Brasil – Uma grande experiência

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O grupo Vila Galé iniciou a sua atividade em 1986 e abriu a sua primeira unidade na praia da Galé, em Albufeira, no Algarve em 1988. Até 2000 foi desenvolvendo o seu plano de expansão concentrado em Portugal com unidades no Algarve, Lisboa e Porto.

Já com 10 hotéis em operação e uma estrutura sólida, o grupo Vila Galé iniciou o seu processo de expansão internacional e iniciou a construção de uma unidade no Brasil, que culminou em outubro de 2001 com a inauguração do hotel Vila Galé Fortaleza.

A opção pelo Brasil resultou da constatação do elevado potencial turístico da região com excelentes condições climáticas, bonitas paisagens naturais, gastronomia, cultura e simpatia das pessoas. O país tinha na altura um défice de resorts de praia com qualidade e pouca captação de turistas internacionais, em especial da Europa. A TAP estava também na altura a iniciar o seu plano de desenvolvimento de rotas para o Brasil e como tal existia um potencial acrescido de captação de novos mercados.

Outro dos atrativos identificados foi o facto de permitir um plano de expansão de longo prazo com o desenvolvimento de resorts noutros estados e desenvolver também o turismo de cidade com implantação nas principais cidades do país.

Foi efetivamente o que se verificou até à presente data, contando hoje com 9 unidades no Brasil, com 3 hotéis de cidade (S.Paulo, Rio de Janeiro e Salvador) e 7 hotéis de resort (2 em Fortaleza, 1 na Bahia, 1 em Pernambuco, 1 em Rio Grande do Norte, 1 em Angra dos Reis). Estamos neste momento a construir um novo resort All inclusive no estado de Alagoas e como tal iremos atingir em 2022, 10 unidades hoteleiras em 6 estados diferentes.

Em 2021, o grupo Vila Galé celebrou 20 anos de presença no Brasil e o balanço global da operação é bastante positivo, embora com registo de dificuldades naturais na adaptação à cultura, conhecimento do mercado, complexidade jurídica e burocracia, problemas de infraestruturas de suporte, logística e comunicações.

Em 2020, o mundo foi confrontado com o fenómeno da pandemia que causou uma das maiores perturbações de que há memória na livre circulação de pessoas e no turismo mundial, com forte impacto nos sectores de transporte aéreo e hotelaria.

À semelhança do que se verificou em Portugal, embora com ligeiros desfasamentos em termos de calendário, a operação no Brasil também foi seriamente afetada e conduziu ao encerramento de todas as unidades entre março e agosto de 2020 e uma quebra total de faturação. No último trimestre de 2020 o mercado interno brasileiro voltou a abrir e a operação até janeiro de 2021, permitiu recuperar uma parte das perdas, tendo o ano de 2020 terminado com uma quebra de 50% nas receitas face a 2019.

Em 2021, o ano ainda sofreu bastantes perturbações entre fevereiro e agosto, mas a partir de setembro e até final do ano, as taxas de ocupação e receitas atingiram os valores de 2019 e o ano de 2021 no Brasil, terminou com um decréscimo de 10% face a 2019, o que foi substancialmente melhor do que o resultado registado em Portugal que ainda assim em 2021 registou uma quebra de cerca de 50% face a 2019.

A gestão durante a pandemia foi dos maiores desafios sentidos em toda a minha carreira, e obrigou a uma adaptação grande nos modelos de gestão, há necessidade de redefinir novos procedimentos de higiene e segurança nos hotéis, à adaptação diária dos fluxos de venda e procura e gestão das emoções das equipas.

Acreditamos sinceramente que estamos a chegar ao fim deste ciclo e que a partir de março/abril de 2022, a situação da pandemia estará controlada e o turismo poderá retomar o seu vigor e voltar a crescer e a ser um dos motores da economia mundial.


Gonçalo Rebelo Almeida, Administrador do Grupo Vila Galé