Uma organização para os Novos Europeus

Etiquetas: , , , ,
___________________________________________________________________________________

Numa altura em que a emigração mundial atinge valores recorde, há uma organização particularmente atenta à movimentação de jovens empreendedores por toda a Europa. Chama-se UNITEE e foi fundada em 2013 por Adem Kumcu – também ele um emigrante de nacionalidade turca e empreendedor – que se tem dedicado a identificar e apoiar aqueles a que a organização chama de Novos Europeus.

“Os Novos Europeus são empreendedores globais, que vivem na Europa e estão ligados a outros países além daquele onde vivem, muito pela origem não europeia dos seus país, o que lhes confere uma pluralidade cultural e linguística “Eles são o nosso principal activo e nós queremos ajudá-los a sentir-se em casa”, explicou Adem durante a sua visita à Casa da América Latina, no passado dia 8 de Junho, onde apresentou a UNITEE.

Numa conversa mediada pelo embaixador, e vice-presidente da CAL, Mário Lino da Silva e por Cristina Valério coordenadora económica e empresarial da Casa da América Latina, Adem Kumcu contou ainda que a UNITEE conta com uma vasta rede de 78 corporações internacionais, que compreendem mais de 1500 empreendedores. O objectivo é alimentar uma “troca de conhecimentos e experiências” entre os Novos Europeus e os seus homólogos mais experientes, potenciais mentores.

“A nossa aposta é na troca de conhecimento e no estabelecimento de parcerias e sinergias. Isto é, queremos juntar os novos empreendedores a alguns agentes já firmados, que conhecem o processo de emigração e fixação noutros países, para os ajudar a estabelecer-se”, explica Adeem.

Mas há um propósito maior na actividade da UNITEE além da integração. Adem Kumcu acredita que a crise que vivemos é mais do que financeira e, embora não fale claramente de uma crise de valores, acredita na necessidade de restabelecer um sentimento europeu. “A Europa precisa de um novo renascimento, que lhe permita reafirmar a sua capacidade de união”, explicou.

Com mais de 5 milhões de portugueses fora de portas, a diáspora lusa pode ter algo a dizer nesta revitalização. No mundo latino-americano (onde se destaca o caso venezuelano), esta é de enorme relevância, embora as oportunidades que apresenta sejam por vezes pouco aproveitadas. E enquanto as empresas portuguesas criam uma nova diáspora na América Latina, também a América Latina concretiza a sua na Europa: existem “Novos Europeus” de origem argentina, brasileira, venezuelana ou paraguaia que imprimem um ritmo diferente à realidade europeia.

No final da conversa, onde Adem Kumcu reconheceu precisamente que a “vitalidade latina é preponderante para a revitalização europeia”, ficou a promessa de promover uma conversa sobre as várias diásporas e a sua importância para o tecido económico e social em toda a Europa.