América Latina: Uma região com elevado potencial económico

[Texto exclusivo de José Manuel Botelho, da Espírito Santo Research, para a newsletter CAL Economia]

A América Latina continua a ser uma das regiões com maior crescimento no mundo. As empresas olham com crescente interesse para esta região, já que muitas economias estão no seu potencial máximo ou próximo dele; a inflação permanece, de um modo geral, baixa; o desemprego está em níveis historicamente baixos; as taxas de crescimento são elevadas; o mercado tem 586 milhões de habitantes; o ambiente para o investimento é favorável e existem oportunidades para investir nas infra-estruturas, no comércio e na indústria.

Os principais sectores para investimento nesta região são a indústria agroalimentar, a indústria mineira, a indústria petrolífera e o turismo. Esta região possui vastos recursos naturais. O Brasil tem enormes depósitos de minerais que incluem ferro, bauxite, manganês, cobre, estanho, urânio e ouro. O Chile é o maior produtor e exportador mundial de cobre. O Peru possui uma vasta área destinada à exploração mineira, mas são explorados apenas 3% do potencial mineiro. O México é um dos principais produtores mundiais de zinco, cobre e prata. A Venezuela tem uma das maiores reservas de petróleo e de gás natural no mundo.

Em 2012, o fluxo comercial entre Portugal e a América Latina ascendeu a 4 mil milhões de euros, com 1,5 mil milhões correspondentes a exportações de Portugal para a região e com 2,5 mil milhões relativos a importações de Portugal dessa região. Esta região é estratégica, tendo o número de empresas nacionais, que para lá exportam, aumentado 12%, passando de 2373 em 2011, para 2663 em 2012.

Neste contexto, o Espírito Santo Research identificou um conjunto de oportunidades de exportação para as empresas lusas, sendo as 10 principais:

  1. Automóveis de passageiros e outros veículos automóveis principalmente concebidos para transporte de pessoas e veículos automóveis para transporte de mercadorias;
  2. Partes e acessórios para tractores, para veículos para transporte de 10 ou mais pessoas, incluindo o motorista;
  3. Fios e cabos, incluídos os cabos coaxiais, e outros condutores, isolados para usos elétricos;
  4. Produtos laminados planos, de ferro ou aço não ligado, de largura igual ou superior a 600 mm, laminados a quente ou a frio, folheados ou chapeados, ou revestidos;
  5. Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos motores de pistão, não especificadas nem compreendidas noutras posições;
  6. Torneiras e válvulas (incluídas as redutoras de pressão e as termostáticas) e dispositivos semelhantes, para canalizações, caldeiras, reservatórios, cubas e outros recipientes, e suas partes;
  7. Assentos (excepto para medicina, cirurgia, odontologia ou veterinária, da posição 9402), mesmo transformáveis em camas, e suas partes, não especificadas nem compreendidas noutras posições;
  8. Pneumáticos novos, de borracha;
  9. Móveis e suas partes, não especificadas nem compreendidas noutras posições (excepto assentos e mobiliário para medicina, cirurgia, odontologia ou veterinária);
  10. Calçado com sola exterior e parte superior de borracha ou plástico (excepto calçado impermeável da posição 6401, calçado fixado em patins, para gelo ou de rodas, assim como calçado com características de brinquedo).

O actual momento de forte crescimento económico dos países da América Latina (a estimativa para 2013 é de 3,4%, superior à estimativa do crescimento mundial de 3,3%) e a necessidade de diversificação de mercados e de risco tornam a América Latina num destino privilegiado de exportações e de investimento.