Estratégias para melhor negociar na América Latina

Etiquetas: , ,
___________________________________________________________________________________

“Não menosprezem a rede dos lusodescendentes quando pretendem internacionalizar a vossa empresa na América Latina. Podem oferecer-vos uma visão do mercado e contactos que mais ninguém dispõe”, afirmou Mário Lino da Silva, ex-Embaixador de Portugal na Venezuela e actualmente vice-presidente da Casa da América Latina, durante o café temático intitulado ‘Estratégias para melhor negociar na América Latina’ promovido pela CAL, no evento Portugal Exportador 2014, no passado dia 19 de Novembro no Centro de Congressos de Lisboa.

O Portugal Exportador é uma organização dos parceiros da CAL Fundação AIP, AIP-Câmara de Comércio e Indústria, AICEP Portugal Global e o associado Novo Banco, com o apoio da Associação Empresarial de Portugal. Na conversa organizada pela CAL, Juan Luís Kuyeng, conselheiro económico da Embaixada do Peru, explicou que nem sempre a estratégia das empresas portuguesas é a mais acertada na abordagem ao mercado: “se a intenção é só vender, dificilmente terão o apoio de uma Embaixada, pois esse não é o nosso papel. Mas se pretendem investir, encontrar um aliado estratégico, terão dois apoios: o nosso e o da AICEP. E essa é talvez a melhor estratégia de abordagem a um mercado na América Latina.

Diana Caicedo, da ProColômbia, alertou para a dimensão dos países: “a Colômbia mede 1,141,000 km2, o equivalente ao tamanho de Portugal, Espanha e França juntos. Só Bogotá tem 9 milhões de habitantes e na Colômbia existem outras 7 áreas metropolitanas com mais de 1 milhão de habitantes. Portanto, a estratégia pode não ser apostar no país inteiro, mas para algumas empresas a aposta pode ser ganhar numa cidade, como Medellín, Cáli, Barranquilla ou Cartagena das Índias.” Ou mesmo “apostar em um ou dois clientes. Além de que não há uma América Latina e sim várias”.

“Cada país é uma realidade. No sector farmacêutico [em resposta a uma das perguntas efectuada pela empresa United Healthcare] levar dois anos para registar um produto farmacêutico no Panamá é um tempo razoável, mas para outros ramos de actividade, como registrar um vinho que pode demorar mais de um ano e isso ser normal, pode não ser exequível para determinada empresa. A empresa acima de tudo tem de se preparar muito bem antes de se internacionalizar, recolher o máximo de informação existente e perguntar e insistir com as instituições para que lhe respondam ao que pretende, seja uma Câmara de Comércio, a AICEP ou a CAL” salientou a programadora económica da CAL, Cristina Valério.

Nesta 9º edição, da América Latina estiveram em destaque, em workshops temáticos, o Peru e a Colômbia. Miguel Crespo, delegado da AICEP para o Peru e a Colômbia, referiu a centralidade e a importância da capital Lima, no Peru, por oposição ao uma Colômbia onde diferentes cidades rivalizam entre si para atrair o máximo de IDE. Elogiou a organização, as reformas administrativas, fiscais efectuadas muito cedo no Peru, sugerindo que neste país “ a festa vai a meio, enquanto que na Colômbia está a começar”. Destacou igualmente as oportunidades no sector das infra-estruturas nos dois países, uma população jovem com formação superior e sobretudo deixou um alerta, para que não se tente internacionalizar à distância: “para trabalhar estes mercados é importante ir, estar, empenhar-se. Mas acredito, vale seguramente o esforço.”

Notícia relacionada do Diário Económico.
Consulte a galeria de fotografias do evento.