Entrevista a Luisa Alegre a propósito do projecto VALE

Luisa Alegre nasceu no Peru , e vive em Portugal há 22 anos. É professora de dança, e no passado dia 26 de Setembro esteve na Casa da América Latina para falar sobre VALE, um trabalho da coreógrafa Madalena Vitorino, que recebeu em 2010 com o prémio SPA/RTP para a melhor coreografia. Foi com alegria que nos falou sobre este trabalho e sobre os seus projectos futuros.

[Entrevista de Alba Sueiro]

O que é VALE e qual é o seu objectivo? Trabalhado do ponto de vista da pesquisa, não artística no campo educacional, decorre da necessidade de capturar e gravar o que estava a acontecer no mundo interior das pessoas que trabalharam no projecto VALE, um projecto de comunidade através da dança.

Quem participou e dançou no VALE? Percebi que VALE era um projecto inclusivo, ou seja, que juntava bailarinos profissionais com pessoas de uma dada comunidade. Neste caso a comunidade era oriunda de Lisboa, mas também participaram estrangeiros e gentes de outros lugares de Portugal. Foi muito interessante ver como funcionava esta diversidade de pessoas em conjunto. Foi apresentado em Lisboa, em Abril de 2001, e depois esteve em Santarém, no Porto, no Algarve e numa cidade em França. A particularidade deste espectáculo é a sua capacidade de viajar de cidade em cidade.

Madalena Victorino afirma que “a dança é um texto de emoções feitas através de acções “. Está de acordo com esta formulação? Concordo. Eu sou fã de Madalena Victorino. Posso dizer que é mestre e que é uma pérola. Madalena é uma referência forte no mundo da dança, não só em Portugal, mas também, acho eu, noutras partes do mundo. O seu trabalho é muito forte.

Como é que o seu trabalho é influenciado por Madalena Vitorino? Eu estava a realizar uma pesquisa sobre o ensino de dança nas escolas. Soube do projecto e inscrevi-me no VALE como bailarina profissional, pois queria sentir no corpo a arte de um coreógrafo como Madalena. Queria conhecê-la e estar perto. Eu não lhe disse que realizava uma investigação, mas no terceiro dia a vivência foi tão forte que eu pensei que não podia ficar indiferente. Tinha de arranjar forma de saber o que estava a acontecer no nosso mundo interior e colocá-lo cá fora. Falei com ela e perguntei se era possível. A sua recepção foi positiva, não havia problema. Foi muito boa a sua abertura a uma estrangeira.

Por que diz que VALE está em constante evolução? Porque viaja de um lugar para outro . Adapta-se a cada situação e, em seguida, evolui. Não permanece preso em si mesmo. Não é estático, não está parado. Inclui as pessoas, a sua cultura e a sua cidade. E essa versatilidade faz-se sempre em metamorfose. O que não estava em Santarém, esteve em Lisboa, e o que aí não esteve, encontrou-se em Paris.