As Abuelas de Plaza Mayo: 40 anos depois

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Entre 1976 e 1982, cerca de 30.000 argentinos foram dados como “desaparecidos”, e os seus filhos foram capturados pelas forças armadas do governo do país. As Abuelas – ou as avós – de Plaza Mayo recusam-se a esquecer o sucedido.

Em 1978, um bebé foi retirado da sua mãe, presa na Argentina. A junta militar, que à época governava o país, torturou e assassinou os seus pais. Após estes acontecimentos, o bebé ficou aos cuidados de leais partidários do regime.

40 Anos depois, este bebé, de seu nome Adriana, descobriu duas coisas: de quem descendia – através da realização de testes de ADN – e os esforços incansáveis ​​das Abuelas de Plaza Mayo. Esta argentina é a 126ª das cerca de 500 crianças sequestradas pelo Estado a descobrir a verdade sobre o seu nascimento e o horror do que a junta militar fez, não só aos seus, mas a milhares de pais.

Durante a “Guerra Suja”, entre 1976 e 1982, cerca de 30.000 argentinos, a maioria entre os 16 e os 35 anos, “desapareceram”. A junta pretendia remover toda uma geração de, segundo estes, subversivos. Os corpos da maioria nunca foram recuperados porque foram enterrados, queimados ou atirados ao mar. Estes pais foram punidos de forma geracional: o regime queria que os seus filhos não conhecessem nada a respeito dos seus pais e crescessem como parte da família do regime fascista. Algumas dessas crianças sequestradas foram abandonadas nas ruas ou em orfanatos; outros foram dados como recompensas aos oficiais e leais partidários dos generais, como é o caso de Adriana.

As Abuelas, corajosamente, começaram a protestar em Buenos Aires, corria o ano de 1977. Algumas destas avós, que começaram por ser conhecidas como “ Las Locas de Plaza Mayo”, também tiveram filhos e netos sequestrados pelo estado.

Ao longo dos anos, este grupo de corajosas mulheres juntou-se a antropólogos forenses para identificar os restos mortais das vítimas e revelar se as mulheres grávidas foram assassinadas antes ou depois do parto. Ajudaram, ainda, a criar um banco nacional de dados genéticos de parentes dos desaparecidos para que, mesmo após a morte dos seus pais, as crianças sequestradas – agora adultas – ainda pudessem descobrir a sua herança genética. As Abuelas estiveram por trás de uma grande campanha de media para alcançar os jovens, tendo como lema a pergunta: “Vos sabes quien sos?”.