Dia Mundial da Poesia: Seda Densa – Antologia de Poesia Ibero-americana no Feminino

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Chamámos-lhe Seda Densa, título que nasce a partir de um verso de Margarida Vale de Gato, uma das poetas antologiadas.

É uma antologia no feminino que tem como fio condutor os temas do amor, da memória e do esquecimento, e que reúne 20 mulheres poetas de 20 países ibero-americanos. Algumas são contemporâneas do nosso tempo, outras contemporâneas de todos os tempos porque escreveram versos que ficarão na memória coletiva, apesar de já não se encontrarem entre nós.

O trabalho poético que desenvolveram expressa a importância que representam nas vozes literárias dos seus países mas também no mundo. A antologia digital ficará disponível no próximo dia 21 de Março, Dia Mundial da Poesia.


Alfonsina Stormi – Argentina

“Sabéis cómo se viaja hasta el país del sol?…”

Nasceu na Suíça em 1892 e morreu na Argentina em 1938. Trabalhou como costureira, operária, atriz e professora. Foi autora de obras de poesia, teatro, teatro infantil e ensaio. Morreu aos 46 anos.


Yolanda Bedregal – Bolívia

“Nuestra Mama Usta há muerto.”

Yolanda Bedregal foi uma poeta e romancista boliviana conhecida como “Yolanda da Bolívia”. Nasceu em 1913, em La Paz, e morreu em 1999. Filha de um dos grandes representantes do modernismo na Bolívia, Juan Francisco Bedregal, publicou o seu primeiro livro de poemas aos 20 anos. Estudou na Academia de Belas Artes de La Paz e na Universidade de Columbia, Nova Iorque, Estados Unidos. Foi distinguida com vários prémios do seu país e estrangeiros.


Adélia Prado – Brasil

“O que a memória ama fica eterno”

Adélia Prado (n. 1935) é uma poeta, professora, filósofa e contista brasileira ligada ao modernismo. Professora de formação, deu aulas durante mais de 20 anos até fazer da atividade de escritora a profissão a tempo inteiro. Formada em filosofia, está traduzida para inglês e espanhol e venceu vários prémios literários brasileiros e internacionais, de onde se destaca o Prémio Jabuti de Literatura.


Soledad Fariña – Chile 

“Qué sintaxis Qué paisajes que mis ojos no vieron”

Soledad Fariña é uma romancista, professora e poeta chilena que estudou Ciências Políticas e Administrativas na Universidade do Chile, Filosofia e Humanidades na Universidade de Estocolmo e Ciências Religiosas e Cultura Árabe na Universidade do Chile. Publicou o seu primeiro livro aos 42 anos e depois desse mais 12. Está traduzida em diversas línguas e venceu vários prémios literários, chilenos e internacionais.  


Laura Victoria – Colômbia

“Yo soy la plenitude, soy el estío.”

Laura Victoria nasceu na Colômbia em 1904 e morreu no México em 2004. Foi poeta, jornalista e diplomata. Publicou o seu primeiro poema aos 18 anos no jornal El Espectador, e pouco tempo depois formou-se como maestra na Universidade da Colômbia. Viajou por vários países, e acabou por estabelecer-se durante vários anos na Cidade do México ao serviço da Embaixada da Colômbia. Da sua carreira destaca-se também a participação num concurso de beleza que fez dela a primeira mulher 100% negra a vencer um concurso deste género na Colômbia, e a sua atividade enquanto jornalista de moda e estética para diversos meios de comunicação social espanhóis.


Alejandra Solórzano – Costa Rica   

“Necesito aire, Janne. Te das cuenta…?”

Alejandra Solórzano nasceu na Guatemala em 1980 e vive na Costa Rica desde 2007. Poeta, atriz e gestora cultural, é também professora de filosofia na Universidade da Costa Rica. Participou em diversos festivais nacionais e internacionais de poesia.


Reina Maria Rodriguez – Cuba

“Y la realidade se distorsiona y parte en dos linguajes.
Fue la que sempre quisimos y faltó.”

Reina Maria Rodriguez nasceu em Havana em 1952. É formada em Literatura Hispano-Americana e Museologia. Poeta e narradora, tem mais de 20 livros publicados e está traduzida em diversas línguas. Foi distinguida com vários prémios literários nacionais e internacionais. Vive em Havana, na Cidade Velha e próximo do Malecon, perto do mar.


