Ida Vitale vence Prémio FIL de Literatura 2018 em Línguas Românicas

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A escritora uruguaia Ida Vitale, de 94 anos, venceu o prémio FIL de Literatura 2018 em Línguas Românicas, que será entregue a 24 de novembro, na abertura da Feira do Livro de Guadalajara, no México.

Feira Internacional do Livro de Guadalajara distinguiu, este ano, uma das grandes mestres da literatura latino-americana ainda viva, a poeta e tradutora uruguaia Ida Vitale.

A autora de La luz de esta memoria  (1949) e Procura de lo imposible  (1998) foi reconhecida pela sua “capacidade insaciável de revelar-nos o mundo através da sua poesia”, vencendo o 28º Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas, galardão que lhe será entregue no próximo 24 de novembro, na inauguração da feira – a segunda mais importante do mundo -, que se celebra em Guadalajara, capital do Estado mexicano de Jalisco.

O júri, para além de ter destacado a sua obra poética, ressalvou ainda o trabalho da uruguaia enquanto tradutora: “Nos últimos 70 anos, a poesia de Ida Vitale enriqueceu a língua espanhola. Não obstante, fê-lo também através das suas notáveis traduções – como, por exemplo, nas suas versões de Pirandello, Bachelard e Simone de Beauvoir -, que formam parte das suas contribuições para a literatura”.

Vitale diz que, actualmente, se encontra num processo de “mudança” (numa referência à sua idade avançada), e por isso não tem escrito nada. “Para mim este prémio significa a vida. Na realidade, já podia ter desaparecido do mundo dos vivos há muito tempo, então isto é como uma reaparição”.

Ida Vitale nasceu no Uruguai a 2 de novembro de 1923 e cultivou a poesia e a crítica literária

Fez parte da “Generación del ´45” junto de escritores como Benedetti, Onetti e Vilariño e escreveu para o semanário Marcha, para a Clinamen e na secção literária do diário Época.

Abuela

En una luz verdosa, entre olores verdosos,
en un vestido negro como papel quemado,
la abuela se refleja desde la mecedora,
al fondo del espejo.
Allí sentada no se hamaca. Cruje.
Se le evaporan casamiento y casas,
ocasiones de cuita, los narrados,
secos jirones que de a poco dieron
gusto a sangre en la boca a la familia:
las guerras y los muertos pequeñitos,
y los que luego luto le vistieron.
Y también el amor, si acaso hubo,
la aridez de los años, la gota de molicie
que murió inútil en su piel reseca.
Todo tal la merienda sorbida tarde a tarde,
de inmediato olvidada.
Fue inmune a la viruela.
Ignoró la codicia.
No vio la conyugal Sicilia
ni muchas calles de Montevideo.
Durante décadas le bastó una amiga
y los recuerdos de un Rosario mínimo.
Sólo insistía en recordar el nombre
en italiano del durazno.
Como el sabor, se le olvidaba.
Sé que sobre sus faldas tibias,
tibia dormía otra Verdad secreta
que acunó su quietud.
La luz bajo cortinas de filé melancólico,
por años la enfrenté desde otra mecedora,
sin lograr alcanzarla.

 

Ver mais poemas de Ida Vitale em https://www.poemas-del-alma.com/ida-vitale.htm