Portugal representado por mais de 40 escritores na FIL 2018

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A apresentação oficial do programa de Portugal, país convidado de honra, na Feira Internacional do Livro de Guadalajara (FIL) 2018, decorreu a 18 de junho, no Palácio das Necessidades. A cerimónia contou com a presença da comissária da participação portuguesa no México e secretária-geral da Casa da América Latina, Manuela Júdice, do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, do Ministro da Economia, Luís Filipe Castro Mendes, e da diretora da FIL, Marisol Schulz.

“Entendemos que a língua e a cultura portuguesa representam os maiores recursos de Portugal no mundo”, afirmou Augusto Santos Silva, salientando que estes têm de ser fatores tidos em conta na política externa do país. Neste sentido, lembrou a relevância da “cooperação entre organismos do estado e fundações e empresas que se movimentam na área da Cultura, e que dão consistência à intervenção pública”, bem como do “reforço da ligação política com o México, através de uma maior interação entre a criação e a produção de língua portuguesa e mexicana”. Identificou o “programa abrangente e sistemático” de Portugal na FIL 2018 como um grande impulso para “divulgar a literatura e edição em língua portuguesa”.

A comissária da participação portuguesa na FIL, Manuela Júdice, agradeceu às fundações, empresas, editores, escritores e jornalistas presentes, apresentando o programa nacional na maior feira da América Latina, que contou com “mais de 860 mil visitantes” no ano passado. “Esta é uma feira para público e profissionais, o que significa que, para além de se venderam livros, se vendem direitos de edição”, afirmou, explicando ainda que “Portugal vai ter, não só um pavilhão, um programa literário e um programa académico, mas também nove noites de musica, programas para profissionais, nove dias de cinema português, artes plásticas em espaços da cidade e do estado”. Entre as homenagens que serão feitas no âmbito da feira contam-se os 20 anos de atribuição do Nobel da Literatura a José Saramago, bem como os 10 anos da atribuição do Prémio Juan Rulfo a António Lobo Antunes.

Da lista de mais de 40 escritores portugueses representados na FIL, Manuela Júdice enumerou Francisco José Viegas, Miguel Miranda, Ricardo Araújo Pereira, Lídia Jorge, Dulce Maria Cardoso, João Tordo, José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, Afonso Cruz, Valter Hugo Mãe, Ana Margarida de Carvalho, Alexandra Lucas Coelho, Rui Cardoso Martins, Isabela Figueiredo, Isabel Rio Novo, João de Melo, José Eduardo Agualusa, Ondjaki, Rui Zink, Teolinda Gersão, João Pinto Coelho, Mia Couto, Hélia Correia, Germano Almeida,  Jeronimo Pizarro, Carlos Reis. A poesia estará representada por Nuno Júdice, Manuel Alegre, Filipa Leal, Inês Fonseca Santos, Maria do Rosário Pedreira, António Carlos Cortês, João Luís Barreto Guimarães, Vasco Gato, Margarida Vale de Gato, Rui Cóias, Pedro Mexia (que participará também no programa profissional como editor de poesia) e Adélia Carvalho, autora de Literatura Infantil.

Diretora geral da FIL, Marisol Schulz, fez um agradecimento especial à comissária da participação portuguesa, por ter elaborado “um programa diverso e vasto”, revelando que “poucas vezes a FIL contou com um convidado tão sério como Portugal”. Citando Saramago (“o mais mexicano dos escritores portugueses”), disse que “sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam”, classificando deste modo a relação entre os dois países separados pelo Atlântico, que contam com 154 anos de relações diplomáticas. “Esperamos por todos vós, para que possamos redescobrir a cultura lusa e nos encontrarmos com os grandes escritores portugueses”, finalizou.

Luís Filipe Castro Mendes identificou esta ação “centrada no livro e na leitura” como promotora de outros âmbitos, nomeadamente o económico, constituindo o “exemplo ideal que corresponde ao projeto de ação cultural externa”. “Para além da representação da literatura, temos a participação da nossa música, exposições de arte, intercâmbio científico e académico”, salientou, explicando que Manuela Júdice foi a “espinha dorsal” desta participação em Guadalajara. Apesar de Portugal ser visto como o eterno “desconocido de si mismo”, como colocou o poeta mexicano Octavio Paz, o Ministro da Cultura ressalvou a necessidade de o país ser considerado pelo que é na atualidade e pelo seu impacto no futuro. Terminou, citando um poema de Ruy Belo, que fala deste Portugal do Futuro:

 

O Portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
Portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a Espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o Portugal futuro

Ruy Belo, em Homem de Palavra[s]

 

Consulte aqui a programação completa: http://portugalguadalajara2018.dglab.gov.pt/