Hermann Aschentrupp: “O México tem vantagens no setor agropecuário”

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Entrevista com o Embaixador do México em Portugal, Hermann Aschentrupp, no âmbito do Portugal Exportador 2021


– O México organizou um café temático no Portugal Exportador dedicado às relações comerciais entre Portugal e o México. Foram revelados muitos números, muitos dados, se calhar não podemos deter-nos em tudo isto mas, resumidamente, podemos dizer que as relações comerciais entre Portugal e o México estão bem de saúde e a crescer, certo?

Sim. Infelizmente, atravessámos a pandemia e esta não permitiu que o comércio bilateral crescesse mais, mas até 2019 ia bem, digamos, em termos de crescimento, como diz o Presidente da Câmara (de Comércio e Indústria Luso-Mexicana). Agora vamos ver, com a recuperação económica, como pode afetar o comércio bilateral. Mas há um desafio muito forte para o comércio internacional geral e para o comércio bilateral que é todo este problema que temos de escassez, por exemplo, de semicondutores para a indústria automóvel. Todo este problema de aumento importante dos custos de transporte. Não existem ‘containers’ ou, se existem, estão onde não deveriam estar, e então não se pode transportar mercadorias, e isso faz com que os preços aumentem. Temos também o problema do aumento dos preços internacionais de energia, que afeta também o comércio internacional e bilateral entre México e Portugal. Então, temos desafios muito importantes à nossa frente, dos dois países, que devemos enfrentar e ver como podemos superar para que o comércio continue a crescer.

– O representante da Câmara de Comércio e Indústria Luso-mexicana, além de falar das relações de Portugal com o México, referiu a importância dos Estados Unidos para a economia mexicana com números, de facto, muito impressionantes. Para quem não conhece, quais são as áreas privilegiadas de negócio entre Portugal e o México?

Por exemplo, a indústria automóvel, porque o México produz uma quantidade importante de carros. Antes da pandemia produzíamos quase 4 milhões de carros, exportávamos quase todos para diferentes países, a maioria para os Estados Unidos, e a indústria portuguesa, as pequenas e médias empresas portuguesas tiveram muito êxito a inserir-se nas cadeias de valor da indústria automóvel, sobretudo as fabricantes alemãs. Então, estabeleceram-se no México e investiram, por exemplo, em empresas portuguesas que produzem cadeiras para os carros de alta gama da indústria alemã. Outro exemplo é a a indústria dos moldes de plástico, velocímetros, que também exportavam desde Portugal. É um setor muito importante – plásticos, automóveis -, onde as empresas portuguesas podem ter uma oportunidade, mas também o setor da logística, como a Rangel, que se estabeleceu no México porque viu no nosso país um ponto importante para o desenvolvimento dos serviços de logística e distribuição.

– Para terminar, este evento chama-se Portugal Exportador, que tem precisamente a ver com a exportação de Portugal para outros países . Se pensarmos ao contrário, o que é que o México pode trazer para Portugal?

Bom, vamos ver. Por isso é que vêm os empresários mexicanos para explorar o que podemos fazer aqui. Acho que no setor agropecuário nós temos algumas vantagens, alguns produtos que podemos exportar para cá que não são produzidos aqui, ou produtos agropecuários mexicanos em que a qualidade é muito boa, por exemplo. 

Vamos ver também a possibilidade de podermos exportar carros, mas isso também depende do acordo de livre comércio que temos com a União Europeia, porque é um marco legal institucional que regula as relações comerciais do México com os estados membros. Vamos ver o que se pode fazer aqui, porque é um mercado que interessa os exportadores mexicanos.

– Mas há essa intenção, não é, por isso vão organizar uma Missão?

Sim claro, há essa intenção.


Entrevista realizada por Raquel Marinho