamá, publicou o primeiro livro aos 19 anos, e depois desse mais 16.

Vai estar no CCB, a convite da Casa da América Latina e da Embaixada do Panamá, para celebrar o Dia Mundial da Poesia, ler alguns dos seus poemas, e conversar sobre o seu trabalho.

Para termos uma ideia do que nos espera, aqui fica um dos seus muitos poemas:

“Materialmente te descubro,
abstractamente te pienso.
Te doblo a secas, te dibujo en mi cuerpo
con la sangre absorta de los antiguos colibries.
Te bajo de la montaña con una flor inmaculada en la
                                                                                      mano
lejos de las trémulas e inexhaustas expresiones
— violento terremoto del ser —
te bebo en el río que lleva el ansia del loto
por despedazarse fálicamente en los arados de la tierra,
te vuelvo a encontrar
asoleada en los hemisferios de rnis terribles paralelos
descubriéndote entera
y penetrando libremente
en tu vasta e impoluta geografía.

Leituras de poesia dos Embaixadores Representantes Diplomáticos da América Latina em Portugal

Convidámos os embaixadores e/ou representantes diplomáticos latino-americanos com presença em Portugal para se juntarem a nós, e nos lerem um poema do seu país de origem.

A expectativa é a de encontrarmos uma diversidade não apenas poética e geográfica mas sobretudo e muito provavelmente temática.  

Presença do poeta mexicano Jorge Valdés Diaz Velez

Jorge Valdés Diaz Velez é um poeta mexicano nascido em Torreón, Cohahuila, em 1955. Como diplomata, desempenhou funções de Conselheiro Cultural em Cuba, Argentina, Espanha e Costa Rica, onde foi Diretor do Centro Cultural do México. Venceu o Prémio latino-Americano Plural no género de poesia, obtido no México em 1985, e o Prémio Nacional de Poesia no México, em 1998.

A sua obra está traduzida em várias línguas e integra antologias publicadas no México, Argentina e Espanha. 

Estará no Centro Cultural de Belém, a convite da Casa da América Latina, para uma sessão de leitura de poemas e de conversa sobre a sua obra, acompanhado pelo poeta Nuno Júdice, seu tradutor para português.

Para termos uma ideia do que nos espera, aqui fica um dos seus muitos poemas:

“He vuelto a releer aquellos versos
que hablaban del amor y que leímos
la noche que ardió Troya y nos perdimos
al fondo de sus negros universos.

He oído en cada página los tersos
acentos de tu piel donde creímos
haber bebido al sol en sus racimos
y al mar que reflejaba en sus diversos

murmullos nuestro ascenso al precipicio.
Se puede oler la luz de esos momentos
al tacto de un doblez. Queda un indicio

debajo de las líneas subrayadas,
un hálito de ti, tus dedos lentos
abiertos en esquinas despobladas”

Presença da poeta espanhola Amalia Bautista

Amalia Bautista é uma poeta espanhola nascida em Madrid, em 1962. Conta com 30 anos de atividade poética, e está publicada em Portugal no terceiro volume de uma recolha de Joaquim Manuel Magalhães chamada Trípticos Espanhóis, editada pela Relógio D´Água, e em “Estou Ausente” e “Coração Desabitado”, dois livros editados pela Averno.

Parte da sua obra está traduzida para português, italiano, russo e árabe.

Vai estar no Centro Cultural de Belém, a convite da Casa da América Latina e do Instituto Cervantes, para uma conversa sobre o seu trabalho e também uma leitura de alguns dos seus poemas.

Para termos uma ideia do que nos espera, aqui fica um dos seus muitos poemas traduzidos para português.

“AO FIM

Ao fim são muito poucas as palavras
que nos doem a sério e muito poucas
as que conseguem alegrar a alma.
São também muito poucas as pessoas
que tocam nosso coração e menos
ainda as que o tocam muito tempo.
E ao fim são pouquíssimas as coisas
que em nossa vida a sério nos importam:
poder amar alguém, sermos amados
e não morrer depois dos nossos filhos.”

Trad.: Joaquim Manuel Magalhães

Presença do poeta cubano Alexis Díaz Pimienta

Alexis Díaz Pimienta nasceu em Havana em 1966. Poeta, repentista, investigador e docente, é autor de 39 livros, entre ensaio, romance, conto, poesia, literatura infantil e juvenil.

Diretor da Cátedra de Poesia Improvisada da Universidade das Artes, e Subdiretor do Centro Ibero-americano da Décima e o Verso Improvisado, ambos com sede em Havana. É também fundador do projeto Oralitura, que desenvolve a arte da improvisação poética.

Os seus livros estão traduzidos para línguas tão distintas como inglês, francês, alemão, árabe, búlgaro ou farsi. O seu trabalho já lhe valeu vários prémios literários nacionais e internacionais em Cuba, no México e em Espanha.

É considerado um dos maiores investigadores mundiais do repentismo, que já o levou a atuações em mais de 30 países dos 5 continentes. Vai estar com o público português no Centro Cultural de Belém a convite da Casa da América Latina e da Embaixada de Cuba.

Para termos uma ideia do que nos espera, aqui fica um dos seus muitos poemas:

La Tristeza

La tristeza es de piedra,
música sólida cayendo sobre el pecho,
inoportuna brizna bajo el párpado.

La tristeza, si llega,
no aceptará negociar un minuto,
no respetará los teléfonos
ni las alacenas.

De nada servirá desnudar hembras,
romper vasos,
mirar la luna hasta que críe nuevos cráteres.
De nada valdrá mirar revistas
o aceptar una lluvia hipotética.

La tristeza es de piedra,
música sólida cayendo
y destrozando.