Testemunho de Madalena Patacho – Mochilão

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[Testemunho de Madalena Patacho, participante na partilha de experiências “Eu fiz o Mochilão na América Latina”, promovida pela CAL na Bolsa de Turismo de Lisboa]

“El Salvador, estás maluca?!”

Já se passou mais de um ano desde que sai de El Salvador e se alguém me pergunta algo simplesmente não me calo de emoção. Quando parti para a minha viagem pela América Central ia 100% segura que jamais passaria por El Salvador. Fora de questão! Claro que como em tudo na vida as surpresas aparecem sempre quando menos esperamos.

Estava numa noite relaxada no dormitório de um hostel em Antíngua quando recebo um email a dizer: “Vê lá que por aí onde andas há um surto de dengue…” Não tinha visto notícias, nem ouvido falar de nada então decidi informar-me perguntando alto: “Alguém sabe se aqui perto há um surto de dengue?” Três cabeças espreitaram lá do alto dos beliches e disseram: “Há sim, nas Honduras.” “Acabei de vir de lá e a coisa não está boa.” Isto não eram boas notícias, havia que fazer um ponto de situação e repensar os próximos passos. Honduras não seria boa ideia, assim sendo só restava uma opção El Salvador. E agora? Vou? Não Vou?!

Ao longo da viagem fui conhecendo pessoas que lá tinham ido e todas sem excepção adoraram. Mesmo assim, não sabia. As dúvidas persistiam. É curioso porque este país mudou muito nos últimos anos mas os viajantes têm dificuldade em acreditar que a sua experiência tenha sido real, dizem-nos: “não sei se tive sorte mas a mim não me aconteceu nada e adorei.” Vistas as opções e a situação pensei: seja o que tiver de ser…

A chegada não foi fácil, um país onde o turismo é escasso a informação não abunda. Sabia que havia um festival gastronómico e decidi apontar nessa direcção e com receio lá fui em direcção ao temido e desconhecido El Salvador.

Os primeiros autocarros não são muito fáceis, parecemos um E.T. as pessoas olham demasiado para nós o que pode ser desconfortável. Até que alguém toma a iniciativa e fala connosco. Estes são apenas olhares de curiosidade, de estranhar uma rapariga sozinha de mochila às costas por aqui, de onde vem? Para onde irá?

Escolhi por acaso o hostel Casa Mazeta onde fui recebida como se da minha família se tratasse. Em plena ruta de las flores encontrei o local a que chamei casa por um mês e meio. Em Juayúa todos os fins-de-semana há um festival gastronómico com várias especialidades, onde um prato com vários tipos de carne, batata, arroz, salada, camarão e outras iguarias bem saborosas nos custa apenas 5 dólares. Juntamos a boa música ao entretenimento, à alegria dos salvadorenhos e temos um prato cheio. Perto de Juayúa fica Concepción de Ataco, uma pequena vila com murais coloridos pintados nas casas que nos dão a sensação de andar a passear por um verdadeiro desenho animado. Uma vez por ano, em Setembro, cumpre-se uma tradição com mais de 200 anos, todas as casas e ruas de Ataco enchem-se de farolitos que iluminam com velas as suas ruas é o festival Los farolitos de Ataco. Fazem-se uns passeios pelas fincas de café, descendo sete cascatas pela floresta e a nossa passagem por este encantador país torna-se inesquecível.

Por tudo isto digo sempre: Vão a El Salvador! Mais que a gastronomia, as cores, a música, os vulcões, as praias da América Latina, El Salvador, são as pessoas. Boa gente que te diz um Hola com um sorriso, que atravessa uma cidade apenas para te ajudar, que se aproxima para saber de ti, do teu país e se gostas do seu, que quer praticar o seu inglês e deixar sempre uma mensagem de boas vindas: Que desfrutes El Salvador!

É assim que o que mais parecia uma loucura descabida passou a ser uma experiência inesquecível, a receita foi simples tal como em todos os países vizinhos há que ter cuidado, seguir as regras e o bom senso, mas mais que tudo há que abrir as portas a conhecer um novo mundo e desfrutar de El Salvador.

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