Yudith Laura Silva: “Comer no Chasqui é voltar ao Peru”

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A poucos meses de celebrar um ano de existência, Chasqui – uma referência aos antigos mensageiros que percorriam quilómetros para entregar mensagens – é um dos locais de passagem obrigatória para quem gosta de comida típica peruana. Situado no Centro Comercial Roma, numa das avenidas mais emblemáticas de Lisboa, este restaurante é o espaço ideal para saborear uma refeição diferente, tendo Machu Picchu como pano de fundo.

Aquando da abertura do Chasqui, a Yudith afirmou que o facto da cozinha peruana ainda não estar saturada em Lisboa, impulsionou a abertura deste restaurante. Um ano depois, qual é o balanço que fazem desta aventura?

Quando começámos este projecto, que para nós foi uma experiência nova, abrimos este espaço com a grande responsabilidade de sermos embaixadores da gastronomia peruana. Sentimos a necessidade de dar a conhecer algo 100% peruano e foi isto que, desde a abertura, quisemos vincar como o conceito mais importante do Chasqui. Este espaço caracteriza-se por ser um restaurante com comida mesmo tradicional. Quem nos visita, fica muito contente e muito satisfeito por ter vindo e experimentado a nossa comida e acham que comer no Chasqui é voltar ao Peru; para quem nunca teve a oportunidade de estar no Peru, fica na mesma maravilhada, pois a nossa comida é algo incrível, uma festa de sabores com influências chinesas, italianas e de muitas cozinhas internacionais. Até a forma de servir e empratar respeitamo-la como se estivéssemos no nosso país. O feedback por parte dos clientes tem sido fantástico, como pode verificar-se nos comentários nas redes sociais. Atualmente, somos o restaurante peruano com a mais alta avaliação na internet e isto é muito satisfatório para nós.

O que leva uma peruana formada em finanças e, mais tarde, em assessoria de imagem, a optar pela gastronomia como principal fonte de rendimento?

Quando me formei, no Peru, tive a oportunidade frequentar disciplinas que tinham a ver com mercados e administração de negócios. Assim, começar um projecto em restauração foi como uma aposta: apesar de algumas bases, era um negócio sobre o qual não sabia muito; porém, como o meu marido é chef de cozinha [Carlos García é um dos dois chefs de cozinha do Chasqui], este era um negócio que queríamos transpor para fora do Peru. Entretanto, viemos para Portugal por outras razões, uma das quais o comércio de artesanato a que os meus pais se dedicavam, e vimos que a área da restauração era um mercado no qual podíamos apostar, por vermos nele um nicho propício para explorar a nossa gastronomia. Como domino as áreas de finanças e gestão, não tive dificuldade em prosseguir com este projecto.

 Que tipo de experiência gastronómica pode esperar uma pessoa que vá ao vosso encontro?

Para quem não conhece a gastronomia peruana, o Chasqui apresenta comida tradicional – temos os pratos que consideramos serem os principais da nossa gastronomia – e 100% peruana. As pessoas que vêm pela primeira vez vão provar uma culinária maravilhosa, pratos deliciosos e muito diferentes. Aliás, a nossa gastronomia é considerada há seis anos consecutivos como a melhor gastronomia do mundo!

A expansão da marca é tida como um objectivo a médio prazo?

Desde o início que tivemos bem claro onde queríamos chegar. O Centro Comercial Roma é um bom lugar, um local central em Lisboa a que as pessoas chegam com muita facilidade, mas sempre tivemos a intenção de que quando o Chasqui já estivesse consolidado, ter um espaço mais nosso, no qual as pessoas pudessem ir sem terem de reger-se pelos horários do centro comercial.

Para além da Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), a Casa da América Latina (CAL) tem sido presença assídua neste ainda recente mas bem-sucedido projecto. Qual a importância desta parceria?

A CAL é uma Casa que respeitamos muito e valorizamos bastante o trabalho que têm vindo a desenvolver, porque difundir a arte, a cultura, a poesia, a literatura e o cinema dos países latino-americanos – e eu vejo que a CAL faz um trabalho intenso nestas áreas – é muito importante, porque não só em Portugal mas também na Europa há muitas pessoas que não conhecem a nossa cultura. Considero a CAL a Casa principal no que respeita a divulgação do que é a América Latina. Nós, particularmente, estamos muito contentes pela ajuda e oportunidades que nos têm proporcionado.

Mais recentemente, lançaram a Chasqui Store, uma loja que vende desde tecidos a alimentos tipicamente peruanos. O facto de os vossos pais já possuírem lojas de bijuteria e de artesanato em Portugal teve influência nesta vossa nova aposta? Falem-me um pouco deste novo projecto.

A Chasqui Store é um projecto recente, que inaugurámos a 27 de junho. Um novo desafio. É uma loja que contém os produtos que consideramos primordiais do Peru: tecidos, artesanato, cerâmica, caça-sonhos, bijuteria, entre outros. Para além destes, temos um espaço dedicado a produtos alimentares, como o pisco e outros produtos, que são fundamentais para a preparação dos pratos principais da nossa gastronomia. Vimo-nos na necessidade de criar este espaço, porque muitos clientes diziam-nos que tinham adorado os nossos pratos e queriam replicá-los nas suas casas. Mas, para tal acontecer, eram necessários estes ingredientes e não havia um lugar em Portugal onde os adquirir. E agora há.

No que respeita às roupas, sou eu que faço cada peça, transformando os tecidos peruanos, com uma tendência étnica e inca. Tudo isto, acumulado com a experiência que já tínhamos com as lojas dos nossos pais – há mais de 25 anos em Portugal – levou-nos a apostar neste projecto de olhos fechados e coração aberto, como se diz em Portugal. Agora precisamos do apoio de todos para sermos bem sucedidos. Por isso fica o meu apelo, venham visitar-nos!