Alejandro Jodorowsky na Mostra de Cinema da América Latina 2016

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A Casa da América Latina apresenta a Mostra de Cinema da América Latina 2016, que decorre entre 8 e 11 de dezembro no Cinema São Jorge, em Lisboa, e entre 26 e 29 de janeiro no Cine-Teatro Louletano. Esta, que é a 7ª edição da mostra, contará com algumas das mais recentes propostas cinematográficas provenientes da América Latina.

O destaque vai para “Poesía Sin Fin”, o novo filme do chileno Alejandro Jodorowsky – convidado especial que estará presente na apresentação desta edição, no dia 8, pelas 21h00, na Sala Manoel de Oliveira.

A ação da película, concretizada com recurso a crowdfunding no KickStarter pelo realizador octogenário, passa-se na capital chilena de Santiago, entre os anos 1940 e 1950. “Alejandrito” é o personagem principal, que, contra a vontade da sua família, decide ser poeta. Introduzindo-se no coração da boémia artística e intelectual da época, trava conhecimento com Enrique Lihn, Stella Diaz, Nicanor Parra e outros jovens poetas que se virão a tornar nos mestres da literatura moderna da América Latina.

Baseado na época em que o realizador se mudou para Santiago do Chile, e, posteriormente, para França, aos 24 anos, o filme retrata a descoberta por parte do protagonista (máscara do cineasta enquanto jovem) do sexo, da poesia, da sociedade e da Segunda Guerra Mundial.

Veja aqui o trailer do filme:

Alejandro Jodorowsky

Nascido a 17 de fevereiro de 1929, em Tocopilla, Chile, Alejandro Jodorowsky frequentou a universidade na capital, trabalhando como palhaço de circo e artista de marionetas. Mudou-se em 1953 para Paris, onde estudou mímica com Marcel Marceau. Trabalhou com Maurice Chevalier, Roland Topor e Fernando Arrabal, criando com estes dois últimos, em 1962, o Moviment Panique – grupo de performances ao vivo que misturavam o teatro de vanguarda com literatura e cinema. Jodorowsky escreveu nesta altura vários livros e peças teatrais.

No final dos anos 1960, dirigiu peças de vanguarda em Paris e na Cidade do México. Criou a banda-desenhada “Fabulas Panicas”, e o seu primeiro filme “Fando y Lis”, em 1967, inspirado numa peça de Arrabal. Em 1970 realizou “El Topo”, um faroeste surrealista criativo e vanguardista, cuja repercussão na América ficou a dever-se em grande parte ao seu fã mais ilustre, John Lennon. Em 1973, realizou “The Holy Mountain”, que, juntamente com o posterior “Santa Sangre” (1989), foi largamente aclamado pela crítica como um dos clássicos do cinema surrealista.

Em 1975, retornou a França, onde tentou fazer uma adaptação do romance “Dune”, de Frank Herbert. O projeto contaria com a participação de Orson Welles e Salvador Dali, banda sonora de Pink Floyd, e a colaboração visual dos artistas H. R. Giger, Dan O’Bannon e Möebius, mas caiu por terra. “Jodorowsky’s Dune” é um documentário de Frank Pavich que regista a tentativa megalómana do realizador chileno.