Augusto Roa Bastos: “o supremo” da Literatura em Espanhol

Etiquetas: ,
___________________________________________________________________________________

Eu o Supremo do paraguaio Augusto Roa Bastos foi o tema da conferência homónima, no centenário do seu nascimento, organizada pela Embaixada do Paraguai, na Casa da América Latina, a 19 de junho.

Esta obra prima da literatura em espanhol era conhecida a nível internacional, foi iniciada pelo autor em 1947 durante o seu longo exílio, tendo sido editada pela primeira vez em 1974, em Buenos Aires (Argentina).

A secretária-geral da Casa da América Latina, Manuela Júdice, começou por agradecer o “apoio sem limites” que a Embaixada do Paraguai tem prestado a esta associação, “quer a nível político, como económico e cultural”. “Apesar de ser um dos nomes maiores da literatura ibero-americana e, entre outros lhe ter sido atribuído o Prémio Cervantes, Roa Bastos é quase um desconhecido no nosso país. É para o dar a conhecer em Portugal que estamos hoje aqui reunidos. Com o livro Eu o Supremo, Roa Bastos inscreveu-se definitivamente na vanguarda dos escritores do continente latino-americano ao lado de autores como Gabriel García Marquez, Mario Vargas Llosa, Juan Rulfo, Carlos Fuentes, Juan Carlos Onetti, Jorge Luis Borges, Julio Cortázar ou Ernesto Sabato”, afirmou.

“Acompanhar esta atividade em conjunto com a Secretaria Nacional da Cultura, faz com que as nossas atividades se estreitem cada vez mais com as da Casa da América Latina”, salientou a Ministra da Embaixada do Paraguai, Ana Isabel Rodríguez, referindo estar “muito orgulhosa” da organização deste evento que “inclui Lisboa nas celebrações do nascimento de Augusto Roa Bastos”.

Margarita Morselli, diretora do Centro Cultural El Cabildo, destacou a palavra “supremo” como central na maior parte das referências ao “autor de uma vasta e valiosa obra, que foi o único paraguaio a ser distinguido com o maior prémio das línguas hispânicas – o Prémio Cervantes”. Fez referência ainda aos “distintos anos de exílio” do escritor “nos distintos países e distintas circunstâncias, que lhe valeram prémios como a nacionalidade francesa, espanhola e argentina, sendo que lhe haviam retirado a paraguaia”.

A filha de Augusto Roa Bastos, Mirta Roa, apresentou os objetivos da Fundação Augusto Roa Bastos em “preservar a memória, organizar a sua obra dispersa e editá-la, transmitindo as suas principais ideias e valores aos mais jovens”. Destacou ainda a preservação das identidades culturais, a valorização da mulher como figura central da construção social e o respeito pela diferença. “O meu pai protestava a forma como se editava e regia-se pelo perfecionismo – o objetivo era que a palavra fosse literal, era um esforço cerebral até que ele aceitasse as palavras ou estas o aceitassem a ele”.

Luís Fretes Carreras, co-diretor da cadeira “Augusto Roa Bastos” da UCA-PY, referiu-se à influência portuguesa de Roa Bastos, onde se inclui a abordagem do conceito “destino”, “como algo inalterável, fatal”, uma veia “poética e melancólica” associada aos fadistas anónimos”, ou até a escolha do nome António para dar ao seu filho e o nascimento “no dia mais português possível” – o dia de Santo António.

O jornalista António Carmona relevou o facto de este escritor ter sido “português e ibero-americano”, bem como a sua relação próxima ao guarani, que levou a que o trabalho de edição das suas obras tenha sido árduo, nomeadamente no que toca ao “decifrar o que é de Roa ou não”.

O Governo do Paraguai declarou o ano 2017 “Ano do centenário do nascimento de Augusto Roa Bastos”, tendo para o efeito criado a Comissão Nacional Comemorativa, onde estão representadas várias instituições, como Secretaria Nacional da Cultura, a Fundação Augusto Roa Bastos, o Centro Cultural El Cabido.