Antonio Carlos Zurita: “As cidades em rede podem influenciar as políticas internacionais”

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O diretor-geral da União de Cidades Capitais Iberoamericanas (UCCI), Antonio Carlos Zurita Contreras, esteve na Casa da América Latina (CAL), no âmbito da sua visita a Lisboa, no dia 5 de abril, para reunir com os representantes desta associação, nomeadamente a sua secretária-geral, Manuela Júdice.

Manuela Júdice referiu a importância da comunidade ibero-americana, estendendo o convite para a participação da UCCI em diversas actividades programadas pela CAL e a participação desta na programação de Lisboa, Capital Ibero-americana da Cultura 2017.

O encontro serviu para estabelecer um vínculo de cooperação entre os intervenientes, tarefa alargada a outras instituições visitadas por Antonio Zurita nesta deslocação e que se pretende estender às cidades e ao fortalecimento da unidade iberoamericana. Uma cooperação integral, bilateral ou trilateral, abrangendo os eixos social, académico, económico e estabelecendo uma relação com África, dando como exemplo uma possível participação conjunta no 4º Fórum Mundial de Desenvolvimento Local, a realizar em 2017 em Cabo Verde.

O que o levou a aceitar o cargo de diretor-geral da UCCI?

Aceitei o cargo na UCCI porque me parece ser uma plataforma de cidades muito interessante que une a América Latina com a Europa, tendo como protagonistas as cidades, cenários das grandes batalhas em favor do desenvolvimento sustentável no século XXI. Na minha trajetória profissional há um vínculo muito forte com as redes de cidades. Trabalhei em organismos internacionais que trabalham sobre o local, atuando no meio global.

Quais são as prioridades do seu mandato?

As prioridades durante este período são fortalecer as relações entre as cidades Iberoamericanas, uma relação integral – cultural, económica, educativa e institucional, para favorecer o bem-estar da cidadania. A relação entre as cidades busca encontrar boas experiências que sirvam para promover melhor o emprego, a economia social, a economia solidária, melhorar os instrumentos de mobilidade, de limpeza, enfim, todo o tipo de experiências que sirvam para melhorar a vida dos cidadãos.

Para além deste intercâmbio, o objetivo é também fazer com que as cidades unidas, que “jamais serão vencidas”, possam influenciar nas políticas internacionais, como é o caso da Organização das Nações Unidas e da União Europeia. Um bom exemplo pode desenvolver uma boa experiência para ajudar à cidadania, no entanto, quando atua sozinho, não consegue fazer com que esse bom comportamento se torne numa política nacional ou internacional. Trabalhando em rede é possível.

Como pretende fortalecer a relação entre a Península Ibérica e a América Latina?

Essa ponte pode se estabelecer através de diferentes ferramentas. A UCCI é uma, os Estados têm também o seu comité mundial de chefes de Estado iberoamericanos, os movimentos sociais também se reúnem em fóruns. O âmbito da UCCI é estabelecer o vínculo entre cidades, mas para que isso aconteça, os governos locais têm de ser acompanhados pelas suas organizações sociais, das suas empresas e das suas universidades, bem como gerar uma ligação entre meios de comunicação através destas redes.

Que tipo de relações deseja manter com organizações como a CAL?

Nós queremos ter uma relação. A CAL tem como missão estabelecer o vínculo entre Portugal e a América Latina e a UCCI tem como missão estabelecer o vínculo entre a Península Ibérica e a América Latina em termos de cidades. Assim, encontramos um ponto em comum: a relação entre cidades da Península Ibérica e da América Latina. A colaboração com a CAL pode ser feita de diferentes formas. Uma é a formação de recursos humanos sobre como fazer cooperação com esta região, outra é pôr em marcha programas de cooperação integral, impulsionando a relação entre empresas. Outra seria ainda colocar em relação as páginas web e a comunicação, para que a nossa mensagem chegue mais longe. Enfim, existem várias formas, que estamos neste momento a avaliar e a construir.

Esta visita a Lisboa teve também como objetivo fortalecer a relação com a União de Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA)?

A UCCLA nasceu um pouco depois da UCCI, no entanto, com o mesmo espírito. A UCCLA reúne as cidades lusófonas e a UCCI as cidades iberoamericanas. O trabalho que fazemos é muito semelhante, por isso queremos ter iniciativas em comum. Por exemplo, se a UCCI promove o galardão da Capital Iberoamericana da Cultura, a UCCLA pode também estabelecer a distinção de Capital Lusófona da Cultura. Se a UCCI impulsiona, ou impulsionará, a distinção iberoamericana da Gastronomia, a UCCLA também pode fazê-lo. E, para além disso, podemos por em relação as cidades da América Latina, da Península Ibérica e cidades lusófonas, por exemplo, de África.

Que espectativas tem em relação à Capital Iberoamericana da Cultura 2017 (Lisboa)?

Acredito que Lisboa se está a preparar com muita energia. Está a preparar um grande programa para 2017, e, no que toca à UCCI e às cidades que dela participam, estamos muito satisfeitos. Lisboa é uma cidade muito importante pela sua história, pelo seu presente e pela sua iniciativa. Pelo que já nos transmitiram na Câmara de Lisboa, o programa que está a ser preparado é muito intenso e pretendemos apoiá-lo completamente.

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