Naldeir Vieira: Prémio Mário Quartin Graça é “estímulo para dar continuidade ao trabalho”

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Naldeir Vieira, de nacionalidade brasileira, venceu o Prémio Científico Mário Quartin Graça, na categoria de Ciências Económicas e Empresariais, com a tese “Inovação social e desenvolvimento de competências em organizações da Sociedade sem Fins Lucrativos Brasileiras e Portuguesas”, realizada na Universidade Federal de Minas Gerais. O doutorado analisou como o desenvolvimento de competências se articula com o desenvolvimento de inovações sociais em organizações da sociedade civil sem fins lucrativos brasileiras e portuguesas.

Como iniciou o estudo das Organizações Não-Governamentais (ONG)?

Eu trabalho com organizações sociais desde a licenciatura. Fiz o curso de Administração de Cooperativas, na Universidade Federal de Viçosa; durante o mestrado trabalhei com consultores de ONG’s; e no doutoramento, por mais que tenha entrado numa universidade mais vocacionada para a área de negócios, permaneço nesta linha social. Investi na área da Inovação, sob a orientação de Alain Cláudio Queirós Barbosa, que trabalha com grandes negócio, mais na linha de empresas. No entanto, ele deu-me completa abertura para dar um toque mais social a esta temática da Inovação – ainda para mais porque ele trabalhava com a professora Cristina Parente da Universidade do Porto (uma parceria antiga que possibilitou o trabalho em dois contextos).

As tendências que identificou relativamente às ONG’s portuguesas e brasileiras aproximam-se?

Os resultados da pesquisa mostram que a relação entre o desenvolvimento de competências e o desenvolvimento de construção social se opõe entre os países devido a motivos conjunturais. A grande diferença são os atores envolvidos. Se, por um lado, Portugal tem a interferência do estado mais acentuada, havendo uma relação direta entre o mesmo e as organizações sociais (como é o caso das Santa Casa da Misericórdia, as associações, creches, lar de idosos…), no Brasil, essa presença não é considerável. Em Portugal existe, por isso, mais facilidade de financiamento (o que também tem outras implicações relacionadas com a grande dependência das organizações sociais sem fins lucrativos).

Uma outra questão é que, e já que o financiamento importa muito nestes contextos, no Brasil existe a relevância da cooperação internacional, que ultimamente se tem vindo a reduzir consideravelmente. A União Europeia (UE) abraçou a Inovação Social – sendo este um dos seus grandes objetivos até 2020. O próprio conceito de Inovação Social está muito mais presente no vocabulário português, principalmente por meio dos fundos e estímulos da UE.

Pretende continuar a investir nesta área?

Defendi a minha tese muito recentemente, e, por isso, ainda a estou a digerir e a organizar as publicações resultantes das pesquisas que fiz para saber qual a continuidade a dar a esta temática. Ainda não tenho definida uma próxima abordagem, já que os resultados deixaram em aberto muitos questionamentos para pesquisas futuras. Mas a área da Inovação Social vai certamente permanecer como eixo de trabalho.

Qual a importância do Prémio Científico Mário Quartin Graça?

Acredito que o mais importante é o estímulo para dar continuidade ao trabalho que tem vindo a ser feito, a esta caminhada que está só no começo. De certo modo, funciona como crivo de qualidade, dá a segurança de estarmos no caminho certo, e por mais que não estejamos 100% certos do que vem a seguir, mostra-nos que existe ainda a hipótese de aprofundar, estudar mais…