Entrega do Prémio Científico Mário Quartin Graça 2018

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No dia 18 de dezembro, na Casa da América Latina realizou-se a entrega dos Prémios Mário Quartin Graça aos vencedores da 9ª edição desta iniciativa conjunta com o Banco Santander em Portugal.

Numa edição que recebeu um número recorde de candidaturas (119), e em que a língua portuguesa se destacou, Fernando M. Martins, Manaíra Aires Athayde e Gil Correia foram os autores premiados, realizadas em Portugal e no Brasil. Virgílio Coelho viu também ser-lhe atribuída uma menção honrosa pelo júri, constituído por Arlindo Oliveira, João Proença, Pedro Cardim, Luís Bento dos Santos e Manuela Júdice.

A cerimónia, que contou, entre outros, com a presença de Lucas E. Rincon Romero, Embaixador da Venezuela, Luís Bento dos Santos, Administrador do Banco Santander, Mário Lino da Silva, Vice-Presidente da Casa da América Latina, Catarina Vaz Pinto, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa (em representação do Presidente da CML), e familiares de Mário Quartin Graça, que dá nome ao prémio.

A Secretária-Geral da Casa da América Latina, Manuela Júdice falou sobre  o Prémio, uma iniciativa “cada vez mais conhecida”, realçando o número de candidaturas recebidas. O facto de, pela primeira vez, as Honduras terem submetido um trabalho, e os candidatos mexicanos (26) terem superado os portugueses (17) são, também, dados reveladores do alcance do prémio na América Latina.

Por sua vez, Luís Bento dos Santos afirmou fazer parte de um projeto de “grande sucesso”, no qual os trabalhos a concurso têm sido de “grande qualidade”. O Administrador do Banco Santander destacou ainda a política social deste grupo bancário, que investe, aproximadamente, sete milhões de euros anualmente no ensino universitário e em apoios às comunidades.

Antes da chamada ao palco dos vencedores, a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, em representação do Presidente da CML desejou que o Prémio Mário Quartin Graça fosse um “pretexto para que as comunidades académicas [portuguesas e latino-americanas] se venham a encontrar e a cooperar”.

Os vencedores subiram ao palco para receber o Prémio e explicar em que consistiam os seus trabalhos, não deixando de agradecer às pessoas e instituições que os apoiaram no seu percurso académico.

Fernando M. Martins, vencedor na categoria de Ciências Económicas e Empresariais com a tese “Price and wages rigidities: macroeconomic evidence”, uma dissertação sobre a dimensão da rigidez de preços e salários em Portugal, afirmou que este prémio é o “corolário de um trabalho intenso de investigação ao longo de quatro anos” e agradeceu aos organizadores o “apoio à investigação científica”.

Manaíra Aires Athayde, vencedora na categoria de Ciências Sociais e Humanas com a tese “Ruy Belo e o Modernismo Brasileiro. Poesia, Espólio”, realizada na Universidade de Coimbra. Confrontada com a importância deste reconhecimento, a investigadora afirmou que “o Prémio motiva-nos [aos investigadores] a continuar no percurso académico. É um incentivo que resulta de tanto investimento que colocamos numa tese. Costumo dizer que em cada página de um trabalho destes alberga muita vida!”. No seu trabalho, que considera como “uma obsessão”, a investigadora brasileira mostra como determinadas características, práticas e temáticas da literatura brasileira se encontram na construção do discurso poético e crítico do poeta português.

Por seu turno, Gil Correia na categoria de Tecnologias e Ciências Naturais, com o trabalho “Integração de caracterização de reservatórios com ajuste de histórico baseado em poços piloto: aplicação ao campo Norne”. A respeito do objetivo do trabalho, Gil assume que “tentou juntar duas disciplinas distintas” tendo como pano de fundo a temática do petróleo: as geociências e a engenharia. “Este trabalho tenta integrar as duas áreas, que muitas vezes não comunicam muito bem”.

A menção honrosa, entregue a Virgílio Coelho pela tese “O Fio de Ariadne: Desilusão e Sensibilidade Política em Os Maias, de Eça de Queiroz”. O brasileiro assumiu estar “muito satisfeito” e alertou para “um mundo que valoriza cada vez menos a leitura, o esforço académico e o trabalho intelectual”.