Prevenção da violência no Panamá – Paulo Machado

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[ A profissionalização dos recursos humanos do sistema educativo na prevenção das violências. O caso do Panamá. Testemunho de Paulo Machado na conferência Novas Estratégias para a Prevenção da Violência na América Latina ]

A dupla experiência pessoal, que me foi solicitado partilhar, inscreveu-se no Programa EUROsociAL II, cujo propósito se traduz em ações de cooperação “euro-latino-americana”, tendo por objetivo contribuir para o aumento da coesão social na América Latina. Esse compromisso, decorrente da participação do Fórum Europeu para a Segurança Urbana (FESU) como parceiro ativo do EUROsocAL II, materializou-se num conjunto de processos de capacitação dos recursos humanos para a prevenção social da violência no Panamá, realizados em 2014.

O relevo destas iniciativas residiu na capacidade de mobilizar pessoas com formação superior, altamente motivadas, dotadas de um humanismo proativo, fortemente inspirado nos quadros sociais, culturais e mentais da sociedade panamiana, com as quais se trabalharam competências técnicas para que venham a ser, também eles, atores e líderes de projetos de prevenção social das violências. O Curso (Diplomado) ministrado em 240 horas (presenciais e não presenciais) deve ser entendido na lógica da profissionalização dos recursos humanos do sistema educativo na prevenção das violências.

Uma realidade interpeladora

A importância destas iniciativas, nas quais participaram diversos peritos do FESU, ficou a dever-se à ampla adesão dos formandos, funcionários públicos e de agências de desenvolvimento, mas também do setor privado; justificando-se a sua oportunidade pela necessidade de enfrentar a dura realidade social vivida na América Central e do Sul.

No Informe Regional de Desarrollo Humano de 2013-2014, publicado pelo PNUD em novembro de 2013, intitulado Seguridad Ciudadana con rostro humano: diagnóstico y propuestas para América Latina, pode ler-se: “América Latina muestra hoy en día economías más fuertes e integradas, menos pobreza, democracias más consolidadas, así como Estados que han assumido mayores responsabilidades en la protección social. Pero, el flanco débil de la región es la violencia, el crimen y la inseguridad. En la última década la región ha sufrido una epidemia de violencia, acompañada por el crecimiento y difusión de los delitos, así como por el aumento del temor entre los ciudadanos” (V).

A formação como oportunidade emancipatória

Escrever sobre a atualidade do tema da violência por via das estatísticas criminais é bastante mais fácil do que qualquer modesta aproximação ao terreno. O Panamá não se apresenta ao europeu como um país violento, ameaçador, perigoso. Mas não deixa de ser uma sociedade que incorpora na sua estrutura social clivagens e tensões geradores de múltiplas violências. Este país, porventura como muitos outros, é sem dúvida uma realidade bem mais perigosa para quem nele vive do que para quem o visita.

Assumiu-se formalmente “Contribuir a la formación de docentes que comprendan los objetivos, los principios y las dinámicas de la prevención social de la violencia y adquieran la capacidad de facilitar y transmitir instrumentos y habilidades para identificar y resolver problemas complejos de manera integral, multidisciplinaria y multifactorial en colaboración con actores diversos, para promover la seguridad y la cultura del respeto a los otros” (retirado dos documentos-base da formação).

O conceito científico e técnico de intervenção comunitária, e a estratégia de capacitação de recursos humanos para a concretizarem, seja através de uma profissionalização sugerida pela formação universitária, seja pela formação contínua, são recursos válidos e oportunos para a apoiar a prevenção social das violências.