O marketing em foco no investimento tecnológico mexicano em Portugal

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O Fórum México, Inovação e Tecnologia realizou-se no dia 10 de novembro, na Embaixada do México em Portugal, com o objetivo de discutir e analisar a estratégia para o desenvolvimento do setor das TIC no México. Esta iniciativa foi organizada no âmbito dos Encontros MXPT da Red Global MX – Capítulo Portugal, e na sequência do Web Summit, aproveitando a vinda de empresas mexicanas a Lisboa.

O Embaixador do México em Portugal, Alfredo Pérez Bravo, salientou que a Red Global MX – Capítulo Portugal tem tido um “enorme êxito”, sendo um projeto no qual deposita “muito orgulho”. Com 51 capítulos pelo mundo inteiro, a Red Global MX conta com 23 dos quais apenas nos Estados Unidos – “as razões não são novas, como sabem existem cerca de 36 milhões de mexicanos nos Estados Unidos. Em Portugal contamos com cerca de 600”, explica o embaixador, referindo que, no entanto, “esta comunidade duplicou-se nos últimos dois anos e meio”, facto que considera “estimulante”.

A Presidente da Red Global MX – Capítulo Portugal, Alina Di-Bella, salientou que encontros como este são “um pequeno exemplo do impacto que os mexicanos podem ter em Portugal”, dirigindo-se aos participantes, muitos dos quais estiveram presentes também no Web Summit. “Um dos objetivos desta rede é que se substitua a «fuga de talento», pela «circulação de talento», entre sociedades e países”, garantiu.

“O México é um dos países mais desenvolvidos em termos tecnológicos da América Latina. Tem uma vasta população jovem, tendo por isso tudo para ser um poplo de atratividade na região”, destacou a Coordenadora da Programação Económica e Empresarial da Casa da América Latina, Cristina Valério. A intenção de estreitar a ponte com Portugal é também, segundo a coordenadora, a de reforçar uma ponte para a Europa. “Lisboa é o lugar para estar, pelo seu dinamismo e abertura. Já que temos esta rede para vos ajudar, aproveitem, porque trabalhar sozinho não tem graça nenhuma”, referiu, dirigindo-se aos empresários.

 A técnica é só o primeiro passo

“A minha experiência diz-me que no início de carreira se despreza um pouco a parte de negócios, de marketing, porque estamos preocupados em fazer coisas (produzir). Mas, se não temos o marketing bem desenvolvido, não temos futuro. No final do dia acabamos por aprender isto através da experiência, mas é importante investir neste aspecto, que é cada vez mais importante”, explicou Mauro Parra, que está associado a projetos nas áreas de Assessoria de Engenharia, Serviços a Seguradoras e Estudos na Área da Saúde.

Eduardo Castañeda, da R&D Telecom – TWEVO Technologies, mexicano que está a trabalhar em Portugal há sete anos, afirmou que “em questões de tecnologia, o que se observa é que existe o investimento por parte de um conjunto de empresas em projetos com um orçamento, mas, muitas vezes, este só faz sentido no momento em que se realiza. A planificação nunca é a dez anos de antecedência. Parece-me um desperdício de recursos, que se observa também no México”. “Para além da visão técnica, é necessária uma visão de futuro, reforçou”.

Sendo que o mundo tem virado os olhos para Portugal, com eventos como o Web Summit e o crescimento exponencial de startups, Pedro Rocha Vieira, Co-Founder e CEO da Beta-i, sente a sua empresa é “parcialmente responsável pela promoção de um eco-sistema de inovação” português. O objetivo passa por apoiar empresas no seu processo de inovação em eventos como o Lisbon Investment Summit.

“O México é um mercado grande, onde é fácil fazer negócio, no entanto, a imagem que é projetada do país no estrangeiro poderia ser melhor. O efeito do Web Summit é também o de abrir as perspetivas sobre o que se passa noutros países”, referiu Pedro Rocha Vieira, acrescentando que “seria interessante trabalharmos mais juntos. Muitas pessoas têm visto Portugal como uma entrada para a Europa, mas nós também precisamos de entrar em novos mercados. Existe uma obsessão com Sillicon Valley e os Estados Unidos, que são mercados muito complexos e de difícil acesso, pelo que poderá ser relevante começar por abordar outros mercados mais pequenos”.

Yoann Nesme, Administrador e Co-fundador da PPL – Crowdfunding Portugal, vive há 14 anos em Portugal, e acredita que a aposta em modelos de crowdfunding é um caminho cada vez mais relevante, no que toca à promoção do investimento de risco, permitindo “mostrar a um potencial investidor que um produto tem lugar no mercado, porque foi já tem “clientes” que nele investirem o seu dinheiro através da plataforma”, salientou. Esta ferramenta permite ainda o desenvolvimento de uma cultura “menos conservadora” em relação ao investimento, que é mais notória na Europa, por oposição aos Estados Unidos.