Gastão Cruz recebeu Prémio CAL/Grupo Lena

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O poeta Gastão Cruz recebeu na passada sexta-feira, dia 19 de Junho, o Prémio Casa da América Latina/Grupo Lena 2015 de Tradução Literária. O português foi distinguido pelo seu trabalho na obra Troquei a minha vida por candeeiros velhos, do colombiano Léon de Greiff, editado em 2014 pela Abysmo.

A cerimónia foi presidida pela secretária-geral da Casa da América Latina Manuela Júdice, o CEO do Grupo Lena Joaquim Paulo Conceição, e o presidente do júri do Prémio de Tradução Literária Miguel Serras Pereira, que nas suas intervenções enalteceram a nobreza do trabalho de tradução de Gastão Cruz. “É sempre um acto de generosidade o trabalho de tradução e mais o é quando o tradutor é um poeta”, disse Manuela Júdice.

No seu discurso, Joaquim Paulo Conceição traçou mesmo um paralelismo entre a tradução e a expansão de uma empresa para um novo país, já que isso implica “a descodificação e assimilação de uma língua e culturas diferentes”. Já Miguel Serras Pereira enalteceu a capacidade que a tradução tem de repetir “a própria invenção da linguagem”.

Convidado a tomar a palavra pouco tempo depois, Gastão Cruz agradeceu o reconhecimento do júri por aquele que foi um dos maiores desafios que enfrentou. “A tradução obriga a uma participação muito consciente da parte do tradutor, quase como se fosse um autor. Por isso e por ter uma poesia muito diferente da minha, o Léon de Greiff foi um dos maiores desafios que enfrentei enquanto tradutor”, explicou.

“Foi um trabalho exaustivo e que demorou quase um ano a terminar, mas retrospectivamente estou muito feliz com o que consegui”, acrescentou o poeta antes de agradecer à Casa da América Latina, ao Grupo Lena e ao júri a atribuição do Prémio.

Gastão Santana Franco da Cruz nasceu a 20 de Julho de 1941 em Faro. Ao longo da sua carreira destacou-se como poeta, crítico literário e encenador. Ao longo do seu vasto percurso literário assinou obras como A Morte Percutiva, A poesia Portuguesa Hoje (1973), Campânula (1978), As Pedras Negras (1995), Crateras (que recebeu o Prémio D. Dinis em 2000) ou A Moeda do Tempo, (galardoado com o Prémio de poesia do PEN Clube Português em 2007).

Traduziu ainda obras de William Blake, Jean Cocteau, Jude Stéfan e Shakespeare, tendo sido um dos fundadores do Grupo de Teatro Hoje, para o qual encenou peças de Crommelynck, Strindberg, Camus ou Tchekov. Algumas delas foram, pela primeira vez, traduzidas para português pelo poeta.

O Prémio de Literatura é atribuído anualmente pela Casa da América Latina e pelo Grupo Lena, alternando entre a Criação Literária e a Tradução Literária. Com a sua criação, a Casa da América Latina assume os objectivos de contribuir para incentivar a edição em Portugal de obras de autores latino‐americanos e estimular a qualidade das suas traduções.

Em 2009, o Prémio de Tradução Literária premiou Hélder Moura Pereira pela tradução de O inútil da família, do chileno Jorge Edwards. Em 2011 foi a vez de Cristina Rodriguez e Artur Guerra serem distinguidos pelo trabalho feito em 2666, do chileno Roberto Bolaño.

Discurso do presidente do Júri, Miguel Serras Pereira

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