Nora Méndez – El Salvador

“Me hice aroma entre tus días
Sin sospechas pasé por tu garganta
Cupe en cada hueco de tus dedos”

Nora Méndez nasceu em San Salvador em 1969. Licenciada em sociologia e comunicação, também estudou música como intérprete e compositora. A sua incursão na música e nas letras deu-se quase ao mesmo tempo que a sua participação política durante a guerra civil de 1980-1992. Depois dos acordos se paz de 1992, retirou-se da vida pública e reapareceu em 2002 com o seu primeiro livro. Tem manifestado interesse na experimentação e no uso da tecnologia a par do seu trabalho poético. Foi das primeiras poetas a utilizar recursos multimédia como o vídeo, a música e a fotografia nas suas apresentações  


Dolores Veintimilla de Galindo – Equador

“Oh! dónde está esse mundo que soñé
allá en los años de mi edad primera?”

Dolores Veintimilla de Galindo nasceu em 1829 e morreu em 1857. Foi autora de poemas de forte pendor romântico, onde sentimentos como a tristeza, a saudade e o pessimismo estão bastante presentes. O seu pensamento feminista foi considerado à frente do tempo em que viveu, assim como a posição pública que assumiu contra a pena de morte, o que lhe trouxe forte oposição da igreja. Acabaria por suicidar-se aos 28 anos. A sua obra foi publicada postumamente.


Blanca Andreu – Espanha

“Sé bien que galoparé en negro
Porque negro es el color de los sueños”

Blanca Andreu nasceu em La Coruña, em 1959. Estudou filologia e mudou-se para Madrid aos 20 anos. O seu livro “De una niña de provincias que se vino a vivir en un Chagall” é considerado o ponto de partida da chamada “geração postnovíssima” da poesia espanhola. Os temas principais da sua obra são o amor, a infância e a passagem do tempo. Depois da morte do marido, o romancista Juan Benet em 1993, Blanca Andreu regressou ao local onde nasceu e cresceu e é lá que vive atualmente. Publicou até à data vários livros de poesia e venceu vários prémios literários.


Ana Maria Rodas – Guatemala

“Me habita un cementerio”

Ana Maria Rodas nasceu na Cidade da Guatemala em 1937. Poeta, romancista, jornalista e crítica literária, é uma figura destacada do panorama literário centro-americano. A sua poesia, romântica e sensual, denuncia também a hipocrisia da opressão. Publicou o primeiro livro em 1973 – “Poemas da Esquerda Erótica”, livro que escandalizou a sociedade da altura e que viria a dar uma dimensão mais humana à questão da liberdade. Foi distinguida com prémios literários importantes e está traduzida para várias línguas.


Clementina Suarez – Honduras

“Yo soy un poeta,
un ejército de poetas.”

Clementina Suarez nasceu em 1902 e morreu em 1991. No seu tempo, desafiou as normas sociais ao ser, por exemplo, a primeira mulher a publicar um livro de poesia nas Honduras. Era tida como uma mulher independente e livre. Passou por Cuba, fundou depois a Galeria de Arte Centro-Americana no México, país onde esteve em exílio político nos anos 40. Mais tarde, nos anos 50, fundou a galeria El Rancho del Artista, em El Salvador. Regressou às Honduras em 1958.


Soror Juana Inés de La Cruz – México

“Quien en amor há sido más duchoso?”

Soror Juana Inés de La Cruz foi uma religiosa católica da segunda metade do século XVII, escritora barroca, poetisa e dramaturga. Descobriu o prazer da leitura através da biblioteca do avô, de onde leu os clássicos gregos e romanos e a teologia da altura. Aprendeu português e latim por conta própria. Quis entrar na universidade mas acabou por optar por se tornar monja. Foi nessa condição que escreveu a sua obra, desde versos sagrados e profanos, até autos sacramentais e comédias. Correspondeu-se com grandes figuras do mundo hispânico, tendo chegado a escrever ao Papa. O trabalho literário de Soror Juana centrou-se na liberdade, opção muito invulgar para a época, sendo por várias vezes crítica do sexismo da sociedade da época. Morreu aos 43 anos durante uma epidemia.


Viviane Nathan – Panamá

“Yo no sé conjugar los infinitos verbos
del idioma eterno…”

Viviane Nathan nasceu no Uruguai em 1953 e aos 15 anos mudou-se para o Panamá onde completou os estudos secundários e o curso de publicidade. Foi lá que publicou os seus livros de poesia, antes de se mudar para Israel onde vive atualmente. Trocou a poesia pela fotografia e explica, num blogue que mantém ativo, que essa troca aconteceu porque a fotografia lhe oferece melhores recursos para se expressar.


