Miguel Gomes da Costa: “há relações importantes entre Portugal e México, e nós queremos dinamizá-las ainda mais”

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Entrevista com o Eng. Miguel Gomes da Costa, da Câmara de Comércio e Indústria Luso-mexicana, no âmbito do Portugal Exportador 2021


– Estivemos aqui a assistir ao café temático organizado pelo México, e ouvimos muitos números. Provavelmente não vamos poder falar de todos eles mas, para quem não conhece estas relações comerciais entre Portugal e o México, podemos dizer que estão de boa saúde, apesar do impacto da pandemia, e que, acima de tudo, há trocas interessantes em vários setores, certo?

É verdade! Eu, quando a câmara arrancou há uns anos largos, porque a câmara já tem 17 anos, eu dizia que o México para os empresários portugueses era quase um mercado desconhecido, um mercado muito grande. Havia a ideia, que é verdade, que o peso cultural de Espanha é muito grande e depois havia a outra questão, que é a relação comercial muito importante entre o México e os Estados Unidos. E, portanto, havia realmente a ideia de que era um mercado muito difícil de entrar. Isso foi progressivamente diminuindo, esse tipo de impressão, designadamente com a entrada de grandes grupos portugueses no mercado mexicano. Eu falei no grupo Mota-Engil, que tem tido um desenvolvimento na área das infraestruturas muito grande, mas também, como referi durante o café temático, a EDP Renováveis que está com uma grande atividade no México. Depois, há muitas PMEs, designadamente médias empresas, que estão a entrar também no mercado mexicano em setores onde Portugal tem algumas vantagens competitivas. 

– Em que áreas?

Foi por isso que a Câmara iniciou um projeto que arrancou este ano, ligado a três setores: ao setor dos moldes, máquinas, ferramentas e plásticos. E, portanto, é um projeto que, como eu disse, arrancou, e já estivemos numa feira virtual. Na semana de 21 a 23 de novembro vamos receber cá uma missão de responsáveis de instituições mexicanas, designadamente, o Presidente da Associação de Moldes mexicano, o Presidente da Associação dos Plásticos mexicano, a Diretora do Conselho Mexicano para o Comércio Externo, e também de um colega seu na área da comunicação, um homem muito ligado a revistas destas indústrias no México, que vem cá visitar empresas portuguesas e realmente conhecer o “state of art” destas empresas em Portugal.

– Para explorar possibilidades de negócio?

Para explorar, para divulgar a tecnologia portuguesa nestes setores no México, e tentar realmente desenvolver as relações comerciais. Porque o México é um grande importador de máquinas, ferramentas, do que eles chamam os “tooling”, e, designadamente na área dos moldes, já há relações importantes entre Portugal e o México, e nós queremos dinamizar ainda mais esse tipo de relações.

– Portanto, resumindo: Mota-Engil, infraestruturas; EDP Renováveis, energias; Moldes e plásticos, setor automóvel…

GNL, Simoldes, há um conjunto muito grande de médias empresas. Porque aquilo é um mercado muito grande e que, portanto, eu digo sempre que há lugar para todos. É evidente que os Estados Unidos têm uma vantagem comparativa enorme, estão ali ao lado, mas eu julgo que as médias empresas, com boa estrutura técnica e de pessoal, têm um mercado extremamente interessante na América Latina para poderem entrar ou poderem desenvolver os negócios.

– Deu-nos uma noção do que são os números de negócio entre Portugal e o México, a queda que sofreram devido à pandemia, mas queria que nos dissesse agora quais são, resumidamente.

Como disse no Café Temático, quando estávamos no final de 2019, nós tínhamos tido como previsão que as trocas comerciais entre Portugal e o México podiam, no espaço de 3, 4 anos, atingir os mil milhões de euros. Isto porquê? Porque entre 2015 e 2019 as trocas comerciais cresceram entre 13 a 14% e, portanto, por aquele ritmo, e elas estavam em cerca de 600 milhões de euros naquela altura, em 3, 4 anos estaríamos a atingir uma meta interessante, que já eram os mil milhões de euros. 

Infelizmente, o ano de 2020 veio realmente atrasar essa previsão, porque houve realmente uma queda importante. Em 2020, as trocas comerciais terão atingido um valor um bocadinho abaixo dos 400 milhões. Mas, de qualquer modo, esperamos que esta recuperação nos permita, dentro de 3 ou 4 anos no máximo, talvez atingir a tal barreira dos mil milhões, o que transformaria o México já num mercado, que é o segundo mercado mais importante para nós na América Latina, mas já muito mais próximo do Brasil, que é o nosso primeiro mercado mais importante.


Entrevista realizada por Raquel Marinho