Universidade de Sorbonne visita a Casa da América Latina

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Recordando o papel da Casa da América Latina (CAL) “na aproximação das culturas latino-americana e portuguesa”, António Silva, assistente para a programação cultural e científica, deu início à sessão de apresentação para os alunos de Mestrado em Estudos Ibéricos e Latino-americanos – Gestão Empresarial e Comércio Internacional da Universidade de Sorbonne, no dia 18 de março.

António Silva destacou importância que na Cal é atribuída à valorização do conhecimento, nomeadamente mediante a atribuição dos Prémios Científico e Literário, a atribuição de uma bolsa de pós-doutoramento para investigação na área das doenças tropicais e a “importância de parcerias com outros organismos culturais nacionais e internacionais, como a Casa da América de Madrid”.

“Apesar dos laços históricos que nos unem, a América Latina é uma região pouco explorada pelas empresas portuguesas, com a excepção do Brasil, constituindo um marco de trabalho muito interessante e novo para a CAL, sobretudo no que toca às questões económicas e empresariais”, referiu Cristina Valério, coordenadora do setor empresarial da CAL.

Concordando com este potencial, Francisca Lucena e Valle, diretora adjunta das Relações Institucionais e Mercados Externos da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) referiu o aumento expressivo do peso das exportações de bens e serviços no PIB, (em 2015 cerca 40%, que compara com 27,1% em 2009). “Contudo, o relacionamento económico entre Portugal e a América Latina no contexto global das exportações portugueses representa apenas 2,7% das exportações, segundo dados estatísticos do INE”, esclareceu.

A AICEP tem cinco delegados na América Latina (Brasil, Chile, Colômbia, México e Venezuela) que cobrem nove mercados da América Latina (para além dos países onde estão localizados, também o Peru, Panamá e Argentina) e conta igualmente com o suporte de Câmaras Comércio Portuguesas em todo o mundo: “Só no Brasil temos 14 Câmaras de Comércio e protocolos com entidades congéneres e com a importante rede das embaixadas portuguesas, que na América Latina são 10. É assim que conseguimos dar o nosso apoio às empresas portuguesas que pretendem internacionalizar-se ou, numa segunda fase, encontrar novos mercados para a sua expansão”, afirmou Francisca Lucena e Valle.

A geografia do Chile é considerada uma oportunidade para Patricio Cabezas Logan, cônsul do Chile, que caracteriza o espírito chileno como “fazer das dificuldades um desafio”. O diplomata acredita que as economias de Portugal e Chile são “complementares” e que um dos principais obstáculos ao reforçar desses laços é o desconhecimento. “Portugal e o Chile são parceiros que se conhecem mal ao nível económico e muito do nosso trabalho passa por abrir portas para que as empresas dos nossos países possam encontrar plataformas de negociação, não só nestes, mas também para as regiões onde estão inseridas, ou seja, América Latina e Europa”, explicou.

Outro país em destaque foi o México, representado por Catarina Encarnação, assessora da Câmara de Comércio Luso-Mexicana (CCILM). “A CCILM investe atualmente o seu principal esforço no programa Portugal Connect [programa de ações direcionadas para o mercado composto por várias missões empresariais e a participação em importantes feiras nos setores estratégicos no México, tais como indústria automóvel, educação, saúde ou aeroespacial]. Trabalhar numa Câmara de Comércio é nunca ter o telefone desligado, porque a qualquer hora pode surgir uma oportunidade para as nossas empresas, é um desafio permanente e estimulante”, referiu a assessora.

Danielle Xavier, responsável pelo setor Económico da Embaixada do Brasil, garantiu que, apesar de a “crise política que o país enfrenta afetar a sua imagem e economia”, existe já “uma certa maturidade do sistema democrático que permitirá superar a crise”, acrescentando ainda que “o país tem uma boa capacidade industrial, energia, petróleo e excelentes recursos naturais e humanos para se reerguer de novo e melhor”.

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