A paz abre novas oportunidades na Colômbia

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Testemunho de Mário Viteri, Secretário de Planeamento da Região de Nariño, Colômbia, no Encontro Empresarial na CAL

“Com a celebração da paz no nosso país, estamos a iniciar uma nova vida na Colômbia. E isso tem-se refletido em diferentes áreas, nomeadamente, no planeamento, sobretudo em regiões como Nariño. A implementação dos acordos de paz tem de chegar às regiões, para que assim se possam estabelecer políticas de desenvolvimento de acordo com as novas diretivas de paz.

A região de Nariño está localizada no Sul do país. É fundamental abrir a região às empresas estrangeiras, porque, queremos ter acesso a outros pontos de vista e ao desenvolvimento tecnológico. É o momento para traçar um ponto de partida na nossa região. Temos uma população de 1 milhão e 765 mil habitantes, metade da população é urbana e a outra rural, tendo 155 mil indígenas – 8,9% da população, mais, 270 mil habitantes (15,3% da população) são afro-descendentes. Existe uma particularidade muito especial no nosso departamento, que é a existência de três condições geográficas: 52% do território corresponde à malha pacífica, é uma zona de praia, 40% do território é zona andina, sobre a cordilheira dos Andes, zona de montanha e 8% do território é amazónico. 80% da população concentra-se na zona da cordilheira. São 64 municípios ao todo no nosso departamento. As propostas de integração regional têm em conta todas estas características e são desafios para a administração pública e para as empresas que se instalarem na região.

Foram criadas as Regiões Administrativas e de Planeamento Especial (RAPE) constituídas para unir e criar uma nova entidade territorial, autónoma, capaz de executar e agilizar investimentos e desenvolver projetos específicos. A primeira foi a RAPE do Pacífico que tem quatro departamentos com saída para o oceano Pacífico, onde se inclui o departamento de Nariño, com 300 quilómetros de praia. Outra a Rape do Maciço Colombiano (cordilheira) com seis departamentos e onde nascem os cinco principais rios que atravessam o país. Estas novas divisões administrativas servem a estratégia de paz territorial no país, nestes seis departamentos ocorreram quase 60% das ações do conflito armado no nosso país. Foram as populações que tiveram menos oportunidades e onde o governo não teve qualquer influência no seu desenvolvimento, são zonas em que não estão asseguradas as necessidades básicas, onde está tudo por fazer.

O mais importante para nós neste momento é ultrapassar as necessidades básicas das populações, devido aos anos de conflito armado, para depois poder implementar o desenvolvimento tecnológico. Convido as empresas portuguesas a apoiar-nos nesta visão estratégica, a pensar o futuro connosco, porque existe um enorme potencial na nossa região. O Governo está a trabalhar intensamente na construção da Paz, uma paz que se construa através de um investimento social de todos, em regiões onde o Estado esteve ausente, mas que incentiva e apoia as empresas a investir. Venham conhecer-nos!”