Josefina Pla – Paraguai

“Piedad por las palabras penintentes
que mueren contra la almohada”

Josefina Pla nasceu em Espanha em 1903 e morreu no Paraguai em 1999. Foi poeta, dramaturga, ensaísta, ceramista, pintora e jornalista. Escreveu poesia, conto, novela e ensaio e teve uma grande influência sobre as futuras gerações do Paraguai. Durante a sua carreira foi premiada por várias vezes, tanto pela  obra literária como por defender os direitos humanos e a igualdade entre homens e mulheres.


Carmen Ollé – Peru

“Aquélla, la más perversa nunca amó.”

Carmen Ollé nasceu em Lima em 1947. Poeta, romancista e crítica literária, é considerada uma das mais conhecidas representantes da poesia feminina peruana, ao lado de Blanca Varela. Estudou Educação, com a especialidade de Língua e Literatura, na Universidade Nacional Mayor de San Marcos. Foi professora de literatura, diretora do Centro de Documentação Sobre a Mulher, diretora do Pen Club do Peru e presidente da Rede de Escritoras Latino-Americanas. Viveu largas temporadas em França, Alemanha, Espanha e Estados Unidos e é, desde o ano 2000, coordenadora do Programa Cidadania e Comunicação em Estudo para os Direitos da Mulher. 


Margarida Vale de Gato – Portugal

“Tudo sucede dentro de estanques
casulos, a seda é densa,
não se faz ideia
se isto acaba.”

Margarida Vale de Gato é professora e investigadora na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, nas áreas de Estudos Norte-Americanos e Tradução Literária. Doutorou-se com uma tese sobre a receção de Edgar Allan Poe na lírica portuguesa da segunda metade do século XIX e tem publicado obras ensaísticas dentro das suas áreas de especialidade. Publicou contos em revistas e antologias nacionais e internacionais e escreveu para teatro, mas dedica-se sobretudo à poesia. Exerce a atividade de tradução literária há mais de 20 anos. São suas algumas das versões em português de Henri Michaux, René Char, Dickens, Poe, Yeats, Twain ou Vladimir Nabokov.


Salomé Ureña de Henríquez – República Dominicana

“yo soy la voz que canta
del polvo removiendo tus memorias”

Salomé Ureña de Henríquez nasceu em Santo Domingo em 1850. Foi com o pai, Nicolás Ureña de Mendonza, advogado e escritor, que ainda criança leu os clássicos espanhóis e franceses. Depois desse contacto, começou a recitar para a família em espanhol, francês, inglês e latim. Publicou o primeiro livro aos 17 anos, sob o pseudónimo de Herminia. Na sua poesia encontram-se temas autobiográficos e patrióticos. Morreu de tuberculose aos 46 anos. 

Con el paso del tiempo, su obra se tornó trágica y triste con poemas como En horas de angustia; o patriótica y con energía como se aprecia en sus poemas A La Patria y Ruinas. En años posteriores, incluyó en sus poesías temas autobiográficos, como se puede ver en Mi Pedro, dedicada a su hijo, tal vez su poema más cariñoso, en La llegada del invierno y un libro que se hizo muy popular llamado Esteban, donde habla de su país, su familia, las plantas y flores.


Idea Vilariño – Uruguai 

“Arduo, cansado mar
Padre de mi silencio.”

Idea Vilarinõ nasceu em Montevideo em 1920. Foi poeta, ensaísta e crítica literária e pertenceu ao denominado grupo Geração de 45, ao lado de nomes como Mario Bendetti e Juan Carlos Onetti, entre outros. Estudou música, literatura, e começou a escrever muito cedo. O seu primeiro livro foi publicado quando tinha 25 anos. Participou em inúmeros eventos literários, foi uma das fundadoras dos jornais Clinamen e Número, e colaborou com outras publicações. Entre as suas facetas manos conhecidas estão a tradução (por exemplo de Shakespeare), a composição e a atividade
de docente. Morreu em 2009.   

Blanca Strepponi – Venezuela

“Dar unos pasos en la terraza y ver
casi sin ver
un gran pájaro que bate sus alas
y se va”

Blanca Strepponi nasceu em Buenos Aires em 1952. É escritora e editora e começou a carreira profissional na indústria editorial, tendo trabalhado durante vários anos como produtora gráfica. Colaborou com diversas revistas, foi responsável de publicações do Fundo Editorial Fundarte, cofundadora do Fundo Editorial Pequeña Venecia e criadora da editora Los Libros de El Nacional. Também trabalhou no cinema como guionista.