Sergio Ramírez – Prémio Cervantes 2018

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O Prémio Miguel de Cervantes foi entregue ao escritor nicaraguense Sergio Ramírez pelos reis de Espanha, no dia 23 de abril, na Universidade de Alcalá de Henares, em Madrid. Esta é a primeira vez que um autor da América Central é distinguido com este prémio.

Nascido na Nicarágua, em 1942, Sergio Ramírez dedicou o prémio à memória dos “nicaraguenses que foram assassinados nas ruas por reclamarem justiça e democracia e aos milhares de jovens que continuam a lutar para que a Nicarágua volte a ser República“. As suas palavras chegam num momento em que a Nicarágua vive uma onda de violentos protestos, que provocaram mais de duas dezenas de mortos.

Aos 75 anos, Sergio Ramírez afirmou que “o essencial para um escritor é encontrar a essência das coisas perdidas, e não essas coisas perdidas“, tendo feito ainda um agradecimento especial à esposa, Tulita. Foi distinguido pela “narração, poesia e rigor do observador e ator, assim como por refletir a vivacidade da vida quotidiana, convertendo a realidade numa obra de arte, toda ela com uma excecional altura literária e pluralidade de géneros, como o conto, a novela e o colunismo jornalístico“.

Diretor da revista eletrónica Carátula e autor do blog literário Boomerang, Sergio Ramírez escreve em vários géneros, tendo obras publicadas em 20 países. Lutou contra o regime de Somoza e, após o triunfo da Frente Sandinista, foi eleito vice-presidente da Nicarágua, para, dez anos depois, em 1996, deixar a política e passar a dedicar-se somente à literatura.