O Atlântico Sul na competição entre as grandes potências

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A importância económica e geoestratégica do Atlântico Sul é inegável, tanto para o fluxo comercial como para a exploração económica e para os sistemas de comunicações globais via cabos submarinos. A agenda ambiental na região está em fluxo e as preocupações com atividades criminais são muito significativas. Os Estados Unidos, diversos países da OTAN e a China partilham desta perspetiva. A presença da China e de países da OTAN na região é bastante óbvia. Ademais, EUA e Grã-Bretanha estão presentes militarmente na ilha de Ascensão, nas Malvinas e na Geórgia do Sul. 

Em 2009, o governo americano reativou a IV Frota, subordinada ao Comando Sul dos Estados Unidos, que tem como “área de responsabilidade” o Atlântico Sul e o Caribe. A China por sua vez vem avançando a sua capacidade marítima global e investimentos em infraestruturas associadas à circulação marítima e no final do ano passado realizou o primeiro exercício naval com a Rússia e a África do Sul na área marítima adjacente a este país.

A China é desde 2009 o principal parceiro comercial brasileiro e da Argentina desde o final de 2019, desbancando o Brasil pela primeira vez na história. O gigante asiático tem sido ainda o maior parceiro comercial da África por dez anos consecutivos e um parceiro estratégico da África do Sul. A China tem investido fortemente em infraestruturas relacionadas com o poder marítimo, especialmente em portos, de forma a garantir o fluxo de comércio necessário ao seu desenvolvimento.

Diante da complexidade de relações no Atlântico Sul, como será o Brasil capaz de desenvolver uma estratégia própria, ao mesmo tempo baseada na cooperação internacional, visando elaborar o melhor caminho para a realização dos interesses brasileiros? No atual enredo, o Brasil parece querer reanimar a combalida ZOPACAS, apesar da atual dificuldade de administrar de forma eficiente o seu relacionamento com os EUA e a China”.


Artigo de Ruy de Almeida Silva (Almirante e membro do Grupo de Avaliação da Conjuntura Internacional da Universidade de São Paulo – GACINT -USP) e Monica Herz (Professora do Instituto de Relações Internacionais da PUC-RIO) ao Diário de Notícias.

Artigo completo: Diário de Notícias