Como se juntam 10 cidades, 13 companhias de 10 países, para 40 apresentações teatrais ibero-americanas?

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Entre teatro, dança, música, conversas, o FITA tornou o Alentejo nas sede do maior evento teatral do sul do país.

Não é de descentralização que falamos aqui, de alcançar dimensão fora dos grandes pólos urbanos portugueses. Trata-se, pelo contrário, da criação de uma nova centralidade. Durante o festival, o Alentejo “perde a sua condição de região periférica de Portugal e da Europa e torna-se o centro do teatro ibero-americano em Portugal”, nas palavras do diretor artístico do evento, António Revez. Nós pudemos comprovar.

Simone de Beauvoir revisitada pelo Uruguai, ou Dario Fo pelas Honduras, peças inéditas de Cuba e de Porto Rico, mesa redonda com o Teatro Meridional debatendo a colaboração para apoio a novas metodologias dramatúrgicas… De tudo isto foi feita a nossa passagem por Beja, para além do acolhimento em Lisboa.

Portugal, Argentina, Chile, Brasil, Porto Rico, Honduras, Uruguai, República Dominicana e Cuba, contribuindo para o alargamento do festival pelo território, alcançando diferentes públicos, durante a já sexta edição.

A receita parece quase simples: para além de acolher teatro ibero-americano, várias linhas-mestras se entrecruzam: promover o teatro português junto desse vasto território, colaborar com outros festivais, permitindo a circulação de criações portuguesas, promover nova dramaturgia, fomentar diálogo bilateral entre criadores dos vários países participantes.

Um espaço de entendimento e estranheza, de cumplicidade e diversidade, a prometer ainda mais.

Bernardo Vilhena