Michelle Bachelet assume chefia de direitos humanos da ONU

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A ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, assumiu, no início de setembro, o cargo de alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

A dirigente, que governou o país de onde é natural em dois mandatos (2006-2010 e 2014-2018), foi a primeira mulher a ocupar a chefia do Estado chileno. Para além disto, foi, ainda, chefe da ONU Mulheres, ministra da Saúde (2002-2004) e a primeira ministra da Defesa (2000-2002) da história da América Latina.

Durante os seus mandatos presidenciais, Michelle Bachelet promoveu os direitos de todos, em particular, dos mais vulneráveis. Entre as suas muitas conquistas, destacam-se as reformas educativas e tributárias, a criação do Instituto Nacional de Direitos Humanos e do Museu da Memória e dos Direitos Humanos, a criação do Ministério da Mulher e Igualdade de Género, a implementação de quotas para aumentar a participação política das mulheres e a aprovação da Lei da União Civil, que concede direitos aos casais do mesmo sexo e, portanto, promove os direitos da comunidade LGBT.

Desde o início dos anos 90, Bachelet trabalha em estreita colaboração com inúmeras entidades internacionais. Em 2010, presidiu o Grupo Consultivo sobre o Nível Mínimo de Proteção Social, uma iniciativa conjunta da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Organização Mundial da Saúde (OMS). O objetivo do organismo era promover políticas para o crescimento económico e a coesão social.

Em 2011, a dirigente foi nomeada a primeira diretora da ONU Mulheres, uma instituição das Nações Unidas dedicada à luta internacional pela igualdade de género. O empoderamento económico e a eliminação da violência contra as mulheres foram duas das suas prioridades durante o tempo em que esteve à frente da agência.

Após o término do seu segundo mandato presidencial, em março de 2018, a chilena foi nomeada presidente da Aliança para a Saúde da Mãe, o Recém-nascido e a Criança, uma associação que reúne mais de mil organizações das comunidades dedicadas à saúde sexual, reprodutiva, materna, neonatal, infantil e adolescente de 192 países.

Como co-presidente do Grupo Diretor de Alto Nível da Iniciativa Todas as Mulheres, Todas as Crianças, Michelle criou o movimento Todas as Mulheres, Todas as Crianças da América Latina e Caribe, a primeira plataforma para a implementação regional e adaptada da estratégia global homónima.

Bachelet formou-se como médica-cirurgiã e especializou-se em pediatria e saúde pública. Também estudou estratégia militar na Academia Nacional de Estudos Políticos e Estratégicos do Chile e no Colégio Inter-americano de Defesa, nos Estados Unidos.

A nova chefe de Direitos Humanos vai liderar o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para o tema, conhecido pela sigla ACNUDH. A instituição foi criada em 1993. Bachelet é a sétima pessoa a dirigir a entidade.