Oportunidades de financiamento por multilaterais explicadas às empresas na CAL

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“Portugal tem de expandir a sua visão sobre as oportunidades que a América Latina lhe dá”, afirmou o Diretor Corporativo de Assuntos Estratégicos do Banco de Desarrollo da América Latina (CAF), Germán Ríos, na conferência “Financiamento por multilaterais de projetos na América Latina”, organizada pela Casa da América Latina e Câmara de Comércio Portugal – Atlântico Sul, no dia 5 de abril na Casa das Galeotas.

O objetivo do evento passou por encontrar caminhos para apoiar as empresas portuguesas, permitindo a difusão de informação no campo do financiamento. Estiveram presentes os representantes das principais instituições multilaterais a atuar no espaço latino-americano para apresentar às empresas portuguesas as oportunidades que têm neste âmbito e assim abrir-lhes outras portas à candidatura a novos projetos.

Abrindo os trabalhos, a Secretária-geral da Casa da América Latina, Manuela Júdice, salientou a ação das multilaterais no financiamento das empresas nacionais na América Latina, cujo aproveitamento tem ainda “um longo caminho a percorrer”. “Pretende-se que este evento permita expor às empresas os critérios de seleção e procedimentos necessários para concorrer aos diferentes tipos de financiamento disponíveis no setor privado, cujo desconhecimento é muitas vezes causa da escassez de investimento nesta região”, adiantou.

O Secretário-geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), Vítor Ramalho, acrescentou que Portugal usufrui de ter a “quarta língua mais falada no mundo” e ter como “vizinho continental” um país que é “a terceira língua mais falada do mundo”. “Há aqui uma familiaridade, que, neste mundo global, é de uma enorme relevância e aproxima-nos a todos os níveis. A Ibéria tem necessidade de estreitar as relações que são proporcionadas por esta união inerente às línguas”, referiu.

Instrumentos financeiros portugueses e internacionais

O Vereador dos Recursos Humanos e financiamento da Câmara Municipal de Lisboa, João Paulo Saraiva, explicou em que áreas de intervenção Lisboa pretende contar com investimento até 2020, onde se incluem o Plano Geral de Drenagem de Lisboa, a Regeneração Urbana e a Habitação Social, aos quais se destinam 25%, 61% e 14% do financiamento, respetivamente. “Lisboa foi o primeiro município europeu com acesso ao Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (FEIE). Para além disto, temos parcerias com as mais diversas entidades bancárias, onde vamos buscar um grande know how”, afirmou o vereador.

A SOFID (Mariana Abrantes de Sousa) e a COSEC (Maria José Melo) apresentaram as suas ofertas, estabelecidas através de parcerias com bancos locais internacionais de forma a auxiliar as empresas a superar as dificuldades de novos mercados na América Latina através de um vasto leque de opções.

Tomás Costa Ramos, International Tax Manager da Deloitte, centrou a sua apresentação na abordagem aos regimes fiscais, que na América Latina pode parecer um tema delicado, dado os altos níveis de tributação exigidos, mas que, na sua opinião, é “um desafio que pode ser transformado em sucesso”, sendo que, através do recurso às zonas francas, as empresas têm acesso a regimes de isenções muito atrativos que compensam. “Internacionalizar é muitas das vezes, no mundo interligado em que vivemos, a única forma de manter a sobrevivência da empresa”, explicou, destacando o papel do co-financiamento e maximização do investimento neste processo.

Multilaterais a atuar na América Latina

“Na América Latina é muito difícil generalizar, porque cada país é um mundo diferente. Nunca devemos subestimar os países pequenos, que têm oportunidades interessantes que é preciso procurar”, afirmou o Diretor Corporativo de Assuntos Estratégicos do Banco de Desarrollo da América Latina (CAF), Germán Ríos.

Rafael Hoyuela López, da Direção da Representação na Europa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), referiu que se tem vindo a assistir a um “crescimento incrível” no investimento na região sul americana que “a grande taxa de crescimento está sobretudo nas cidades medianas”, muitas vezes mercados desconhecidos do investidor português, mas com oportunidades únicas ao nível dos “transportes, infraestrutura, agricultura, energia, entre outros”.

Banco Europeu de Investimento (BEI) já investiu cerca de 5 mil milhões de euros na América latina, tal como afirma o Chefe do Escritório de Representação do banco em Lisboa, Kim Kreilgaard. O lema “lending, blending and advising” exprime a intenção da instituição em ter um papel cada vez mais relevante numa fase de preparação da implementação de projetos no estrangeiro, know how que pode ser bem aproveitado pelas empresas nacionais.

A representar o Banco Mundial (BM), o Alternate Executive Director, Nuno Mota Pinto, apresentou algumas dicas sobre como assegurar a competitividade na América Latina, como “monitorizar o investimento, procurar parceiros locais, avaliar o mercado, conhecer o país, resolver o problema do cliente e não impor uma visão, e recorrer à consulta de agentes especializados”.

Casos de estudo e incentivos à internacionalização

Como estudo de caso, Sérgio Padilha da Mota Engil, Cláudio Jesus da Águas de Portugal, e Marta Mariz do Novo Banco, deram o seu testemunho relativo à presença na América Latina, oferecendo alguns conselhos relevantes aos empresários presentes interessados na internacionalização na região.

O Presidente Câmara de Comércio Portugal – Atlântico Sul, Filipe Vasconcelos Romão, referiu, na sessão de encerramento, numa altura em que esta instituição comemora dois anos de existência, que “a América Latina é rica em termos de mercados pouco evidentes. Nós trabalhamos acima de tudo com esses, em parceria com a Casa da América Latina e agências como estas que hoje apresentaram as suas ofertas”, referiu.

A Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro, fechou os trabalhos, dando relevância à influência das empresas portuguesas na execução de mecanismos de apoio à internacionalização e o alinhamento dos mesmos com as prioridades de política externa. “As empresas também desenham as leis e traçam as decisões de convocar outras dimensões para a representação de Portugal nas multilaterais financeiras”, afirmou, lembrando ainda a “grande competitividade” entre as multilaterais como um fator que contribui para a “multiplicação de estudos e projetos, numa lógica cooperativa que significa muito, e que pode, inclusive, ser um fator de mitigação do risco”.

“Ouvimos aqui casos de sucesso como o das Águas de Portugal e da Mota Engil, e talvez a primeira questão que nos surge no meio disto tudo é: para que é que servem então as políticas públicas? Até parece que servem para pouco, mas existem políticas voluntaristas absolutamente fundamentais, sobretudo hoje que temos uma Agenda para o Desenvolvimento, que está materializada em três grandes instrumentos de referência: a Agenda 2030, a Agenda de Adis Abeba e o Acordo do Clima”, destacou ainda a Secretária de Estado.

No encerramento da conferência foram assinados protocolos por entre a Casa da América Latina e a Nersant (Associação Empresarial da Região de Santarém) e a Câmara de Comércio e Indústria Luso Panamiana.

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