“Internacionalizar é vencer o desconhecido”

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A Fundação AIP recebeu o 1º Activation Lab – Construção, liderado pela Mota-Engil, no passado 18 de setembro, iniciativa inscrita no Programa PME Connect e que teve como objectivo apoiar os processos de internacionalização de pequenas e médias empresas nacionais.

A sala contou com a presença dos representantes das empresas, bem como dos oradores Pedro Arrais (Diretor de Relações Institucionais da Mota-Engil SGPS), Fernando Gonçalves (Diretor de Aprovisionamento da MEEC) e Luís Miguel Sousa (Diretor Corporativo de Fiscalidade).

Dean Salwegter, Senior Consultant da Deloitte Portugal, caracterizou o PME Connect como uma “experiência piloto” promovido pela AIP-CCI e Deloitte, descrevendo-o como um programa inovador que visa despoletar processos bem sucedidos de internacionalizações conjunta entre Grupos Fortemente Internacionalizados (GFI), tais como a SONAE, a EDP e a já referida Mota-Engil, e Pequenas e Médias Empresas (PME) que possam constituir exemplos de boas práticas para o tecido empresarial nacional.

Este programa desenvolve-se em quatro fases: análise de iniciativas internacionais e diagnóstico dos desafios; aumento do número de parceiros comerciais e estratégicos; aumento das exportações e comunicação e marketing do Programa. Estas quatro fases convergem na definição do melhor processo de internacionalização.

Cristina Valério, Coordenadora Económica da Casa da América Latina, reforçou o papel da CAL neste tipo de iniciativas, e destacou a Mota-Engil, como “um paradigma de sucesso na América Latina. Um sucesso que dá muito trabalho, mas que já fez da América Latina, a região onde esta empresa portuguesa mais investiu nos últimos tempos”.

Pedro Arrais iniciou a sua intervenção referindo que “internacionalizar é vencer o desconhecido” e partilhou com todos a realidade do “Mundo Mota-Engil”: a empresa já está presente em 30 países, com 29 mil colaboradores, espalhados pelos continentes europeu, africano e latino-americano e as suas actividades desenvolvem-se, sobretudo, nas áreas da Engenharia e Construção, Gestão de Resíduos, Logística, Concessão de Infra-estruturas de Transportes, Energia e Mineração. O Diretor de Relações Institucionais da empresa portuguesa falou ainda da importância de não seguir “modas” e do evitar a dispersão de recursos, ter objetivos bem definidos, promovendo um equilíbrio global. “Para isto ser possível, surge a necessidade de contar com novos fornecedores qualificados, que se podem encontra no país onde se internacionaliza ou levar de Portugal”, referiu.

No que respeita à presença da Mota-Engil na América Latina, data de 1988, no Peru; o México representou o maior mercado externo em 2017 e 2018 (actualmente o metro de Guadalajara afigura-se como a maior obra do Grupo) e no Brasil, através da ECB, o Grupo atua no sector da construção, ambiente e concessões rodoviárias. “Já investimos mil milhões na região e nunca deixámos uma obra por concluir e isso credibiliza a empresa, atrai bons parceiros e mais obras”. Outro conselho deixado às PMEs, presentes na sessão, é a importância da escolha daquele que lidera o projeto localmente. “a escolha de bons recursos humanos faz toda a diferença e perceber a cultura de cada país também é importante neste e noutros ramos de negócio”.

Fernando Gonçalves, por sua vez, mencionou tópicos como o fluxo centralizado e descentralizado, alguns conceitos referentes à gíria empresarial, o volume e adjudicações e o mapa de desempenho.

Luis Miguel Sousa terminou este primeiro laboratório abordando a internacionalização pela via mais burocrática, as taxas alfandegárias, direitos aduaneiros, os impostos indirectos no país de destino e a retenção na fonte ou dupla tributação, “se não fizermos bem o trabalho de casa e por vezes devemos mesmo contratar um escritório de advogados, contabilista local, corremos o risco ver um aparentemente bom negócio, tornar-se num desastre financeiro” alertou.