O Mar dos Encontros: Concerto de Ana Vassalo na Casa da América Latina

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29 de março
21h30
Auditório da Casa da América Latina
Entrada: 10€ (não possuímos multibanco)

“… Onde começa a música Portuguesa? Onde começa e acaba a Brasileira? Ou Espanhola? Ou Mexicana? A música não conhece fronteiras… é a música dos encontros entre as duas margens.”

A Ana vai estar na Casa da América Latina no final deste mês de Março para um concerto com o nome “O Mar dos Encontros”. O título é o nome do seu álbum mas gostaria que nos dissesse por que razão ele foi escolhido. Qual é o alcance musical deste conceito?

Esta proposta musical começa no Atlântico, este mar de encontros e despedidas, mil vezes navegado, o mar que embala os sonhos e alimenta a esperança. Corações Ibéricos, aventureiros, que ainda recordam os primeiros barcos que saíram à procura da outra margem. E a outra margem ergueu-se exuberante e mágica. Essa terra tão longínqua e tão próxima a que o destino pôs o nome de América, e Latina devido a essa língua de origem comum, onde o que nos une é muito mais do que o que nos separa.

Neste concerto, desejamos expressar essas emoções e aventuras. A mistura das línguas e de ideias, e a música como expressão do encontro das almas, das paixões e dos corações… Onde começa a música Portuguesa? Onde começa e acaba a Brasileira? ou Espanhola? ou Mexicana? A música não conhece fronteiras. É a música dos encontros entre as duas margens.

Sendo então uma proposta abrangente, o que se pode esperar deste encontro no dia 29 de Março?

Neste concerto apresentaremos várias canções originais de Julio Garcia com letras de Carmen Ros, do álbum VASSALO-ATLÂNTICA as quais refletem muitos destes sentimentos comuns a estas almas navegantes. E como não podia deixar de ser, propomos também um repertório já consagrado e por nós com tanto desejo interpretado, de canções Latino Americanas como “Volver”, “Alfonsina y el Mar” entre outros.

A Ana vive em Espanha mas canta em português. Só em Português? Porquê?

Realmente na minha actividade profissional tenho cantado em muitas línguas, uma vez que me tenho dedicado principalmente ao canto lírico desde muito jovem até hoje. Vivi 10 anos entre a Áustria e a Alemanha, onde tive oportunidade de cantar Ópera e também de fazer concertos vários em países como Itália, Inglaterra, Polónia, Portugal, e naturalmente Espanha onde vivo.

Este projeto diferente e com raízes mais populares, responde a um profundo desejo de cantar outros estilos e cantar em português. Tive a imensa sorte de conhecer o Julio García e a Carmen Ros, grandes apaixonados da cultura Luso/Brasileira e da língua portuguesa. O Julio começou a compor canções pensadas para a minha voz e a Carmen inspirada em experiências comuns, pôs letra nessas melodias. Nesta ocasião em Lisboa, cantarei também em espanhol, língua que falo há pelo menos 30 anos.

Como sente que o seu trabalho é recebido no país vizinho?

Em Espanha as pessoas estão muito abertas à cultura portuguesa e especialmente à nossa música, gastronomia e viajam com frequência a Portugal. Já la vão os tempos em que nos dávamos as costas…

A resposta do público tem sido muito positiva e efusiva.

Procura, com o seu trabalho, juntar dois mundos? Quais e porquê?

Não sinto que tenha sido essa a primeira intenção, no entanto é a consequência natural e directa dos tempos em que vivemos onde cada vez mais pessoas têm um desejo de comunicação intercultural, deixando de lado as fronteiras e dando prioridade às emoções que nos unem como seres humanos. A intenção è expressar beleza, encontro entre expressões artísticas diferentes e no entanto próximas, convidar à “união” em vez de “separação”.

O que diria às pessoas que não a conhecem profissionalmente. Como lhes descreveria o que podem esperar do concerto na Casa da América Latina?

Somos um trio composto por um guitarrista, Julio Gracía também compositor e produtor musical, Beatríz Perona, violoncelista de formação clássica, e eu que como já disse venho também do canto lírico apesar de que neste projeto adaptar a minha voz ao estilo da música.

Sinto que temos uma sonoridade muito própria, não comparável com outros estilos…uma música que fala de suavidade, profundidade, mas também de energia e força. É música que sai directamente da alma.

Além disso, temos o enorme prazer de contar com a colaboração do meu irmão Manuel Lourenço, músico multidisciplinar e actor, que interpretará alguns temas dando assim ainda mais riqueza musical e emocional a este concerto.

Entrevista realizada por Raquel Marinho