A viagem de Patrícia Campos pela América Latina: “Precisava de mais, de sair, explorar”

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Em 2016, e após quase 15 anos de trabalho no setor da saúde, Patrícia Campos decidiu deixar a sua profissão e partir em viagem pela América Latina. Durante nove meses viajou por onze países da região (começando no México e terminando no Brasil) guardando as memórias e as imagens  no livro ONZE/NOVE, a minha América Latina, que apresentou na Casa da América Latina.

A autora do blogue Looking Around e colaboradora da agência de viagens online The Wanderlust, conta como foi esta aventura, inspirada na sua experiência prévia em voluntariado e movida por interesses sociais e culturais, e de que forma a mesma abriu portas a nível pessoal e profissional.

Como surgiu a vontade de explorar a América Latina?

É algo que me é interno. Eu sempre fiz muito voluntariado e essa experiência veio despertar-me para o conhecimento de outros mundos. O desejo surgiu a partir daí, e, a determinada altura na minha carreira profissional (num hospital do Porto) senti que, e apesar de o meu emprego ser super interessante, precisava de mais, de sair, explorar. Por isso, ao final de quase 15 anos de carreira, senti que estava na altura de viajar. Reuni todas as condições para que isso fosse possível, e achei que esse seria o momento certo, porque ainda não tinha constituído família e tinha feito as reservas necessárias para poder viajar.

Deixei tudo e fui. Na altura, comecei por pedir uma licença, mas a direção do hospital não ma concedeu. Tinha mesmo de ser. Por um lado, tinha a segurança de ter uma carreira, sabia que se voltasse as coisas se iriam resolver. Não foi um ímpeto de loucura, mas sim um crescendo que se foi construindo ao longo do tempo, até  se concretizar em 2016. Foi o momento de mudança que escolhi. Não estou nada arrependida, nem estaria se o processo tivesse sido difícil, que não foi. Acabou por ser uma grande mudança na minha vida, sendo que, mesmo a nível profissional, estou a fazer coisas completamente diferentes.

A nível profissional esta experiência abriu-lhe portas?

Eu trabalhava na área da saúde, e, desde 2016, escrevo num blogue de viagens. Durante a viagem surgiu um convite para poder trabalhar com a agência de viagens online The Wanderlust, que permite dar uma experiência autêntica aos viajantes – uma viagem muito cultural e de proximidade com as comunidades locais, potenciando a economia local. Esse é o meu estilo de viagem, e por isso decidi abraçar também este projeto. Viajar era algo que eu já gostava muito, e poder viajar desta forma, mostrando às pessoas os países que eu gosto desta forma é muito enriquecedor.

Esses países, na América Latina são onze…

Sim, eu viajei por onze países durante nove meses, daí o título que dei ao meu livro ser ONZE/NOVE, a minha América Latina. Foi a minha viagem pessoal e as minhas histórias e ela foi única e transformadora. Quando escrevi este livro, queria era mostrar às pessoas aquilo que eu tinha visto, a essência de cada país. Assim, cada capítulo é um país e a cada história está associada uma imagem. Essa história conta um pouco do que é a minha perspetiva sobre o país, e algo que lá se passou comigo. Ou seja, não deixa de ser um livro que mostra a América Latina e o meu olhar sobre ela, mas é também uma forma poética de o fazer. A minha viagem é sempre feita numa perspetiva social e de aproximação, e o que quero é transmitir isso às pessoas.

O desejo de escrever um livro já existia anteriormente à viagem?

Não. Eu comecei a viagem com o objetivo de escrever sim, mas para o blogue de viagens. Viajar esta forma permite-nos também absorver e refletir muito mais sobre a viagem. Para além disso, como tenho uma proximidade com o voluntariado, o que eu queria era algo mais nessa vertente. O livro surgiu quando regressei. Existia uma vaga ideia de o compor, mas um conceito diferente. Quando cheguei, e depois de falar da viagem, ao partilhar, senti que queria guardar esta experiência desta forma. Foi um novo abrir da caixa de memórias sobre esses momentos. Foi como decidi guardar as recordações daquela viagem, que, sem dúvida, foi um dos momentos mais bonitos que vivi em toda a minha vida. É uma boa recordação, sem dúvida, e, agora que tenho o livro em mãos, ainda mais enriquecedor é. Sinto que existe um bom feedback, a reação das pessoas tem sido muito positiva e enchem-me de força para continuar neste sentido.

Que conselho darias a alguém que queira dar este passo: deixar o emprego e viajar a tempo inteiro?

Diria que é possível. Quando existe esse sonho, não vale a pena pensar que é impossível. Não é preciso muito dinheiro. É preciso, acima de tudo, ter coragem para ir em frente e arriscar. É muito mais fácil do que aquilo que se pensa. Se existe esse sonho, façam. É uma forma única de nos enriquecermos como pessoa.