Mostra de Cinema da América Latina em Loulé

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A 10.ª edição da Mostra de Cinema da América Latina regressou este ano a Loulé, entre os dias 23 e 26 de janeiro, no Auditório do Solar da Música Nova.

Depois da exibição no Cinema São Jorge, em Lisboa (entre 12 e 17 de dezembro), Loulé é a primeira e única cidade que acolhe este evento a nível nacional.

A Mostra, cuja coordenação pertence à Casa da América Latina em parceria com o Cine-Teatro Louletano, comemora uma década. São dez anos a mostrar a atualidade e diversidade fílmicas, o talento dos autores latino-americanos. Dez anos que permitem observar a intensidade dos processos sociais da América Latina e de como o seu panorama cinematográfico junta história, memória e imaginação, para partilhar com o público a sua leitura artística e cívica.

Em Loulé, no dia 23 de janeiro, quinta-feira, pelas 21h00, a Mostra abriu com o filme argentino “La Reina Del Miedo”, que retrata a vida de uma das atrizes mais aclamadas da Argentina, Robertina. Em vésperas de apresentar o seu novo espetáculo viaja e, longe de casa, a coloca em perspetiva toda a sua vida deixando-se levar por uma diretriz que alterará a sua existência para sempre. A autoria do filme, premiado com vários galardões na Europa e no Brasil, pertence à atriz principal Valeria Bertucelli. 

No dia 24, sexta-feira, também pelas 21h00, foi projetado “Yuli”, que conta a história de vida de Carlos Acosta, bailarino cubano que dançou para prestigiadas companhias de ballet e foi bailarino permanente do The Royal Ballet entre 1998 e 2015. Com argumento de Paul Laverty, “Yuli” conta com a interpretação do próprio Carlos Acosta no papel principal. A obra venceu o Prémio do Júri para Melhor Argumento no Festival de San Sebastían, em 2018; teve cinco nomeações para os Prémios Goya 2019 e ganhou o Prémio Platino 2019 para melhor música original.

Durante o fim de semana, sábado e domingo, houve lugar a duas projeções diárias, uma matiné, pelas 17h00, e outra às 21h00.

No sábado à tarde, foi altura de assistir a “Niña Errante”, um filme colombiano de Rúben Mendonza, que retrata a vida de Ângela e três meio-irmãs mais velhas, filhas do pai acabado de falecer. A morte do progenitor permite que as quatro se conheçam, sendo que as irmãs levam Ângela numa grande viagem para que fique aos cuidados de uma tia. Nesta deslocação movida pela perda, em pleno despertar da adolescência, a protagonista descobre a existência da feminilidade, da sensualidade, dos mistérios do prazer e da dor do corpo, da desgraça e do desafio que representa ser mulher nestes caminhos. A película foi várias vezes premiada internacionalmente.

“Perro Bomba”, de Juan Cáceres, foi o filme que se seguiu (21h00). Trata-se da história de Stevens, um jovem haitiano a viver no Chile, onde tem uma vida simples e estável até ao dia em que agride o seu chefe. A atitude é reprovada pela comunidade e Stevens passa a ser alvo de atos de xenofobia.

“Wiñaypacha”, de Óscar Catacora, e “Los Silencios”, de Beatriz Seigner, encerraram esta Mostra, no domingo, dia 26 de janeiro.

“Winaypacha”, que teve projeção às 17h00, é um filme sobre um casal de anciãos com mais de 80 anos, que vive abandonado num lugar remoto dos Andes do Peru, a mais de cinco mil metros de altitude. Enfrentando a miséria e o inclemente passar do tempo, o casal vive na esperança de ver chegar o seu único filho.

Pelas 21h00, “Los Silencios” contou a história de uma família colombiana que, para fugir aos conflitos armados do seu país, se refugia numa ilha desconhecida, na fronteira entre o Brasil, a Colômbia e o Peru. Naquele lugar estranho e povoado de mistérios surge um segredo que é importante manter.