Start-Up Brasil: acelerando o País na história

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[Texto redigido por Mario Vilalva, Embaixador do Brasil em Portugal]

Em 8 de março de 1808, a Família Real portuguesa chegava ao Rio de Janeiro naquele que seria um dos mais importantes episódios da história do Brasil. Além dos numerosos desdobramentos econômicos e políticos que a transferência da Corte acarretaria, a data simbolizava também o início da produção científica no Brasil. De colônia com população majoritariamente analfabeta, sem universidades ou centros de investigação, o País passaria a contar, gradualmente, com Faculdades, Escolas profissionalizantes e Bibliotecas.

Mais de 200 anos depois, o cenário é bastante diferente. Hoje, o Brasil é referência na produção de conhecimento em vários setores. Todavia, ainda há muito por fazer. E é nesse espírito que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou, em novembro de 2012, o Programa Nacional de Aceleração de Startups, mais conhecido como Startup Brasil. O Programa é um dos pilares do Plano “TI Maior”, que visa a fortalecer os setores científico, tecnológico e econômico do País ligados às Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), sobretudo o de softwares e serviços de TI, estimulando a ampliação da base tecnológica, a consolidação de ecossistemas digitais e o surgimento de um ambiente favorável à pesquisa, ao desenvolvimento e à inovação tecnológica em TIC.

O objetivo central do Startup Brasil é estabelecer parcerias com as chamadas “aceleradoras de empresas”, conectando-as às startups promissoras, com vistas a fomentar o desenvolvimento de empresas nascentes de base tecnológica e, por essa via, gerar inovação e novas tecnologias que atendam à sempre crescente demanda do mercado global. O Governo brasileiro destinou cerca de R$ 40 milhões (EUR 10 milhões) para a iniciativa apenas no período entre 2012 e 2015.

As edições do Startup Brasil têm, cada uma, duração de um ano. Nesse período, são lançadas chamadas públicas para qualificar e habilitar tanto as aceleradoras quanto as empresas a serem beneficiadas pelo programa. As inscrições são abertas a startups com até quatro anos de existência, das quais 25% podem ser estrangeiras.

Durante o período de aceleração, que dura até um ano, as startups selecionadas têm acesso a até R$ 200 mil (EUR 50 mil) em bolsas de pesquisa e desenvolvimento destinadas aos profissionais envolvidos em seus projetos, muitos dos quais também participam de diversos eventos e atividades promovidas pelo Programa para capacitação técnica e aproximação a clientes e investidores, no Brasil e no exterior, particularmente no Vale do Silício, principal pólo tecnológico dos EUA. Adicionalmente, as startups recebem investimentos financeiros das aceleradoras e têm acesso a serviços como infraestrutura, mentorias e capacitações em troca de um percentual de participação acionária. Ao lado das aceleradoras, gestores do Programa fazem acompanhamento periódico das empresas.

Na história, são notáveis e valiosos os avanços que o Brasil obteve em sua produção científica desde 1808. Não há dúvidas, porém, de que, com a dedicação e o empenho conferidos aos temas de Ciência, Tecnologia e Inovação, o País poderá acelerar ainda mais o ritmo de resultados, produzindo conhecimento, auxiliando empreendedores e pequenos negócios e, assim, oferecendo ao mercado global as soluções tecnológicas de que ainda necessita.